A nova tolerância de Kleber Lucas


82745B3B-A0CE-4FFB-8486-2B6D19D64353Eu acredito que o cristianismo pode sentar-se à mesa para, com outras religiões, debater soluções para nossas mazelas sociais. Porque eu acredito na graça comum. Também sou contra a intolerância religiosa, motivada sempre pelo fanatismo. Sendo contra a intolerância, considero valor inviolável ao indivíduo o exercício da sua fé, que deve ter a sua liberdade garantida pelo aparato estatal. Incluo-me e a todos os que professam o corpo – sólido – das doutrinas históricas dó cristianismo.Isso significa que os outros devem tolerar minhas convicções sobre as demais religiões e sobre a vida como um todo, por mais absurdo que elas sejam – cujo limite é a plena integridade do outro. Se você discorda disso, lamento, você foi treinado na tolerância intolerante. Ela diz que para garantirmos o respeito, devemos calar as vozes contrárias ao politicamente correto. A verdadeira tolerância, contudo, é aquela que garante voz a todos.

O culto ecumênico em um terreiro de Candomblé, realizado para formalizar a entrega de uma doação à reconstrução do templo destruído por um incêndio motivado por intolerância religiosa, contando com a performance de Kleber Lucas, pastor de uma igreja na Barra da Tijuca e cantor famoso, é o espelho da tolerância e do amor modernos. É tanto a abdicação das próprias convicções em favor das do outro quanto o exercício do amor moderno, marcado pela covardia. Ao posicionar-se tolerante, ele amordaçou toda voz bíblica quanto ao culto a Deus. A verdade teve que ser silenciada para que ele pudesse estar ali. E, parafraseando Spurgeon, o que se pode ver ali é uma traição a Cristo. Não pelas pessoas que ali estavam, nem pelo local (até porque uma reunião ali para discutir uma projeto de assistência aos carentes seria louvável) e muito menos por se tratar do Candomblé, mas pelo sacrifício da verdade. É isso que tem de ser visto (não vou nem entrar na questão sensível que é o culto cristão e como ele é incompatível com o ecumenismo).

Segundo as próprias declarações de Kleber Lucas, ele descobriu a graça barata, parafraseando Bonhoeffer. É a que justifica o pecado – nesse caso, o ecumenismo – sem justificar o pecador. É o exercício de um amor que não se interessa pelo destino das almas, preocupação inegociável para um cristão comum. É o velho conceito do cheque em branco para pecar. Ou melhor, é o conceito que relativiza o pecado até ele não existir mais. Onde tudo seria permitido (Se Deus não existe…).

Mas essa inclinação heterodoxa de Kleber Lucas não é uma surpresa. Ele já louvou o acaso, levou um padre para uma mensagem antropocêntrica e acredita na maternidade de Deus (isto é, ele acha que a hermenêutica pós-moderna dá conta de explicar a Bíblia) para refutar o que ele chama patriarcado e a misoginia bíblica. É um exemplo nítido de que o pecado é poderoso para mudar a teologia de qualquer pastor, quando este deseja garantir uma lugar para ele. Mas como se sabe, a flexibilidade progressista é também hereticamente progressista. Ela culmina no ateísmo. Hoje questiona-se a sexualidade, amanhã a existência de Deus. Hoje abraça-se os desafios do novo tempo. Amanhã casa-se com o ateísmo. Porque o progressismo teológico não é uma nova teologia. É a destruição dela.

A teologia progressista oferece o progresso do pecado. Primeiro, ela oferece o conselho dos ímpios. Segundo, ela oferece o caminho deles. Por fim, ela oferece a companhia (Sl 1:1). E o motivo? O desprezar da lei de Deus. Portanto, o culto ecumênico do Kleber Lucas é a degeneração natural de uma mente entregue à tolerância intolerante – que visa calar as vozes contrárias – e ao amor moderno – covarde, incapaz de manter-se fiel à verdade. É o triunfo da graça barata, do medo e da vergonha do evangelho.

Este fato é o exemplo clássico do desapego à doutrina que marca a igreja moderna e sua opção por uma espiritualidade sensorial e experimental, que baliza a visão de muitos crentes. Não é o que é certo que importa, mas o que é emocionante, que causa uma boa impressão, que multiplica os likes no Facebook. É a teologia que beatifica Judas e solta Barrabás para crucificar Cristo por ele representar uma ameaça ao establishment. Se Cristo foi crucificado pelo o que ele disse, hoje ele teria ido à cruz pelo mesmo motivo.

Como Paulo em Atenas, todos os dias estamos expostos a uma cultura hostil à Verdade, com crescente aversão a ela. Mas, como lá, a exclusividade do Caminho, seu escândalo e loucura permanecem. Lá, contudo, o deus desconhecido pelo menos podia ser mencionado. Aqui, ele está amordaçado no altar da popularidade facebookiana. Kleber Lucas, você pode chamar isso de um ato de amor. Mas, você sabe, é um desprezo pelo próximo. É a tolerância que não tolera a mensagem da Cruz de Cristo.

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