A fraqueza na mensagem: a cruz


podernafraquezaPorque a palavra da cruz é deveras loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus. Porque está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios, e aniquilarei a sabedoria o entendimento dos entendidos. Onde está o sábio? Onde o escriba? Onde o questionador deste século? Visto como na sabedoria de Deus o mundo pela sua sabedoria não conheceu a Deus, aprouve a Deus salvar pela loucura da pregação os que crêem. Pois, enquanto os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria, nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos, mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus. Porque a loucura de Deus é mais sábia que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte que os homens. (I Corintios 1:18-25)

Paulo repete duas vezes o conceito de poder na fraqueza da mensagem: nos versículos 18-21 nos versículos 22-25. Ambos parágrafos começam com uma referência à cruz e em ambos casos o apóstolo assinala que a perspectiva humana da cruz é diferente de Deus.

A loucura da pregação

O versículo 21 culmina no primeiro parágrafo com uma afirmação maravilhosa do evangelho. Contem três importantes contrastes.

Quem tomou a iniciativa de vir para salvar os pecadores? A resposta põe em evidencia o primeiro contraste entre Deus e o mundo. A sabedoria do mundo falhou, mas Deus tomou a iniciativa e enviou a Seu Filho para salvar aqueles que creram nEle.

O resultado desta iniciativa de Deus nos mostra o segundo contraste. A salvação em Cristo não é só conhecimento acerca de Deus, tal como a sabedoria humana poderia chegar a oferecer. A salvação que Deus oferece é muito mais que simplesmente conhecer sobre Ele; é restaurar plenamente nossa relação com Ele.

O terceiro contraste surge ao perguntar como se levou a cabo esta iniciativa. Deus o fez através da “loucura da pregação”. O que era impossível para a sabedoria do mundo, Deus se contentou em fazer-lo através do kerygma, isto é, a mensagem do evangelho.

Loucura da cruz

O segundo parágrafo sobre a fraqueza da mensagem do evangelho compreende os versículos 22-25. O apóstolo elabora outra vez o mesmo tema; Deus mostra Sua sabedoria através da loucura de cruz. É na cruz, com toda a sua fraqueza, que Deus demonstra Seu poder.

Paulo faz referencia à perspectiva que tanto os judeus como os gentis tinham da cruz. Os primeiros pediam sinais e milagres. Esperavam um Messias político que expulsasse as legiões romanas para o mar Mediterrâneo e restaurasse a soberania do povo de Israel. Cada vez que um líder revolucionário dizia ser o Messias anunciado, os judeus lhe pediam sinais de poder que dessem credibilidade a suas pretensões. Por isso, uma e outra vez faziam a Jesus essa pergunta: Quais são os sinais que tu fazes, para que te creiamos? Os judeus esperavam poder, não fraqueza. O Cristo crucificado era um tropeço para as expectativas judias, que imaginavam um líder poderoso cavalgando a frente de um potente exército. O que lhes oferecia o evangelho? A patética figura do nazareno crucificado, um verdadeiro insulto ao orgulho nacional. Como podia o Messias de Deus terminar Sua vida crucificado, condenado por seus compatriotas e ainda de baixo da maldição de Deus mesmo? Para a perspectiva judaica isto era inaceitável.

Os gregos, por sua parte, esperavam demonstrações de sabedoria. Estavam treinados para escutar cada nova teoria e comprovar se era razoável para a lógica humana. Se para os judeus a cruz era expressão de fraqueza, para os gentis era de loucura. Para os gregos e romanos a crucificação era um método de execução pública muito humilhante. Estava reservada unicamente para criminosos; nenhum cidadão livre era crucificado. Redundava inconcebível dessa forma. Cícero, o grande orador romano, disse que a cruz não só era alheia ao corpo de um romano senão para sua mente, seus olhos e seus ouvidos. A cruz era algo tão horroroso que um cidadão não devia presenciar uma crucificação, nem falar sobre ela, nem ainda considera-la em sua imaginação.

Em contraste com a percepção da cruz que tinham tanto judeus como gentis, Deus fez dela o meio para mostrar Sua sabedoria e Seu poder: “Cristo é o poder e sabedoria de Deus, porque o insensato de Deus é mais sábio do que os homens, e o fraco de Deus é mais forte que os homens” (1:24-25).

Porque descartamos a cruz?

As palavras de Paulo são muito relevantes em nossos dias e têm especial aplicação no ministério da pregação. Ainda que não nos enfrentamos com judeus nem a gregos do primeiro século, existem modernos representantes de ambos os grupos. A cruz continua sendo pedra de tropeço para aqueles que, como Nietzsche, adoram o poder. A cruz é tropeço para todos os que confiam no poder humano e em sua própria capacidade para se salvar.

Como os judeus contemporâneos de Paulo, muitos de nós tratamos de nos amparar em nossa própria justiça. Muitas pessoas crêem que Deus está obrigado a aceitá-las por suas boas obras. Quem pensa assim tem uma percepção muito pequena de Deus, ou melhor, uma exagerada percepção de si mesmos. Ao contrário, aqueles que tiveram se quer uma visão parcial da majestade de Deus não podem cair em nenhum destes erros. Nunca ninguém pode se salvar a si mesmo e ninguém nunca o fará. Essa é a mensagem da cruz e por isso é pedra de tropeço para aqueles que têm uma exagerada percepção de seu próprio poder.

Assim como a cruz é tropeço para os que confiam em sua própria moralidade, é loucura para aqueles que confiam em sua própria capacidade intelectual. A. G. Ayer, um filósofo de Oxford particularmente famoso logo depois da Segunda Guerra Mundial, escreveu um livro intitulado Linguagem, verdade, e lógica. Assim se referiu com sarcasmo ao cristianismo:

De todas as religiões históricas, há muito boas razões para considerar ao cristianismo como a pior, porque descansa em duas doutrinas. A primeira é o pecado original, e a segunda, a expiação vicária de Cristo. Ambas são intelectualmente inconcebíveis e moralmente absurdas.

Esta é a perspectiva do mundo sobre a cruz. Ao contrário, para aqueles que Deus chamou, a cruz não é fraqueza senão poder. Não é loucura, senão sabedoria.

A cruz é o poder de Deus porque por meio dela Deus fez possível a salvação dos pecadores. Ele nos reconcilia consigo mesmo, nos livra da culpa de Seu justo juízo sobre nossos pecados. Ele no liberta da escravidão de nosso egocentrismo e nos põem nos elevados caminhos da santidade. Tudo isso é possível só por meio da cruz.

A cruz é também sabedoria de Deus, porque por meio dela Deus não só resolve nosso problema senão também, por assim dizer, Seu próprio dilema. Como poderia Deus expressar sua justiça e condenar aos pecadores sem frustrar desta maneira Seu amor por eles? Como poderia expressar Seu amor e perdoar aos pecadores, sem pôr em dúvida Sua justiça? Em outras palavras, como poderia ser, ao mesmo tempo, um Deus justo e salvador?

A resposta de Deus foi a cruz. Ali, em Seu Filho, tomou nosso lugar, levou nossos pecados e morreu nossa morte. Paulo desenvolve este tema extensamente em sua carta aos Romanos. Em 3:21-26 declara que, na cruz, Deus demonstrou Sua justiça. E em 5:8, afirma também que ali Deus demonstrou seu amor. Não tem dúvida de que a cruz é sabedoria de Deus, muito mais efetiva e poderosa que a sabedoria humana!

Fonte: Sinais de uma igreja viva 

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One Response to A fraqueza na mensagem: a cruz

  1. ricardo vilela de souza says:

    graças a Deus por sua cruz e tudo nela contido

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