A Autoridade do Antigo Testamento – Martyn Lloyd Jones


ANTIGOTESTAMENTO2

Em nossos dias existe um avantajado número de pessoas que parece pensar que alguém pode crer plenamente no Senhor Jesus Cristo, ao mesmo tempo que, para todos os efeitos práticos, pode rejeitar o Antigo Testamento. Devemos insistir, contudo, que a questão da nossa atitude para com o Antigo Testamento inevitavelmente suscita a questão da nossa atitude para com o Senhor Jesus Cristo. Se dissermos que não acreditamos no relato da criação, ou em Abraão como um personagem real; se não acreditamos que a lei foi dada por Deus através de Moisés, mas apenas pensamos que tudo não passou de uma astuta peça da legislação judaica, produzida por um homem que foi ótimo líder e que obviamente tinha certas excelentes ideias acerca da higiene e da saúde pública – se dissermos isso, então de fato estaremos contradizendo frontalmente tudo quanto nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo, disse a respeito dEle mesmo, da lei e dos profetas. De conformidade com Cristo, tudo quanto há no Antigo Testamento é a Palavra de Deus. E não somente isto, mas também tudo quanto há na lei e nos profetas haverá de permanecer em vigor até que tudo seja plenamente cumprido. Cada “i” e cada “til” ali existentes tem sua própria significação. E tudo será cumprido até os detalhes mais ínfimos que se possam imaginar. Essa é a lei de Deus, o Seu decreto.

As palavras ditas pelos profetas não foram palavras de homens com veia poética, os quais, dotados de um discernimento poético, enxergaram um pouco mais longe e mais fundo do que as demais pessoas podiam perceber quanto à existência; e que, assim inspirados, fizeram notáveis declarações sobre esta vida e sobre como devia ser vivida. Longe de nós ideias assim! Os profetas foram homens de Deus, e da parte dele receberam as suas mensagens. Tudo quanto disseram é a pura verdade divina, e todas as suas afirmações serão cumpridas até os mínimos detalhes. Ora, tudo quanto ali foi dito teve por alvo a pessoa de Jesus Cristo. Ele é o cumprimento de todas essas revelações, e somente quando plenamente cumpridas por Ele é que elas poderão chegar ao seu extremo lógico e cabal, em qualquer sentido.

Ora, como é evidente, essa questão também se reveste de vital significado. Muitas pessoas tem perguntado por qual motivo a Igreja primitiva resolveu juntar o Antigo Testamento ao Novo Testamento. Por semelhante modo, há muitos, hoje em dia, que afirmam apreciar a leitura dos Evangelhos, mas que não estão de modo algum interessados pelo Antigo Testamento, pensando que aqueles cinco livros de Moisés, com sua mensagem, nada tem a ver com eles. No entanto, a igreja primitiva não adotou tal posição, e isso pela seguinte razão: qualquer destes grandes segmentos da Bíblia que queiramos considerar lança luzes sobre o outro, e cada um deles, em certo sentido, só pode ser entendi à luz do outro. Os dois Testamentos sempre precisam ser considerados conjuntamente. É conforme o grande Agostinho colocou a questão: “O Novo Testamento acha-se latente no Antigo Testamento, e o Antigo Testamento acha-se patente no Novo Testamento”.

Acima de tudo, entretanto, encontramos nesta passagem bíblica [Mateus 5:17-18] essa declaração do próprio Filho de Deus, onde Ele nos assegura que não viera tornar obsoleto o Antigo Testamento, isto é, a lei e os profetas. É como se Ele houvesse dito: “Não é assim, pois a lei e os profetas vieram diretamente da parte de Deus, e Eu mesmo vim a fim de obedecer e cumprir tudo”. Jesus tinha o Antigo Testamento como a Palavra de deus, dotado de autoridade indiscutível e final. E você e eu, se porventura somos autênticos seguidores de Jesus Cristo, se nele deveras confiamos, devemos manifestar a mesma atitude. No momento em que começamos a pôr em dúvida a autoridade do Antigo Testamento, necessariamente estaremos pondo em dúvida a autoridade do próprio Filho de Deus, e nos estaremos deixando arrastar a intermináveis dificuldades e confusões mentais. Se ao menos começamos a pensar que Jesus foi um produto de Sua época, limitado quanto a certas particularidades e passível de erro, então estaremos qualificando perigosamente a doutrina bíblica no que concerne à Sua plena, absoluta e inigualável divindade. Por conseguinte, é mister que nos mostremos extremamente cuidadosos quanto àquilo que pensamos a respeito da Bíblia. Sigamos de perto as citações que Jesus fez dos textos da lei e dos profetas, as citações que Ele extraiu dos Salmos. Jesus Cristo citou dessas porções do Antigo Testamento com grande abundância. Para ele, a lei e os profetas constituíam a Sagrada Escritura, que nos foi outorgada por Deus e que, conforme Jesus ensina em João 10:35, “não pode falhar”. Essa é a própria palavra de Deus, a qual haverá de ter cumprimento cabal até aos mínimos detalhes, permanecendo de pé enquanto existirem os céus e a terra.

Extraído do Livro Estudo no Sermão do Monte, da Editora Fiel.

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