Intercessão limitada: é pela Igreja que Jesus intercede


Resultado de imagem para expiação ilimitadaA oração de Jesus em João 17 é a sua mais longa e detalhada registrada pelas Escrituras. Mas ela também é muito significativa. Se por um lado aprendemos com Jesus no que consiste a intercessão que agrada o coração do Pai, por outro, por ela, podemos aprender como a Igreja é o alvo do seu mais torrencial amor.

Ao fazer essa oração, Jesus estava na iminência de ser preso e enfrentar toda a humilhação nas mãos dos judeus e romanos. Com seu espírito angustiado e temendo o pior, ele expõe seu coração nessa oração. Se no momento da morte é comum que valorizemos somente aquilo que é realmente importante, então o fato de Jesus fazer de sua oração uma belíssima intercessão pela Igreja (pelos eleitos e a unidade deles) demonstra o valor que ela possui para Ele.

Logo de início, o texto de João deixa claro por quem Jesus está intercedendo: pela Igreja e não pelo mundo. Em sua oração, o Senhor deixa clara a distinção que há entre esses dois “mundos”. E ele faz questão de frisar que não tem em mente, em sua oração, aqueles que não foram ou não serão redimidos.

“Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste; eram teus, e tu mos deste… é por eles que eu rogo, não rogo pelo mundo” (17:6,9).

É pelos eleitos e não por todos indistintamente que Jesus intercede. Essa declaração mostra que Deus tem um povo seu. E esse povo é objeto tanto da intercessão de Cristo quanto de seus cuidados providenciais.

A ideia de que Deus quer salvar um mundo desconhecido, cujo número dos salvos é uma incógnita, a ponto de afirmarem que Deus vai a todos sem, efetivamente, poder salvá-los, é uma tese antibíblica. Deus tem um povo reservado para si desde a fundação do mundo. É por esses que Ele enviou Seu Filho. E é por esses que o Filho intercede.

Agora, a pergunta que precisamos responder é: quais são as marcas distintivas do povo eleito de Deus? Se Jesus está intercedendo pelos eleitos, então como eu posso ter certeza de que essa intercessão é, também, feita por mim? A oração de Jesus é clara quanto a isso. Ela nos permite saber exatamente quais são as marcas distintivas daqueles que foram enxertados na videira, daqueles que são a sua igreja. Vamos a elas:

  1. Eles reconhecem todo o ministério de Cristo como o plano de Deus em salvar seu povo eleito.

 “Agora, eles reconhecem que todas as coisas que me tens dado provêm de ti” (v.7).

Para o povo de Deus, não resta dúvidas quanto ao propósito, extensão e eficácia da obra de Cristo. O propósito foi redimir um povo, reconciliando-o com Deus por meio do sacrifício de Seu Filho. A extensão é limitada: é um povo específico, escolhido desde a fundação do mundo. E a eficácia é completa: “todo o que o Pai me dá virá a mim” (Jo 6:37). O Filho e o Pai são um, Deus é único e Jesus é o messias enviado são conhecimentos comuns a toda comunidade dos eleitos.

  1. Eles são receptivos à Palavra de Deus.

“…as palavras que me deste, eles a receberam e verdadeiramente conheceram” (v.8).

A mais dura oposição que Jesus enfrentou em todo seu ministério não veio da política de romana, dos pecadores de Israel e muito menos dos gentios. Veio justamente daqueles que dedicaram suas vidas ao estudo das Escrituras, os fariseus, mas que permaneciam cegos. “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam; E não quereis vir a mim para terdes vida” (João 5:39-40). Rejeitavam a Palavra e foram rejeitados por ela.

Poucas atitudes externam tão bem um coração incrédulo quanto a recusa, ou o escárnio, pela Palavra de Deus (Sl 1:1-2). Sem dúvidas, de todos os níveis de incredulidade, o mais agudo é vivido por aquele que nutre desprezo pelas Escrituras. Por outro lado, o coração piedoso é aquele que se submete aos ensinos e busca conformar sua vida à Lei de Deus. Este é o que ama o Senhor. Esta é a marca do eleito.

  1. Eles creem nos ensinos que receberam.

“e creram que tu me enviaste” (v.8).

As Escrituras visam à nossa instrução (2 Tm 3:16), a fim de que creiamos em Jesus. Todo ensino deve levar à fé. Aquele que não objetiva semear a fé no coração, mas uma reflexão rasa e improdutiva, é inútil, antibíblico. A função básica do mestre é levar as pessoas à fé em Cristo, como um salvador suficiente. E a fé é o recebimento incondicional das verdades bíblicas, sejam elas acessíveis à razão ou não, como objeto de confiança irrestrita. Ter fé significa ter uma cristologia saudável e bíblica: Cristo é Deus, é o mediador entre Deus e os homens,  nasceu sem pecado e foi feito pecado por nós para que nos tornássemos justos perante Deus – por meio de sua justiça. Jesus está entronizado e tem o governo do universo em suas mãos, como retornará para julgar os vivos e os mortos e dará a cada um segundo as suas obras.

Essas verdades ocupam lugar de destaque no coração do eleito. Não são meramente tratados teológicos ou acepções intelectuais áridas. São fonte de consolo, de vida e esperança. O cristão se agarra a elas como sendo suas últimas certezas, aquelas que nem a morte pode arrancar. Ele não está apegado a elas somente pelo intelecto, mas pelas afeições. Seu coração pulsa por essas verdades e obtém delas seu maior deleite. Em resumo, crer é descansar com esperança nas verdades que emanam da Palavra de Deus. E isso o eleito sabe fazer muito bem.

  1. Eles guardam a palavra que receberam.

“eles têm guardado a tua palavra” (v.6).

O eleito de Deus é aquele que recebe a palavra no coração (diferentemente dos incrédulos). Além disso, ele crê. Por fim, ele guarda. É evidente que Jesus está orando por aqueles que conformam suas vidas aos mandamentos bíblicos. Guardar e praticar são, em muitos contextos, são sinônimos. Jesus está falando da santificação, que é operada pela palavra de Deus.

No meio da multidão que os cercava, os discípulos se diferenciavam porque obedeciam às palavras de Cristo, a ponto de serem identificados como um seguidor dele. Na vida do cristão, o processo de santificação é inequívoco.

“Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade”. (João 17:17)

“Escondi a tua palavra no meu coração para não pecar contra ti” (Salmos 119:11).

“Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha” (Mateus 7:24).

Destacadas as principais características que marcam um eleito, é válido saber por que Cristo faz sua intercessão por eles. E as razões são encantadoras. Demonstram zelo, cuidado, e, claro, amor por todos aqueles que farão parte da Igreja, inclusive você. São pelo mentos quatro motivos:

  1. Porque embora eles não sejam do mundo, eles estão no mundo.

“Eles continuam no mundo” (v.11).

Enquanto a glorificação dos eleitos não se consumar, este mundo hostil será a seu deserto. Em seu tenro amor, Jesus intercede por cada um de seus filhos que aqui residem. É um imenso consolo saber que não estou largado ao acaso neste mundo cruel e tenebroso. A intercessão de Cristo é a certeza de que “ainda que eu ande pelo vale  da sombra e da morte, eu não temerei  mal algum porque tu estás comigo”.

  1. Porque embora os eleitos estejam no mundo, eles não são do mundo.

“Porque eles não são do mundo, como eu também não sou” (v.14).

A grande mentira que a heresia do universalismo (a ideia de que todos serão salvos) prega é a uniformidade entre o joio e o trigo, entre os crentes e os incrédulos, entre os eleitos e os perdidos. O universalismo chama a todos de povo de Deus, quando a Bíblia nega isso veementemente. Não é coincidência que os universalistas são simpáticos ao ecumenismo religioso.

A grande verdade que salta aos olhos nessa linda intercessão de Cristo é a distinção que há entre os eleitos e o mundo. “Eles não são do mundo”. Eles não o são em obras, em pensamentos, em comportamentos. São separados. A Igreja de Cristo no mundo realça a promessa de Deus: “Então voltareis e vereis a diferença entre o justo e o ímpio; entre o que serve a Deus, e o que não o serve” (Malaquias 3:17). A intercessão de Jesus nesse capítulo não é pelo mundo. É pela igreja, somente. É por ela que ele vive a interceder incessantemente junto ao Pai. E o consolo que essa intercessão traz é o fato de que ela jamais será desprezada. Seremos conservados puros num mundo entregue à impureza.

  1. Porque o mundo odeia a Igreja.

“o mundo os odiou, porque eles não são do mundo” (v.14).

Não houve um dia sequer nesses últimos dois mil anos que a Igreja encontrou descanso das perseguições. Somos parte de um corpo que foi semeado sob o sangue de mártires, que foi expurgo de reinos, tratados como os mais desprezíveis cidadãos. E ainda somos. E a razão é clara: “porque eles não são do mundo”. A tensão entre a igreja e o mundo sempre existirá enquanto a igreja estiver apegada ao evangelho. O evangelho a tira do mundo e o mundo responde com ódio. Por isso é uma enorme ilusão acharmos que é possível construir um consenso com um mundo que odeia o evangelho.

Há milhões de irmãos nossos nesse exato momento respirando ameaças, sem qualquer certeza quanto ao seu amanhã, simplesmente por crerem em Jesus. Entretanto, eles têm o salvador como seu refúgio. Eles contam com a intercessão do Filho de Deus. Ela nunca falha. Embora suas perseguições possam culminar em morte, eles, contudo, serão recebidos na glória. O amor de Jesus supera o ódio do mundo.

  1. Porque a Igreja tem uma missão no mundo.

“também eu os enviei ao mundo” (v.18).

Apesar de todo o ódio nutrido pelo mundo, o Senhor Jesus tem mais pessoas a acrescentar ao seu povo. E essas pessoas estão espalhadas pelos mais remotos lugares. Estão na Coreia do Norte, na China, no Japão, etc. Podem ser desconhecidas por nós, mas não o são para Deus. E a Igreja que é perseguida pelo mundo é exatamente a mesma que Deus tem usado para alcançar os eleitos. Um exemplo sólido de como o amor do Pai é sem medidas. E a Igreja somente cumpre seu chamado graças à intercessão do Filho. Jamais pelas circunstâncias políticas, econômicas ou sociais. É a intercessão de Cristo que sustenta a obra missionária mundo afora.

Todas essas razões explicitadas na oração sacerdotal de Jesus deixam claro que Ele tem um povo reservado, como era Israel entre todas as nações. O Israel espiritual é plenamente conhecido de Deus desde a eternidade. É por ele que Cristo morreu e ressuscitou. E é motivo de encanto que a Bíblia registre essa condição da Igreja por meio de uma oração feita por Jesus no seu pior momento. Em tempos de grande descaso que nutrem pela igreja de Cristo, essa oração deve ser uma correção de visão para aqueles que diminuem o valor que ela possui. Valor esse estimado pelo próprio Senhor. Além do fato de a igreja ser o que é, há outros aspectos que fazem dessa oração um grande reservatório de esperança para nós que aguardamos a Canaã celestial.

O primeiro consolo que a oração de João 17 nos traz vem do fato dessa intercessão ser infalível. Ela é infalível porque é feita por alguém que é excelente, a exata expressão do amor de Deus. Quando todas as circunstâncias testemunham contra a nossa esperança, o simples fato de saber que o Filho de Deus intercede ao pai por mim é suficiente para eu voltar a descansar. “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3:17). Quando eu me lembro dessas palavras ditas por Deus sobre Jesus, eu vejo todos os meus temores se dissiparem.

Além de ser infalivel, essa intercessão é feita por alguém que conhece a minha trajetória nesse mundo hostil. “Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado” (Hb 4:15). Meus sofrimentos, minhas mazelas, minhas fraquezas, minhas contradições, minhas indisposições, etc, são todas conhecidas por Ele. Com isso, sou levado a aprender que cada passo que dou aqui nesse deserto não vem das minhas forças. É resultado da intercessão dele. É um combustível e tanto para prosseguir a peregrinação.

Como não lembrar o episódio de Pedro: “Disse também o Senhor: Simão, Simão, eis que Satanás vos pediu para vos cirandar como trigo; Mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça” (Lucas 22:31,32). Embora minha fé possa ser deveras frágil, eu confio que ela não irá desfalecer. E a intercessão por Pedro também se repete por você:

“E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela tua palavra hão de crer em mim” (João 17:20)

Por fim, a intercessão de Jesus revela a profundidade do seu amor pelos seus eleitos. O alvo de seus pedidos junto ao pai não era a paz mundial, o fim da pobreza ou o fim da corrupção. O alvo é a sua Igreja, aquela por quem ele derramou seu sangue vicário e a redimiu. É pelo povo que ele tanto ama. Foi por esse povo que Deus deu o seu Filho unigênito. Para que por meio da fé nele, esse mesmo povo fosse privado de perecer eternamente. Tudo isso por amor. Sei que Jesus me ama porque ele intercede por mim. Sei que ele intercede por mim porque ele me ama.

 

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