A Cruz da esquerda


img_0939Há doze anos atrás eu terminava a leitura de A Cruz de Hitler, de Erwin Lutzer. Um marco na minha caminhada literária. Naquela época a esquerda era uma unanimidade numa sociedade de consciência cauterizada pelas falsas promessas socialistas e sequer se cogitava o lamaçal em que nos meteríamos nem a consequente polarização ideológica que assistimos hoje.

O que mais me marcou nesse livro de Lutzer foi a estratégia comum de toda ideologia totalitária (nazismo, comunismo e afins) no campo da religião, algo que Hitler e Stálin fizeram com maestria. O que poucos conseguem perceber é que a restrição de culto é a última e definitiva ação de uma ideologia que visa capturar a consciência de seus súditos. Essa medida drástica é sempre precedida pela cooptação de toda atividade religiosa e sua submissão aos preceitos da ideologia vigente.

Hitler criou um departamento público religioso que buscava diluir numa sopa ideológica a cosmovisão cristã e nazista, desconstruindo a doutrina cristã naquilo que ela se afastava das intenções do estado nazista. O que se pretendia era a absoluta obediência ao partido, por isso o nome “A Cruz de Hitler”. As igrejas ou os bispos e pastores que resistiam eram perseguidos e tinha sua atividade cassada (quando não eram mortos). Isso levou diversos seminários, pastores e igrejas à clandestinidade. Dietrich Bonhoeffer foi ícone dessa política de Hitler.

O que poucos sabem, também, é como essa transição teológica era imposta pelo partido nazista. Como uma igreja deixava de ser submissa à Cruz de Cristo e tornava-se convivente com o pensamento nazista mas ostentando uma religiosidade cristã. Esse trabalho era desempenhado pelos líderes orgânicos, aqueles alinhados e devotos a Hitler e minimamente educados na tradição cristã. Tinham uma roupa cristã mas eram de mente hitleriana. Galgavam o respeito das massas e prestavam contas ao partido nazista. Esse era o cristianismo de Hitler e de toda ideologia totalitária.

O que a esquerda tem feito nesses meses que antecedem as eleições é muito similar à estratégia nazista. Ela busca cooptar para seus quadros algumas peças religiosas, com algum diálogo no segmento religioso, não porque ela concorde com os pressupostos cristãos (todos sabem que não), mas para atrair uma massa de manobra em favor da causa progressista. Com isso, vemos pessoas teologicamente instruídas e com certa influência no meio evangélico que, a partir do alcance das redes sociais, tratam de temas como conservadorismo, aborto, homofobia sob a ótica marxista mas com viés cristão a fim de se projetar como uma terceira via evangélica, uma alternativa ao neopentecostalismo manipulador (pastores televangelistas) e ao protestantismo ortodoxo (contra o casamento gay, aborto e antifeminista). E, claro, visam enganar as mentes simples.

Qual o objetivo dessa estratégia? Não é tornar o cristianismo mais humano ou mais sensível as causas dos oprimidos. O cristianismo ensina isso ao mundo há dois mil anos. Ele busca, na verdade, cooptar o evangelho ao marxismo, ao partido. Até que ele não seja mais necessário e sua influência seja eliminada, só restando a voz esquerdista. Nesse nível, com o totalitarismo esquerdista alcançado, o cristianismo seria considerado ideologia inimiga e o culto seria erradicado, como ocorreu na Alemanha, na ex-URSS e na China. Isto é, os cristãos que se prestam ao mesmo trabalho de defesa da ética progressista representam um tipo de religioso a serviço de um reino que não é o de Cristo. Falam como o pastor “que não entra pela porta no aprisco das ovelhas, mas sobe por outra parte” (Jo 10:1).

Esse texto não é para as ovelhas de Cristo porque elas sabem distinguir corretamente a voz de Cristo das demais vozes (Jo 10:27). Esse texto é para os ingênuos que acham que o cristianismo precisa de uma ideologia ateísta para se sustentar no mundo. Além disso, mostrar que a estratégia da esquerda não é recente a fim que ninguém seja pego de surpresa.

Por fim, esse texto é para relembrar que a Cruz de Cristo não admite associação com qualquer ideologia. E que a esquerda nunca alimentou senão ódio por ela.

http://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/01/1950116-psol-aposta-em-pastor-e-delegado-para-se-aproximar-de-conservadores.shtml

http://www.ultimato.com.br/revista/artigos/281/o-reino-o-poder-e-a-gloria-as-igrejas-evangelicas-alemas-e-o-regime-nazista

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