Pregue o evangelho sem palavras. É isso mesmo?


Imagem relacionadaQual é o papel da palavra verbal como meio para proclamação do evangelho e de conversão dos incrédulos? Eu pergunto isso por causa do insistente erro de muitos evangélicos em atribuir pouca importância à pregação verbal do evangelho. Para estes, vale o clichê “pregue com a vida, se possível use palavras” ou “as pessoas querem ver Jesus em você e não em suas palavras” – sobre esse e tantos clichês, eles são evidência da preguiça Intelectual que assola o evangelicalismo brasileiro.

É desnecessário afirmar a necessidade de coerência que deve haver entre o discurso e a prática de um cristão, a necessidade da santificação traduzida em uma vida cristã que glorifique a Cristo nos atos mais simples. É tudo bíblico. Mas isso em nada diminui ou substitui a centralidade da pregação como ferramenta de apresentar Jesus ao incrédulo, como Filipe fez ao eunuco etíope. 

Pregar com o exemplo sem dar importância à verbalização é mais covardia do que fidelidade bíblica, mais conformação à mentalidade pós-moderna de subjetivismo do que ousadia no Espírito Santo, mas serviço à mentalidade mundana do que a Cristo. É uma mentalidade servil ao espírito da época, marcada por pessoas que não suportam ouvir a verdade nem serem confrontadas por ela. Justamente o que Paulo descreveu a Timóteo:

Conjuro-te, pois, diante de Deus, e do Senhor Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu reino, Que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina. Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; E desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas. (2 Timóteo 4:1-4)

O que muitos parecem ignorar é clareza bíblica sobre a centralidade da pregação:

“Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.”‭‭(Mateus‬ ‭28:18-20‬)

“Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? Como está escrito: Quão formosos são os pés dos que anunciam coisas boas! Mas nem todos obedeceram ao evangelho; pois Isaías diz: Senhor, quem acreditou na nossa pregação? E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo.”‭‭(Romanos‬ ‭10:14-17‬)

“Irmãos, venho lembrar-vos o evangelho que vos anunciei, o qual recebestes e no qual ainda perseverais; por ele também sois salvos, se retiverdes a palavra tal como vo-la preguei, a menos que tenhais crido em vão. Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras.”‭‭(1Coríntios‬ ‭15:1-4‬ )

Por que é crucial a pregação verbal do evangelho? 

1. Porque é mandamento bíblico

Como demonstrado nos versos acima, a exposição verbal do evangelho é ordem expressa nas Escrituras. Delegar essa responsabilidade ao testemunho pessoal é, portanto, antibíblico. Se for para quantizar, então o correto é: as pessoas carecem urgentemente do evangelho pregado e exposto de forma inteligível, clara e apaixonada.

2. Porque é mais penetrante do que o testemunho pessoal. 

O evangelho possui verdades arrebatadoras. Essas palavras trabalhadas pelo Espírito no coração do incrédulo produzem transformação de vida. Não pela eloquência do pregador, mas pelo poder do evangelho.

Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego. (Romanos 1:16)

3. Porque quebra os paradigmas mundanos no incrédulo 

Em tempos de ouvidos melindrosos, de desprezo à verdade e da fortaleza do subjetivismo, o evangelho é capaz de desarmar as cadeias da mentira e do engano, produzindo fé e arrependimento no coração do incrédulo. Transformação de mente – metanoia – pressupõe a exposição dela a verdades transformadoras.

“E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo”.

Por que muitos insistem em diminuir o valor da pregação dando ao testemunho pessoal uma eficácia que ele não possui?

1. Porque não querem admitir que não sabem apresentar o evangelho num contexto de pluralismo religioso. 

A grande mantra da nossa época é a afirmação de que todas as religiões são igualmente válidas e verdadeiras em suas afirmações, mesmo que contraditórias. Crentes são doutrinados nesse engodo ao longo de sua vida escolar e absorvem a ética religiosa do mundo que vê toda pregação como proselitismo preconceituoso e intolerante. Com uma consciência engessada por essa ética, diversos cristãos veem-se em dificuldade de serem vistos como desrespeitosos. Dai, preferem ser “vistos” a ouvidos, indo de encontro com a recomendação bíblica:

“estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós” (1 Pedro 3:15)

2. Porque são tímidos e não conseguem iniciar nem manter relacionamentos com vistas ao discipulado. 

A religiosidade e o secularismo engessam e restrigem a prática cristã de evangelismo. Entregues à mentalidade secular, muitos cristãos têm dificuldade de enxergar seus locais de trabalho e faculdade como campos missionários. Têm receio de mencionar sua fé e defendê-la caso necessário. Não conseguem criar relacionamentos e usá-los como meio de apresentação da mensagem de Cristo. Nesse caso, passar despercebido e esperar ser “visto” torna-se muito mais cômodo.

3. Porque são incrédulos quanto à eficácia da pregação.

O sentimentalismo e autoajuda reinantes na mentalidade evangélica atual desprezam a pregação. Eles levam as pessoas à crença de que as verdades do evangelho sem a mediação do testemunho pessoal ou de uma roupagem psicológica não podem trazer as pessoas à fé. “Elas precisam ver a aplicação em suas vidas”, costumam argumentar. Entretanto, ignoram as verdades que levam a essas aplicações. Enfim, não confiam na pregação.

4. Porque não conhecem a Bíblia.

Por fim, a ignorância bíblica. Por onde ouvi e li esse clichê, sempre o vi pronunciado por pessoas de notória superficialidade bíblica. Entregues à autoajuda e métodos alegóricos, são incapazes de enxergar princípios básicos da revelação bíblica, sua harmonia interna, seu fim último e relação que as diferentes narrativas e estilos literários possuem entre si. Não podem crer na mensagem.

Se você concorda com a ideia citada no início do texto, eu te recomendo a uma auto-análise em cada item citado acima. É possível que, sabendo ou não, você tenha abraçado alguma mentalidade que te impede de crer na pregação. E desprezar a pregação é dar ombros para uma das ordenanças mais claras das Escrituras: “ide e pregai”.

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