Quando a comunhão cristã sai das palavras para a prática


co2A comunhão dos santos é o fruto mais precioso da igreja. Talvez isso explique o fato deste traço dela ser tão atacado ao longo de sua existência. Seja por razões externas ou internas. O que está fora de questão é a necessidade que todo membro do corpo de cristo tem da comunhão. Seja para edificação mútua, seja para a glorificação do nome de Jesus. Afinal, o que jamais podemos nos esquecer quando pensamos em comunhão? Eu gostaria de relembrar três: que ela deve ser verdadeira, prática e  aperfeiçoada.

Em três versículos clássicos que tratam do assunto, a fé surge tanto como evidência quanto como condição para uma comunhão verdadeira. Isto é, a crença em Deus e na obra mediadora de Jesus é o elo que une diferentes pessoas, de diferentes lugares e de personalidades completamente distintas.

“E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum.” (Atos 2:44)

“O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo.” (1 João 1:3)

“E o seu mandamento é este: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o seu mandamento”. (1 João 3:23)

Essa característica traz duas implicações importantes: a primeira é que não pode haver comunhão à parte de uma crença correta, de uma fé bíblica. Portanto, o ecumenismo é um engodo. O guarda-chuva da comunhão cristã é limitado pela verdade, no caso a fé que se alimenta da revelação de Deus nas Escrituras. Biblicamente, um judeu e um cristão, ou um cristão e um budista jamais terão comunhão. É e sempre necessário haver em comum a fé que salva. A fé no evangelho de Jesus. Como disse Spurgeon, “forçar a unidade desprezando a verdade é traição ao Senhor Jesus”.

“E a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo” (v.3)

A segunda diz respeito à igreja. Se a comunhão dos santos se sustenta na verdade, concretizada numa fé que surge a partir da Bíblia e culmina numa confiança irrestrita na pessoa e obra de Cristo, então a proclamação e a defesa dessas verdades tornam-se obrigatórias. Negociá-las certamente afetará a pureza da comunhão. Rachas, divisões, facções e disputas no seio da igreja sempre prosperam em solo onde a verdade é desprezada. Além disso, a superficialidade que marca nossa geração e que fere o mandamento bíblico do amor prático (1 Jo 3:18) se deve, certamente, ao abandono das verdades bíblicas por sabedoria humana, apenas especulativa. Púlpitos humanistas, de autoajuda e que disseminam incertezas não produzem comunhão sólida.

Toda comunhão verdadeira torna-se prática. Nada mais prejudicial à igreja e incoerente do que uma comunhão que se diz verdadeira, que professa fé em Jesus, mas que abre mão da prática. Como alguém desfruta de uma comunhão prática? Servindo a igreja local com seus dons e vocação e sendo edificado pelo exercício delas por terceiros. Simplificando: se a igreja não desfruta das minhas virtudes (ensino, música, ação social, organização, administração, etc), então não posso afirmar que tenho comunhão com ela. Ser indiferente às demandas da igreja local justamente naquilo que você pode dar sua contribuição é negar estar em comunhão. O caminho natural de alguém que se diz igreja deve ser um caminho de envolvimento crescente.

Além disso, as bênçãos das virtudes dos outros devem chegar até mim e produzir seus efeitos. Crise familiar e financeira, frieza, batalha espiritual, problemas de relacionamento. Tudo isso pode ser tratado num contexto de comunhão onde outros irmãos podem, com suas virtudes, ministrar a você a solução. Mas, se para os exemplos citados você busca solução fora da igreja, então isso significa que você não está em comunhão com ela. Uma comunhão que não é prática.

Por fim, toda comunhão pode ser aperfeiçoada. E pode sê-la de várias maneiras. A que eu gostaria de destacar se dá por um motivo simples: ela tem sido negligenciada. Passeios, congressos, seminários e encontros podem sim aumentar a comunhão entre irmãos. Entretanto, isso pode gerar visões românticas e superficiais da comunhão através de uma maquiagem dos estragos do pecado. E uma dos efeitos da verdadeira comunhão na consciência é justamente a noção de pecado. Ser implacável ao pecado do próximo e condescendente com os próprios é evidencia máxima de falsa comunhão. A comunhão dos santos visa à restauração e santificação dos membros do corpo de Cristo e não à sua própria destruição, alcançada pelo legalismo (é a justiça prevalecendo sobre o amor. É a lei sufocando a graça).

Então, como a comunhão sobrevive e se aperfeiçoa no meio de pecadores? A resposta vem de Tiago:

“Confessai as vossas culpas uns aos outros, e orai uns pelos outros, para que sareis. A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos” (Tiago 5:16).

O aperfeiçoamento de uma comunhão é real quando entre si há tanto o combate ao pecado quanto a restauração do pecador. Quando tenho alguém para confessar os meus pecados, eu ganho um aliado e exercito a humildade. Foge, então, a presunção de ser melhor. Contudo, quando alguém vem a mim confessar os seus pecados, sou intimidado a analisar os meus. A disposição do meu irmão em livrar-se dos seus pecados torna-se também a minha. A comunhão se fortalece. A igreja é edificada e o nome de Deus é glorificado (Jo 17:21). E como deve terminar esse exercício tão saudável ao corpo de Cristo? Em oração. Que tipo de oração é pode muito em seus efeitos? A oração pela prosperidade, pelo crescimento numérico? Não. A oração pelos pecados uns dos outros. Nesse estágio, o julgamento hipócrita, a acusação leviana e a desunião já foram cortadas do seio da igreja. Como orou o nosso Senhor Jesus:

“Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste” (João 17:21).

Quando a palavra de Deus nos chama à comunhão dos santos ela, portanto, nos chama ao amor pela verdade e pelo próximo. Esse é o verdadeiro amor a Deus.

 

 

 

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