Apêndice: uma análise de 1 Coríntios 5:1-7


bannerO príncipe dos puritanos, John Owen (1616-16830, deixou uma vasta obra teológica, na qual ele comenta, em riqueza de detalhes, quase todos os assuntos da vida da igreja. Em um capítulo sobre a administração da excomunhão na igreja, ele comenta sobre a disciplina eclesiástica e suas aplicações. O The Banner of Truth Trust1, importante veículo de propagação das obras puritanas em língua inglesa, publicou um e-book com essa abordagem de Owen, intitulado Church Discipline2 (Disciplina Eclesiástica). Com isso, eu compartilho um trecho muito rico de sua análise de 1 Coríntios 5:1-7, no conhecido caso de incesto praticado na igreja de coríntios. Vamos a ele: Leia mais deste post

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O casamento puritano como um refúgio numa era de destruição da família


casamento

“Quando um homem for recém-casado não sairá à guerra, nem se lhe imporá encargo algum; por um ano inteiro ficará livre na sua casa para alegrar a mulher, que tomou” (Deuteronômio 24:5).

A atual geração herdou e aperfeiçoou para si um conceito por demais desdenhoso sobre o matrimônio. A diferença desse conceito nos últimos cem anos é visível: em 1917, a maior conquista de um jovem comum era o casamento, de forma que, em sua adolescência e juventude, suas energias voltavam-se para constituir uma família. Hoje, contudo, esse objetivo é sistematicamente postergado: após a faculdade, após a aprovação em um concurso público ou após um mestrado profissionalizante.

O problema é notório: as pessoas estão constituindo famílias cada vez mais tarde, e não poucos casam-se após os trinta anos. Ter mais de um filho tornou-se uma empreitada rara. O casamento quase sempre é a última opção. Porque ele é visto como irrelevante. Esse é um dos frutos mais visíveis da secularização: a ausência de relacionamentos duradouros. Leia mais deste post

Os puritanos e o ministério


puritanos

O termo “Puritano” foi usado pela primeira vez no reinado de Elizabeth (1558–1603) como uma expressão de reprovação para aqueles que, aos olhos dos seus oponentes, eram muito tomados com a pureza da Igreja visível. Os Puritanos consideravam incompletas as reformas religiosas do reinado de Edward VI (1547–53). A Igreja na Inglaterra foi grandemente reformada em doutrina, mas no seu governo e na sua prática, existia muito para o que não havia base bíblica. Quando Elizabeth subiu ao trono em 1558, ela produziu o que mais tarde foi conhecido como a “acordo religioso Elizabetano”, que basicamente era um dispositivo político – o objetivo principal da rainha era consolidar a sua própria posição. Isso levou a uma “Igreja aberta”, que podia e que realmente aceitava quase que tudo dos fanáticos Papistas, por um lado, e quase que tudo dos Reformadores persuadidos, por outro lado.

Os Puritanos, crendo como eles criam que as Escrituras são a única regra para a prática tanto quanto para a doutrina da Igreja, opunham-se ao novo regime religioso. Eles encontraram-se em oposição a Elizabeth, a James I e a Charles I e, embora desfrutassem de um rápido período de trégua sob a lei de Cromwell, eles foram forçados a deixar a Igreja da Inglaterra em 1662, quando aproximadamente 2.000 ministros recusaram submeter-se ao Ato de Uniformidade. Em todo o século dezessete e também depois, a influência dos Puritanos diminuiu continuamente e, até que uma nova onda de interesse nos seus escritos aparecesse na década de 50 (em grande parte através do trabalho da organização “Banner of Truth Trust”), eles permaneceram como que algo de uma imparidade histórica, aos olhos da maioria. Leia mais deste post

Os puritanos: trabalho e sucesso


O Puritanismo e o calvinismo mais comumente consideravam o trabalho como o meio pelo qual as pessoas conquistam seu próprio sucesso e riqueza? É normalmente afirmado que sim, mas procuro em vão pela substanciação da afirmativa. O calvinismo não ensina uma ética de autoconfiança, como ensina nossa ética moderna do trabalho. É, ao contrário, uma ética da graça: quaisquer recompensas tangíveis advindas do trabalho, são o dom da graça de Deus.

Calvino mesmo havia negado que o sucesso material é sempre o resultado do trabalho. Era Benjamin Franklin, e não os primeiros protestantes, que tinha a confiança que “cedo dormir e cedo levantar tornam um homem saudável, abastado e sábio”. Na visão calvinista, apenas trabalho não garante sucesso; mesmo quando Deus abençoa o trabalho com prosperidade, é sua graça e não mérito humano que produz a bênção. Nas palavras de Calvino: “Os homens em vão desgastam-se com labuta, e desperdiçam a si mesmos para adquirir riquezas, visto que estas também são um benefício somente através de Deus”. E novamente: “Longe de nós pensar que temos qualquer direito à vã confiança. Leia mais deste post

Os Puritanos e a Bíblia: Um paradigma para a Igreja


Por Ken L. Sarles

Grifo feito pelo autor deste blog

Na crença popular, o termo puritano traz consigo a imagem de um estraga-prazeres austero, pedante, farisaico, um caçador de bruxas. Mas nada poderia estar mais distante da realidade histórica. Embora utilizado originalmente como rótulo degradante, o termo puritano simplesmente denotava aquele que queria purificar a adoração da Igreja e a vida dos santos. O puritanismo inglês surgiu por volta de 1560. Apareceu pela primeira vez com o movimento de reforma litúrgica, mas rapidamente se expandiu, tornando-se uma forma distinta de se ver a vida cristã. O fenômeno puritano poderia ser definido como um movimento na Igreja da Inglaterra, da metade do século XVI até o começo do século XVIII que buscou reformulação na vida da Igreja e purificação na vida dos crentes, individualmente. Era calvinista quanto à teologia e pietista em sua maneira de enxergar as coisas.

Sabemos ter havido vários movimentos de reforma na história da Igreja – mas o que destaca o movimento dos puritanos dentre os demais é ser compromisso radical de viver para a glória de Deus. Nesse sentido, ninguém conseguiu resumir o caráter puritano de forma mais eloqüênte que J. I. Packer: Os puritanos foram almas grandiosas servindo a um grande Deus. Neles, fundiam-se a paixão bem definida e a compaixão de um coração afetuoso. Leia mais deste post

Os Puritanos: História e Expoentes


Alderi Souza de Matos

Introdução

O sentido positivo/negativo original do termo “puritano” e o sentido pejorativo atual (rigidez, moralismo, intolerância).

A imagem distorcida dos puritanos na história. H. L. Mencken: “O puritanismo é o temor persistente de que alguém, em algum lugar, possa ser feliz”.

Ênfase principal: preocupação com a pureza e integridade da igreja, do indivíduo e da sociedade.

Movimento muito influente na Inglaterra; principal tradição religiosa na história dos Estados Unidos.
1. Definições

Movimento em prol da reforma completa da Igreja da Inglaterra que teve início no reinado de Elizabete I (1558) e continuou por mais de um século como uma grande força religiosa na Inglaterra e também nos Estados Unidos. “Uma versão militante da fé reformada” (Dewey D. Wallace, Jr.).

Movimento religioso protestante dos séculos 16 e 17 que buscou “purificar” a Igreja da Inglaterra em linhas mais reformadas. O movimento foi calvinista quanto à teologia e presbiteriano ou congregacional quanto ao governo eclesiástico (Donald K. McKim).

Pessoas preocupadas com a reforma mais plena da Igreja da Inglaterra na época de Elizabete e dos Stuarts em virtude de sua experiência religiosa particular e do seu compromisso com a teologia reformada (I. Breward). Leia mais deste post

Puritanos: Definição do Termo – Por Lloyd Jones


[…] toda essa questão do que se quer dizer com o próprio termo “puritano” é complicada e vem recebendo muita atenção recentemente. Há um ensaio muito fascinante sobre este assunto, com o título de Puritanismo: O Problema da Definição (“Puritanism: the Problem of Definition”), de autoria do professor Basil Hall, de Cambridge, que se acha na obra Estudos da História da Igreja (“Studies in Church History”), Vol. II, editada por G.J. Cunning.

Desde o princípio tem havido grande confusão concernente a esta questão do sentido exato do termo puritano. Houve muitos fatores que levaram a isso. Ahistória dos Puritanos (“History of the Puritans”), de Daniel Neal, é um dos fatores. Ele foi um pouco descuidado no uso do termo, e outros se inclinaram a segui-lo. Além disso, como o professor Basil Hall assinala com muito acerto, os líderes das igrejas congregacionais e batistas, orgulhando-se do fato de que as suas igrejas chegaram à respeitabilidade no presente século, mostram-se muito desejosos de pôr em cena as suas origens separatistas. Leia mais deste post

Os Puritanos e a prática da oração


por Ricardo Barbosa de Sousa

Sete princípios para quem crê que orar é mais do que listar necessidades
O puritanismo foi um movimento de renovação do século 16. A expressão puritano apareceu pela primeira vez por volta de 1560 para identificar aqueles que não acreditavam que a rainha Elizabeth promovera uma reforma verdadeira na Igreja da Inglaterra. Eles não eram separatistas, mas não aceitavam as imposições da coroa, nem da Igreja oficial. Viveram num período de conflito e buscavam uma espiritualidade profundamente sustentada na doutrina bíblica e, neste caso, calvinista, mas também profundamente pessoal.

Para os puritanos, a experiência religiosa pessoal não tem origem no homem, mas em Deus e seu chamado. A conversão é uma necessidade. É a resposta do homem ao chamado de Deus, que nos convida a total dedicação e obediência ao propósito divino. No entanto, a pessoalidade na experiência religiosa não implicava uma espiritualidade individualista, mas comunitária. Para os puritanos, Deus fez uma aliança com sua Igreja e não apenas com indivíduos. Como no Velho Testamento, Deus aliançou-se com Israel como pessoa e com Israel como povo. O puritanismo não conhece espiritualidade solitária. Leia mais deste post

Por que precisamos dos Puritanos? Parte 2


De que maneiras podemos fazer isto? Deixe-me sugerir alguns pontos específicos. Primeiro, há lições para nós na integração das suas vidas diárias. Como seu cristianismo era totalmente abrangente, assim o seu viver era uma unidade. Hoje, chamaríamos o seu estilo de vida de “holístico”: toda conscientização, atividade e prazer, todo “emprego das criaturas” e desenvolvimento de poderes pessoais e criatividade, integravam-se na única finalidade de honrar a Deus, apreciando todos os seus dons e tomando tudo em “santidade ao Senhor’’. Para eles não havia disjunção entre o sagrado e o secular; toda a criação, até onde conheciam, era sagrada, e todas as atividades, de qualquer tipo, deviam ser santificadas, ou seja, feitas para a glória de Deus. Assim, no seu ardor elevado aos céus, os Puritanos tornaram-se homens e mulheres de ordem, sóbrios e simples, de oração, decididos, práticos. Viam a vida como um todo, integravam a contemplação com a ação, culto com trabalho, labor com descanso, amor a Deus com amor ao próximo e a si mesmo, a identidade pessoal com a social e um amplo espectro de responsabilidades relacionadas umas com as outras, de forma totalmente consciente e pensada.Nessa minuciosidade eram extremos, diga-se, muito mais rigorosos do que somos, mas ao misturar toda a variedade de deveres cristãos expostos na Escritura eram extremamente equilibrados. Viviam com “método” (diríamos, com uma regra de vida), planejando e dividindo seu tempo com cuidado, nem tanto para afastar as coisas ruins como para ter certeza de incluir todas as coisas boas e importantes — sabedoria necessária, tanto naquela época como agora, para pessoas ocupadas! Nós hoje que tendemos a viver vidas sem planejamento, ao acaso, em uma série de compartimentos incomunicantes e que, portanto, nos sentimos sufocados e distraídos a maior parte do tempo, poderíamos aprender muito com os Puritanos nesse ponto. Leia mais deste post

Por que precisamos dos Puritanos? Parte 1


O hipismo é conhecido como esporte de reis. O esporte do “atiralama”, porém, possui mais ampla adesão. Ridicularizar os Puritanos, em particular, há muito é passatempo popular nos dois lados do Atlântico, e a imagem que a maioria das pessoas tem do Puritanismo ainda contém bastante da deformadora sujeira que necessita ser raspada. “Puritano”, como um nome, era, de fato, lama desde o começo. Cunhado cedo, nos anos 1560, sempre foi um palavra satírica e ofensiva, subentendendo mau humor, censura, presunção e certa medida de hipocrisia, acima e além da sua implicação básica de descontentamento, motivado pela religião, para com aquilo que era visto como a laodicense e comprometedora Igreja da Inglaterra, de Elizabeth. Mais tarde, a palavra ganhou a conotação política adicional de ser contra a monarquia Stuart e a favor de algum tipo de republicanismo; sua primeira referência, no entanto, ainda era ao que se via como um forma estranha, furiosa e feia de religião protestante.

Na Inglaterra, o sentimento antipuritano disparou no tempo da Restauração e tem fluído livremente desde então; na América do Norte edificou-se lentamente, após os dias de Jonathan Edwards, para atingir seu zênite há cem anos atrás na Nova Inglaterra pós-Puritana. No último meio século, porém, estudiosos têm limpado a lama meticulosamente. E, como os afrescos de Michelangelo na Capela Sistina têm cores pouco familiares depois que os restauradores removeram o verniz escuro, assim a imagem convencional dos Puritanos foi radicalmente recuperada, ao menos para os informados. (Aliás, o conhecimento hoje viaja devagar em certas regiões.) Leia mais deste post

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