Não há cristianismo sem o próximo


UVAS

Por várias vezes, durante o seu grande sermão do monte, Jesus chama-nos à reflexão quanto a um evangelho prático e frutífero. E frutífero lá não significa ter carisma, ser bom pregador, bom cantor ou saber levar bem o público. Lá significa ter um caráter santo que, ao mesmo tempo em que glorifica a Deus, influencia o mundo. E mais do que isso: o evangelho frutífero e prático a que Jesus se referiu é aquele que é praticado tendo com objetivo o próximo, para a glória de Deus.

Nas bem-aventuranças, depois de lançar as primeiras quatro características do nascido de novo em relação a Deus (pobre de espírito, contrito de coração, manso, e os amantes da justiça), Jesus prossegue com características do caráter cristão em relação ao próximo: misericordioso, limpo de coração, pacificador e perseguido. Mais à frente, ao nos comparar ao sal e à luz, Ele apresenta nossa relação e responsabilidade para com o mundo, incrédulo e morto em pecados.

Na oração do pai nosso, após nos ensinar quem Deus é e o que ele faz por seus filhos, Jesus traz o próximo novamente para a companhia do cristão regenerado: perdoa-nos as nossas ofensas assim como temos perdoado aqueles que nos tem ofendido. Isso tudo depois de já ter dito que devemos virar o rosto, não negar um pedido de empréstimo e amar nossos inimigos. O próximo está muito presente no sermão do monte. Isso é indiscutível. Não apenas no monte, mas na Lei. Depois de nos recomendar a amar a Deus acima de todas as coisas, com todas as nossas forças, Jesus nos diz que devemos a amar ao próximo. Como muito bem argumentou João: “Como posso dizer que amo a Deus, o qual não vejo, se odeio meu irmão que vejo?”.

De tantas as coisas que Jesus nos ensina com o sermão uma delas destaco aqui: não há como supor a vida cristã sem que esta contemple o próximo e seja para servi-lo. Nosso plano de glorificar a Deus não pode ser biblicamente consumado sem que nos deixemos conhecer pelo próximo, que busquemos comunhão com ele, que o sirvamos com nossos dons e que prossigamos para o alvo de mãos dadas a ele.

A religião do desempenho engessa nossa capacidade de comunhão e, portanto, nossa capacidade de amar, de perdoar, de crescer com as bênçãos que um relacionamento desse tipo traz, seja pelos nossos defeitos ou por nossas virtudes. Na comunhão, na amizade franca, no amor recíproco, lidamos melhor com nossa humanidade e, consequentemente, com nossos defeitos e virtudes. Algo que o microfone, a plateia e os aplausos apenas não permitem. Como que se viciando e se iludindo por essas bugigangas da religião humana, muitos preferem a distância e a frieza em suas relações com seus irmãos de fé. Tudo isso por puro medo de ver sua imagem cair no próximo tropeço.

Precisamos tornar nossa prática cristã mais envolvida com o próximo. E aqui eu incluo os não cristãos. Mas apenas faça isso se você ama e pratica a comunhão com seus irmãos de fé. Caso contrário, sua incapacidade de se relacionar, baseado no amor de Cristo e em compromisso com Seu nome, será mais evidente do que suas palavras e, ao invés de atrair o pecador por um testemunho que irradia o amor e glória do Filho de Deus, você correrá um sério risco de afastá-lo por seu egocentrismo, algo muito com a pessoas que não gastam sua vida também com os outros.

Então, sair da teoria para a prática, de uma fé infantil para uma fé madura e resistente, do egoísmo religioso para a humildade servil, da busca pela sua boa reputação diante dos homens para a glória do nome do Verbo Encarnado, é buscar viver em companhia. E nessa busca exercitar a compaixão, o perdão, o amor, a misericórdia, a paz e a justiça. Conforme Jesus nos recomendou. Para Sua Glória.

Sei que o crescimento resultante dessa comunhão pode custar caro, pois você só saberá se ama mesmo quando dedicar amor a alguém que te machucou; só saberá se tem capacidade de perdoar quando alguém te trair; só saberá se é misericordioso quando alguém pecar contra você; só saberá se é manso quando alguém te provocara paciência. Mas isso é inevitável. Mas não podia ser diferente: como a uva, damos o melhor suco quando somos mais bem amassados; como o sal que salga quando está em contato; como a luz que só faz efeito na escuridão.

Tiago Lino

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Sou filho de Deus.

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