Apêndice: uma análise de 1 Coríntios 5:1-7


bannerO príncipe dos puritanos, John Owen (1616-16830, deixou uma vasta obra teológica, na qual ele comenta, em riqueza de detalhes, quase todos os assuntos da vida da igreja. Em um capítulo sobre a administração da excomunhão na igreja, ele comenta sobre a disciplina eclesiástica e suas aplicações. O The Banner of Truth Trust1, importante veículo de propagação das obras puritanas em língua inglesa, publicou um e-book com essa abordagem de Owen, intitulado Church Discipline2 (Disciplina Eclesiástica). Com isso, eu compartilho um trecho muito rico de sua análise de 1 Coríntios 5:1-7, no conhecido caso de incesto praticado na igreja de coríntios. Vamos a ele:

1 Coríntios 5:1-7

1Geralmente se ouve que há entre vós fornicação, e fornicação tal, que nem ainda entre os gentios se nomeia, como é haver quem possua a mulher de seu pai. 2Estais ensoberbecidos, e nem ao menos vos entristecestes por não ter sido dentre vós tirado quem cometeu tal ação. 3Eu, na verdade, ainda que ausente no corpo, mas presente no espírito, já determinei, como se estivesse presente, que o que tal ato praticou, 4Em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, juntos vós e o meu espírito, pelo poder de nosso Senhor Jesus Cristo, 5Seja, este tal, entregue a Satanás para destruição da carne, para que o espírito seja salvo no dia do Senhor Jesus. 6Não é boa a vossa jactância. Não sabeis que um pouco de fermento faz levedar toda a massa? 7Alimpai-vos, pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como estais sem fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós.

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Verso 1: Ele declara o pecado cuja prática é considerado vergonhoso e escandaloso até para os gentios.

Verso 2: Ele censura a igreja porque ela não havia sido afetada pela culpa e o escândalo daquele pecado, e nem havia procedido para excluir da comunhão aquele que o havia praticado.

Verso 3: Ele declara seu próprio julgamento do caso: a pessoa deveria ser removida da igreja.

Verso 4: Ele declara as causa da exclusão: primeiro, o poder e autoridade do  nome de Jesus Cristo, que instituiu essa ordenança à Igreja, conferindo a ela o direito e o poder de exercê-la. Segundo, a autoridade apostólica gozada por Paulo evidenciada pela expressão “e o meu espírito”. Terceiro, o instrumento que aplica a exclusão é a igreja: “Em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, juntos vós e o meu espírito”.Alimpai-vos, pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa”(v.7). Como uma consequência disso, a punição que essa sentença emite é para ser feita “por muitos” (2 Co 2:6), isto é, todos aqueles que, diante do arrependimento do pecador, deveriam perdoá-lo e confortá-lo. Isto é, toda a igreja (v.7).

Verso 5: a natureza da sentença é que o pecador seja “entregue a Satanás para destruição da carne, para que o espírito seja salvo no dia do Senhor Jesus” não significando a destruição do seu corpo pela morte, mas a mortificação da carne para que tão logo ele fosse restaurado à sua condição anterior.

Portanto, tudo o que nós dissemos até agora pode ser sumarizado da seguinte forma:

1 – A causa da excomunhão é o pecado escandaloso e a ausência de arrependimento.

2 – A preparação para a sua aplicação, que é a senso de pecado e escândalo sentido pela igreja e a consequente humilhação por isso.

3 – A garantia, que é a instituição de Cristo feita à Igreja, onde Sua autoridade é por ela praticada.

4 – A forma, um ato de autoridade que ocorre sob o consentimento de toda a igreja.

5 – O efeito, a total separação do pecador dos privilégios da comunhão com a igreja.

6 – O fim. Em respeito à igreja, é a sua purificação. Em relação ao pecador, esse ato tenciona o seu arrependimento, restauração e salvação.

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Referências:

1 – https://banneroftruth.org/us/

2 – http://www.chapellibrary.org/book/cdis/church-discipline

 

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