Quando o amor se torna uma heresia 


Não é novidade o já conhecido movimento evangélico alinhado aos valores da agenda esquerdista, os chamados evangélicos progressistas. Esse alinhamento pode ser visto em seu próprio discurso, amplamente absorvido pelo discurso dessa militância. Palavras como fundamentalismo, conservadorismo, racismo, preconceito, etc, são marcas autenticadoras do vocabulário desse segmento. Entretanto, nada melhor o caracteriza, a meu ver, como sua retórica em defesa do amor como a solução para os conflitos que eles dizem combater. Nesse caso, vale a pergunta: de qual amor eles estão falando?

Antes, contudo, é bom ressaltar a inclinação desse movimento à teoria social marxista. Isso explica o Jesus sintético e a religião secular como produtos que eles tentam criar partir de evangelho interpretado à luz da luta de classes. Franklin Ferreira, em seu livro Contra a Idolatria do Estado, associa o movimento atual ao existente durante o governo de Hitler como forma de sustentar o discurso nazista de poder. Ali, segundo o mesmo autor, nasce o conceito de progressimo devido aos valores defendidos por esse setor do cristianismo alemão, semeado nos bancos das igrejas históricas. Era, na verdade, um cristianismo diluído a fim de coexistir como religião e como bandeira política. Considero essa ressalva histórica suficiente para desmascarar esse palavreado de reformadores sociais do evangelho. É apenas mais um movimento religioso cooptado por uma ideologia totalitária, como é a esquerdista.

Voltando ao conceito de amor como sua bandeira principal, quais as contradições por trás dessa pregação característica?

Primeiro, ela se sustenta no oferecimento de um jesus cuja missão é imanentizada. O Filho de Deus, o Verbo, o Caminho, a Verdade, a Vida, a segunda pessoa da Trindade, ou seja, toda a revelação que as Escrituras fazem de Jesus é reduzida a um ser frágil e vítima das mazelas sociais cujo combate o esquerdismo trata como virtude exclusivamente sua: opressão econômica, religiosa e política; racismo, preconceito, intolerância, etc. Jesus, para esse movimento, é um ativista dos direitos humanos, amigo dos Black Blocks. É feminista, socialista, é negro, protetor da causa LGBT, é revolucionário e precursor do marxismo. A ênfase depende do contexto em que ele é mencionado. Ele pode ser tudo isso, menos um salvador.

Isso porque no progressismo evangélico a salvação oferecida por Jesus é uma salvação de caráter social, restrita aos oprimidos pelo sistema. Todo o conceito de pecado, de dívida, culpa e punição, expiação e reconciliação que vem à tona com o sacrifício de Jesus são ofuscados pela ótica materialista da teoria marxista. Um salvo, nesse sentido, é alguém que conseguiu se emancipar da forma de pensar e agir imposta pelo sistema. Que alcançou uma maturidade social e política que o capacita a profetizar contra a babilônia capitalista. É uma nova roupagem para a moribunda Teologia da Libertação. Uma clara deturpação.

É a esse jesus que eles fazem referência para sustentar um discurso descolado e relevante. É uma tentativa de amenizar as implicações da mensagem do evangelho e torná-la aceitável dentro de um ambiente que historicamente trata o cristianismo como ideologia adversária.

Segundo, se o jesus é sintético, também deve ser o conceito de amor. E tem de ser assim para ser aceito. E por que isso é um problema?

O amor é um atributo e expressa uma das muitas manifestações do caráter de Deus (1 Jo 4:8). Entretanto, o que é sabido por qualquer leitor iniciante da Bíblia, Deus também é santo, justo e soberano. Portanto, o amor de Deus jamais se apresenta divorciado de seus demais atributos, igualmente importantes. Porque Deus é uno e nele não há contradição ou desequilíbrio.

Fazendo-se ingênuo nesse aspecto, o progressismo evangélico trata o amor divino como amoral, não exigente, ingênuo, acrítico, politicamente correto, puramente sentimental e perniciosamente tolerante. É um amor divorciado da santidade. É um amor que não expressa a vontade de Deus para o comportamento sexual do ser humano, mas que valida e celebra sua diversidade. É um tipo de amor que não tem consciência, mas que embarca na ideia de que o pecado é conceito cultural condicionado ao tempo e que não tem valor universal. É um amor que celebra o ódio e a divisão. Acima de tudo, é um amor que nutre repulsa pela verdade. Faz pouco caso das afirmações bíblicas que ofendem a noção politicamente correta de religião, e celebra a união de todas as religiões ao custo da verdade.

Isso explica a hermenêutica que relativiza os valores morais prescritos na Bíblia (casamento homossexual, divórcio, submissão da esposa ao marido, autoridade dos pais sobre os filhos, etc) e se apega exclusivamente à questão da justiça social. São absolutistas quanto à proteção e cuidado aos mais necessitados, mas são relativistas quando o assunto é o casamento entre homem e mulher somente.

Esquecem-se de que os profetas do Antigo Testamento condenavam tanto a injustiça social quanto a imoralidade e a idolatria. Por isso, são falsos. Porque são seletivos. É bem verdade que o amor “não folga com a injustiça”, mas é sempre bom lembrar que ele “folga com a verdade” (1 Coríntios 13:6). E, conforme disse Jesus, o amor se esfria num contexto que faz a iniquidade prosperar (Mt 24:12). E como são denominados os que criticam essa seletividade? Fundamentalistas, conservadores, fariseus…

Por isso esse amor oferecido como solução é uma heresia. Esse amor é um palavrão que serve como isca para atrair crentes como uma cosmovisão deficiente de preceitos bíblicos sólidos. Esse amor é um deus confuso para crentes confusos. E os confusos são extremamente úteis como propagadores desses ideais. Seja por ingenuidade ou por idealismo, e movidos por um sentimento de importância que o discurso esquerdista oferece, acabam por pregar aquilo que uma análise mais cuidadosa das Escrituras daria conta de refutar. Ou seja, pregam aquilo que rejeitariam se dispusessem de uma cosmovisão cristã mais rica.

Permanece o lembrete: Deus é amor (1 Jo 4:8). Mas o amor não é Deus.

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