POR QUE ANDAIS TÃO ANSIOSOS?


a5da8-relogioantigocloseup

A nossa sociedade parece ter potencializado sua rendição à ansiedade. Isso, em parte, porque diariamente recebemos “inputs”: performance no trabalho, bom salário, casa própria, entrega de resultados nos estudos, aprovação em concursos, conclusão de faculdade, ter filhos, livrar-se de uma doença, dentre tantos outros. Isso parece ser universal. Andar, por exemplo, na Av. Rio Branco, no centro do Rio de Janeiro, é encontrar uma multidão que parece em luta contra o tempo e em busca de mais um “objetivo” que possa aplacar seu sentimento de angústia.

A ansiedade pode ser vista como resultado de uma exagerada expectativa pela concretização de um objetivo, cujos meios para tal não detemos o controle. Da falta desse domínio, então, nasce a ansiedade. Ela nos consome os pensamentos, a esperança, nos torna míopes – a vida se resume àquele objetivo – e assalta a nossa paz. Quão terrível é uma vida refém deste mal.

Contudo, a ansiedade não é um mal recente. Jesus dedicou um trecho do seu sermão, o do monte, para advertir sua audiência dessa armadilha. A preocupação de seu público era mais básica ainda: roupa e comida.

Entendendo a ansiedade à luz do Evangelho, ela claramente pode ser vista como pecado, pois vem de uma frustração por não termos o poder suficiente sobre nossas vidas e o rumo que queremos dar a ela. Na verdade, ela revela nossa luta falha por sermos os donos donos dos nossos narizes. Ela, também, sinaliza nosso ativismo pela independência de Deus, negando-lhe o governo e o controle sobre nós.

O que alimenta a ansiedade? A falsa sensação de que tudo depende apenas de nós mesmos; que estamos sozinhos numa batalha que sequer sabemos se vamos dar conta de lutar; o esquecimento das promessas de Deus, de sua preocupação por nossas necessidades e de que ele é, em última análise, quem põe o pão na mesa, nos dá o ar que respiramos e sustenta nossa vida biológica. Ela mina nossa fé – “Se Deus veste a erva, como não vestirá a vós, homens de pouca fé?” (MT 6:30).

Esquecendo-nos, portanto, dessas preciosas verdades, não podemos dormir em meio à tempestade que balança o barco; não podemos nos regozijar, como Paulo, no fato de que Deus supre nossas necessidades, pela riqueza de sua graça; não podemos ver Deus como o Jeová Jireh, o que providencia; como aquele que trabalha enquanto dormimos; como aquele que não se esquece de nós, mesmo que nossa mãe se esqueça.

A vida nesses termos torna-se cruel, deprimente, desprazerosa. Seria demais concluir que é nisso que se resume a vida de bilhões de pessoas, frustradas e pressionadas por um padrão que jamais alcançarão e por um conceito de felicidade que jamais as satisfará?

Ah, quanto da doçura, do cuidado, do zelo, da presença de Deus as pessoas não perdem ao desperdiçarem suas vidas com a pobre expectativa do aqui e agora? Quantos não quiseram, na iminência do túmulo, reescrever suas histórias e objetivos, tendo julgado que tudo o que viveram foi em vão?

A ansiedade não é a causa. É a consequência de perseguir objetivos que não agregam valor, objetivos efêmeros. E esses objetivos encontram solo fértil em corações que não tem o senhorio de Deus.

Portanto, nada mais atual do que o chamado bíblico:

“Entrega o teu caminho ao Senhor. Confia nele, e ele tudo fará” – Salmos 37:5

Tiago

Anúncios

Sobre Blog do Lino
Sou filho de Deus.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: