PORQUE É SEMPRE MELHOR SER UM MISERÁVEL CONSCIENTE 


O progresso espiritual de um cristão é percorrido em caminhos tortuosos, de terreno acidentado e muito incerto às vezes. Não raro nos vemos em profunda tristeza por constatar que não somos o que deveríamos ser, apesar de todas informações acumuladas para “chegar até lá”.
Mas poucos se dão conta que faz parte desse mesmo crescimento a constatação da própria pequenez e miséria espirituais. Isso geralmente vem acompanhado de um coração quebrantado, comportamento muito agradável a Deus, que nos lança aos Seus pés para de não mais sair.  

Guardando as devidas proporções desse sentimento de pequenez e até estagnação espiritual, a fim de não desaguar em amargura e desespero, a capacidade de enxergar o desnível entre o que somos e o que deveríamos ser é um autêntico sinal da operação do Espírito Santo na condução da nossa santificação. Gigantes de Deus sempre diminuem a seus próprios olhos. Porque a falta de fé e o orgulho só podem projetar mitos sobre nós mesmos.

Essa não era a visão geral dos grandes homens da Bíblia?

1) Jó: “Sou indigno” – Jó 40:4;

2) Abraão: “Eu não passo de pó e cinza” – Gênesis 18:27

3) Jacó: “não sou digno de toda a bondade e lealdade com que trataste o teu servo” – Gn 32:10

4) Davi: “Sou verme e não homem” – Sl 22:6

5) Isaías: “Sou homem de lábios impuros” – Is 6:5

6) Paulo: “pois sou o pior dos pecadores” – I Tm 1:15

Como o cristão deve lidar com isso?

Primeiro, claro, é fazer um autoexame da visão que nutre de si mesmo. Com quem você mais se identifica na história do jantar de Jesus na casa do fariseu? Com a humildade e alegria da mulher perdoada ou com autoconfiança e a indiferença do fariseu? Quem tem uma fé que cresce tende a ver a si mesmo como alguém menor sempre.

Segundo, verificando tuas afeições. Embora possamos ser assaltados por sentimentos de fracasso pela constatação de nossa pequenez, nossas afeições devem descansar na provisão da graça de Deus. A mesma graça que nos torna sensíveis à presença e a malignidade de pecados enraizados, nos conforta o coração com a certeza do perdão e da misericórdia ofertados pelo Senhor Jesus quando somos vencidos por um pecado específico. “Deus resiste aos soberbos, mas dá graças ao humilde” (Tg 4:6). E essa graça sempre resulta em profunda felicidade. Se é verdade que o caminho da santificação é árduo, também o é que ele é percorrido com exultação. Não existe maior felicidade do que a de quem reencontrou as consolações da comunhão com Deus (Salmos 51:8-12; Lucas 15:24).

Terceiro, certificar-se do teu crescimento. Se o crescimento traz uma visão mais humilde de nós mesmos e da nossa fraqueza, ele mesmo dá sinais de que a graça e o conhecimento aumentam. E isso por meio do nosso maior interesse pelos assuntos dos céus e maior disposição para o exercício de disciplinas espirituais. Para alguém que está crescendo, atitudes como orar, meditar nas Escrituras, mortificar o pecado e servir a igreja local deixam de ser vistos como mera obrigação, mas como necessários e objeto de satisfação pessoal. Se o único momento vago do teu dia fosse usado para assistir uma partida de futebol e não para uma leitura da Bíblia, então eu te recomendaria cair de joelhos agora mesmo.

Portanto, prossigamos “à medida da estatura completa de Cristo” (Ef 4:13). Não como gigantes míopes e desesperados, mas como crianças que caminham confiantes por terem suas mãos ligadas àquele que nos conduz triunfantes. Porque só os miseráveis podem ser felizes.

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Sou filho de Deus.

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