Natal


880FC7D5-2AB5-4FC8-AEEA-98BAE7B1D196“Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens aos quais ele concede o seu favor” Lucas 2:14

Dar glórias a Deus é um valor caríssimo para quem nasceu da água e do Espírito. A primeira coisa que a pessoa aprende tão logo é ressuscitada com Cristo é que sua alegria reside inteiramente em viver para a glória de Deus. Qual o fim principal do homem? É glorificar a Deus e gozá-lo para sempre (Rm 11.36; 1Co 10.31; Sl 73.25-26; Is 43.7; Rm 14.7-8; Ef 1.5-6; Is 60.21; 61.3). A autojustiça ou mesmo a vanglória não cabem na vida cristã. Do início ao fim, e nas coisas mais simples, é em Deus que nos gloriamos e nos regozijamos.

Em sua oração sacerdotal, Jesus definiu a sua trajetória aqui na terra: “Eu te glorifiquei na terra, completando a obra que me deste para fazer” (Jo 17:4). Os exércitos celestiais celebraram a Deus no céu quando Cristo nasceu. E eles continuaram enquanto Cristo aqui pisou. E eles o fazem por toda eternidade:

“E eles cantavam um cântico novo: Tu és digno de receber o livro e de abrir os seus selos, pois foste morto e com teu sangue compraste para Deus gente de toda tribo, língua, povo e nação. Tu os constituíste reino e sacerdotes para o nosso Deus, e eles reinarão sobre a terra” (Apocalipse 5:9-10).

O Natal, portanto, é o primeiro anúncio de que a Deus somente pertence a glória. É a declaração final de que os homens nada podem fazer por si mesmos a fim de se salvarem. O Natal é tanto a confirmação de que é um estupendo fracasso atribuir às nossas obras qualquer valor salvífico quanto o testemunho da misericórdia e graça divinas.

Por que, afinal, os anjos estão louvando a Deus por ocasião do anúncio do nascimento de Jesus? Porque a salvação não viria dos braços de um rei político, de um general conquistador ou muito menos de um anjo, mas por intermédio do mistério da encarnação, Deus tornando-se homem e assumindo nossa fraqueza. Deus fazendo o que sempre fora impossível aos homens. É o resgate e a salvação tomando a forma na encarnação. O que causaria embaraço na mente humana pelos séculos seguintes provocou nos anjos profunda alegria. Eles estavam louvando a graça (Ef 1:6).

A verdadeira celebração do Natal é, portanto, a celebração da graça de Deus. De seu favor imerecido em benefício nosso. Não celebramos um conceito abstrato nem mesmo um uma história inventada, mas a realidade do amor paternal de Deus. Ele visitou as trevas em que nos encontrávamos, nos resgatou de lá para o seu reino de amor e firmou os nossos pés sobre a rocha de uma comunhão que jamais poderá ser quebrada. Nem nesta vida, nem na vindoura. O Natal não faz menção às nossas realizações, mas às de Cristo. Celebra o amor do pai em contraste fazendo por seus filhos aquilo que sempre lhes fora impossível.

Mas não faz menção apenas a glória de Deus, mas ao grande efeito que se segue à sua graça: a Paz (1 Co 1:3; 2 Co 1:2). O nascimento de Jesus marca o início do fim da inimizade entre Deus e o homem. Aponta para o resultado da remoção do pecado e do pagamento da dívida que ele exige. “A justiça e a paz se beijaram” (Sl 85:10). “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo”(Romanos 5:1). É essa paz, o efeito da graça redentora, que os anjos estão louvando no nascimento de Jesus.

No Natal nos lembramos que Deus não está mais contra nós. Se Ele é por nós, então nada pode se levantar contra (Rm 8:31). O Natal é a mensagem de que Jesus tem a paz que o mundo jamais pode ofertar, a paz que nos introduz na presença Santa de Deus sem culpa e sem medo, com ousadia. Em Jesus, o Natal nos mostra, perdemos o pavor de Deus.

Se o Natal é primeiramente o resgate da glória de Deus – e é assim que os anjos iniciam seu cântico -, no fim ele redunda em gratidão. Afinal, a quem é destinada a Paz de Cristo? “A quem ele quer bem” (ARA); “aos quais ele concede o seu favor” (NTLH). Os anjos, portanto, não estão celebrando a redenção de toda humanidade. Eles estão celebrando a redenção da Igreja, a noiva de Cristo – “a minha igreja” (Mt 16:18). Por que a gratidão? Porque não movemos uma palha sequer para sermos alvo da Graça de Deus. Tudo, do começo ao fim, é obra do amor divino. Ele ama quem ele quer. “Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum! Pois ele diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão”(Romanos 9:14-15).

Assim, saber que fomos enxertados na oliveira, sem que nada fizéssemos por isso, é um golpe no orgulho. “Não vem das obras para que o homem não se glorie” (Ef 2:9). O que nos resta é uma gratidão humilde, pois Deus se afeiçoou por mim com base apenas em seu infinito amor.

Deus tomou a nossa forma, assumiu nossa fraqueza e humilhação. Ele fez por nós o que jamais poderíamos fazer. Tudo isso Ele fez exclusivamente por livre vontade, para o nosso próprio bem. Para que a glória seja somente para Ele. É isso que significa o Natal.

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