O poder na fraqueza de quem prega


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E eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria. Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado. E eu estive convosco em fraqueza, e em temor, e em grande tremor. A minha linguagem e a minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria, mas em demonstração do Espírito de poder; para que a vossa fé não se apoiasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus. (I Corintios 2:1-5)

Deus elegeu a fraqueza e loucura da cruz para nos salvar, e só os que se reconhecem débeis podem receber essa mensagem de salvação. Agora, o apóstolo agrega que o mensageiro do evangelho não tem poder senão em sua fraqueza.

Hudson Taylor, que viveu no século XIX foi fundador das missões à China, dizia que todos os gigantes de Deus foram pessoas fracas. Isto é muito certo com respeito ao apóstolo Paulo. Em contraste com aqueles a quem chamava os superapóstolos, Paulo não confiava em suas próprias habilidades. Aqueles eram soberbos, tinham confiança em si mesmos e se jactavam de sua própria autoridade e poder. Com sua atitude estavam causando problemas na igreja em Corinto. Paulo disse muito claramente que os que assim atuavam eram falsos apóstolos. Ele, pelo contrário, se reconhecia fraco e recusava usar sua própria sabedoria humana. Paulo havia renunciado a filosofia humana e havia escolhido a cruz de Cristo. Ademais havia renunciado à retórica grega e havia adotado confiar só no poder do Espírito.

Ao começar o capítulo 2 Paulo declara, uma vez mais, que ele não quer apelar à sabedoria humana senão unicamente a Jesus Cristo, e a este crucificado. Confessa aos corintios que ao chegar ali havia se sentido nervoso e assustado. No entanto, em vez de confiar em sua própria retórica, pôs sua confiança na demonstração do Espírito e do poder de Deus.

Esta confissão de fraqueza não é típica dos pregadores evangélicos na atualidade. Nos seminários se preocupam em inculcar nos estudantes confiança em si mesmos e destreza na pregação. Se Paulo se matriculasse em um seminário hoje, provavelmente não o considerariam um estudante muito promissor. Seguramente lhe haviam dito: “Paulo, você é um cristão maduro; não tem nenhum motivo para estar nervoso. Por um acaso você não sabe o que é estar cheio do Espírito Santo? Você deve ser forte e mostrar confiança em si mesmo”.

Ainda que fosse inteligente e tivesse uma personalidade forte, ao mesmo tempo era frágil e emocionalmente vulnerável. Porém Paulo não tinha vergonha de admitir que tinha medo. Chegou até nós uma descrição do apóstolo que data do século III, que pode ou não ser precisa. Esta tradução diz que Paulo era uma pessoa de pouca estatura, feio, calvo, encorcovado e sobrancelhas muito cerradas. No Novo Testamento, lemos que seus opositores diziam dele que sua aparência física era fraca e que não era eloqüente ao falar. Não era precisamente alguém a quem valeria a pena olhar e escutar! Seguramente tudo isso contribuía com esse sentimento de debilidade que tinha Paulo. Mas em sua fraqueza, ele recordava e recorria ao poder de Deus.

A menção, no versículo 4, à demonstração do Espírito e do poder em sua pregação provavelmente não se refere a milagres, ainda que também os tenha feito. É mais provável que se refere ao milagre de conversão de seus ouvintes. Cada apresentação do evangelho envolve um encontro de poder entre Cristo e Satanás, e em cada conversão se demonstra o poder superior de Jesus Cristo. Isto é possível porque o Espírito Santo toma nossas palavras, pronunciadas com fraqueza, e com Seu poder as leva à mente, ao coração e à consciência dos que escutam, para que possam reconhecer a verdade e crer.

Quem converte aos pecadores?

Uma vez mais, não devemos interpretar equivocadamente este ensinamento de Paulo. Não nos é pedido que reprimamos nossa personalidade ou que simulemos ser fracos. Tão pouco se sugere que cultivemos uma falsa fragilidade, ou que renunciemos usar a razão quando apresentamos o evangelho. Mais bem, o que o apóstolo exemplifica e ensina é um reconhecimento honesto de que nós não podemos salvar a ninguém. Não é uma personalidade envolvente nem a persuasão inteligente que produz convicção. Só o Espírito Santo pode converter.

Só Deus dá vista aos cegos e vida aos mortos. É o Espírito de Deus quem manifesta Seu poder por meio do evangelho de Jesus Cristo. O poder não está em nós, como tão pouco estava em Paulo; está na cruz e no Espírito Santo. Em 1958, eu estava participando em uma missão evangelista na Universidade de Sidney, na Austrália. Havia feito apresentações durante toda uma semana e no último dia estava totalmente sem voz. Ainda que tenha orado, meu estado era pior ao chegar o horário da reunião. Pus minha confiança no Senhor, sem saber o que poderia suceder. Pedi a alguns estudantes cristãos que lessem a passagem de II Corintios 12:9-12. Como Paulo, sabia que o poder de Deus se aperfeiçoaria na minha fraqueza. Como ele, decidi regozijar-me nas minhas fraquezas e em meus problemas, para que o poder de Deus se mostrasse.

Nesse dia não pude usar nenhum recurso para modular a voz nem dar expressão à mensagem. Foi uma pregação roca e monótona. Quando fiz o convite para aceitar Jesus Cristo, houve uma resposta maior do que a dos dias anteriores. De todo o salão se adiantavam estudantes para receber a Cristo. Mas o mais interessante é o seguinte: desde 1958 tenho voltado uma dezena de vezes a Austrália. Em cada visita, alguém tem chegado e me dito: “Lembra daquela reunião na Universidade de Sidney? Eu me converti naquela noite!” Aquelas conversões foram duradouras. Sem dúvida, é um exemplo de que o poder de Deus se mostra ainda mais em nossa fraqueza.

O Cordeiro de Deus

Temos uma mensagem apresentada em uma cruz, que expressa fraqueza. Esta mensagem é proclamada por pregadores fracos, cheios de temor. E é recebida por pessoas fracas, desprezadas pelo mundo. Deus quis escolher um instrumento fraco para apresentar a mensagem de Cristo crucificado aos proletários em Corinto, e Ele atua da mesma maneira hoje.

O principio do poder na fraqueza alcança sua máxima expressão na pessoa de Cristo. Sendo Deus, não se aferrou a Sua condição; pelo contrário, se esvaziou de Seu poder e Sua glória, e se humilhou para nos servir e nos salvar. Depois de ser batizado por João, Jesus foi tentado no deserto da Judéia. Ali, o diabo lhe ofereceu poder, mas Jesus Cristo o repeliu. Pelo contrário, com firmeza se dirigiu a Jerusalém e se entregou voluntariamente à máxima expressão de fraqueza e humilhação: a morte na cruz. Por isso Deus o exaltou a mais alta honra.

Se acompanharmos a João no capítulo 4 de Apocalipse, veremos uma porta aberta no céu. A primeira coisa que se vê desta porta aberta é um trono, símbolo de poder e Soberania. É o trono do Reino de Deus. O apóstolo João continua descrevendo sua visão e algo nos enche de assombro. No trono não somente reconhece Deus em toda Sua grandeza, senão a um Cordeiro “como imolado”. Se o trono é símbolo de poder, o cordeiro tosquiado e sacrificado é símbolo de fraqueza. Em outras palavras, ali, no trono da eternidade, reina o poder através da fraqueza. Deus em Cristo, na cruz; e o Cordeiro de Deus, no trono. Essa é a própria essência de Deus. Que haja em nós a mesma atitude que houve em Cristo Jesus!

Isto é o que o mundo mais precisa. Este é o tipo de líder cristão que a igreja precisa hoje. Onde estão? Líderes e evangelistas que olhem para o Cordeiro no trono e o sigam aonde quer que Ele vá. Homens e mulheres que renunciem à sabedoria e ao poder deste mundo, porque sabem que o poder de Deus se manifesta na sua fraqueza.

Fonte: Sinais de uma igreja viva 

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