As áreas vitais da disciplina eclesiástica


bannerToda igreja bíblica se sustenta sobre um tripé: pureza doutrinária, pureza de vida e unidade. Inevitavelmente, uma vez que o pecado se instale dentro da congregação, uma dessas áreas será afetada por ele. E, às vezes, de forma irreversível, a ponto de uma determinada igreja não mais ser considerada bíblica. Portanto, essas áreas da igreja exigem constante vigilância e disciplina. A negligência delas faz a igreja tombar.

  1. Pureza doutrinária

Vivemos uma época de profunda confusão teológica. Sacralizamos a ignorância bíblica. Parece que uma fé puramente mística e divorciada da Bíblia se tornou o modelo a ser seguido em nosso tempo. Toda instrução bíblica e teológica passou a ser vista como rígida, árida e infrutífera. Supervalorizamos as experiências e desprezamos o conhecimento.

Uma geração de crentes instruídos tem sido sucedida por uma geração ignorante e infantil. Essa postura tornou várias doutrinas bíblicas desconhecidas por muitos membros, inclusive de igrejas tradicionais e renomadas. A doutrina da regeneração (Jo 3; Ef 2:1-9), a doutrina da justificação (Rm 3-5), a doutrina da reconciliação (Ef 2:14-16), a doutrina da santificação (Rm 6), a doutrina da glorificação (Rm 11), dentre tantas outras, se tornaram doutrinas esquecidas em muitos púlpitos.

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Isso, óbvio, abriu portas para os mais graves desvios doutrinários. A teologia da prosperidade e o neopentecostalismo, a teologia da libertação e a teologia da missão integral (em geral, muito suspeita em sua ortodoxia), os movimentos em células e toda a absorção da cultura sem a mínima reflexão de suas implicações são exemplos atuais de como a ignorância bíblica traz terríveis consequências para a pureza doutrinária. E por mais que a igreja ceda à contaminação de sua doutrina, permanece a vontade de Deus:

“Todo aquele que prevarica, e não persevera na doutrina de Cristo, não tem a Deus. Quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto ao Pai como ao Filho” (2 João 1:9).

“Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema” (Gálatas 1:9).

Toda contaminação doutrinária da qual sofre a igreja moderna vem da sua permissividade e covardia diante das heresias que a assaltam sem descanso. E essa permissividade e covardia, vistas muitas vezes como virtudes, ocorrem devido à sua ignorância teológica e bíblica.

Uma igreja que se vê como bíblica deve perseguir a pureza doutrinária.

  1. Pureza de vida

A comunhão visível da verdadeira igreja é caracterizada por sua beleza moral. Uma membresia bíblica é conhecida por sua obediência à Palavra de Deus, o que a distingue de qualquer associação humana. Somos uma comunidade de santos, daqueles que não compartilham dos valores pregados pelo mundo. Em muitos aspectos, a maneira como lidamos com a família, com o dinheiro, com a profissão, com as vidas pública e privada e com os relacionamentos são diametralmente opostos à maneira do mundo. E é isso que nos identifica como igreja de Cristo. A pureza da vida dos membros é uma marca da igreja bíblica.

Escrevendo aos coríntios, ainda no contexto do pecado do capítulo 5, Paulo lembra-os da diferença de comportamento que caracteriza todo filho de Deus:

“Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus? Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus. E é o que alguns têm sido; mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito do nosso Deus. Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma” (1 Coríntios 6:9-12).

E a distinção que marca a igreja bíblica não vem pela ausência de pecado. Vem pela confrontação dele.

  1. Unidade

“Oh! quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união” (Salmos 133:1).

A unidade da igreja não é uma opção a mais numa lista de virtudes a serem buscadas. É um mandamento do Senhor Jesus. Uma igreja com uma unidade visível, que exala a beleza e a saúde dos relacionamentos entre seus membros, proclama em alto som a mensagem do evangelho, as boas novas de salvação em Jesus. Portanto, a unidade é um testemunho da redenção que Jesus trouxe ao seu povo (Jo 17:21).

A disciplina, então, deve atuar sempre que a unidade da igreja local se veja ameaçada. Nesse caso, a disciplina busca manter a paz nos corações e nos relacionamentos dos membros da igreja. Mesmo que isso leve à medida extrema da exclusão. A Bíblia é intolerante com aqueles que promovem divisão e contenda na igreja (Rm 16:17).

“E a paz de Deus, para a qual também fostes chamados em um corpo, domine em vossos corações; e sede agradecido” (Colossenses 3:15).

O apóstolo Paulo fez duras repreensões aos coríntios quando estes celebravam a Ceia do Senhor em divisões e disputas internas, desprezando uns e bajulando outros, lembrando-lhes que o sangue de Cristo fora derramado por uma só igreja. A sua pergunta logo no início da carta é de arrebatar: “Está Cristo dividido?” (1 Co 1:13).

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Sou filho de Deus.

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