Evangelho: A Religião do Coração


coração - blog do tiago lino“O coração humano é uma fábrica de ídolos”. Com essa frase, o reformador João Calvino muito bem descreveu a condição do coração do homem enquanto não regenerado. É latente como essa condição pode ser percebida na prática através da busca desenfreada do homem por algo que lhe satisfaça e que seja o objeto de seu amor, atenção, dedicação e até seu fôlego de vida. Isso acontece a todos sem exceção. Nenhuma pessoa pode se orgulhar de não ter seu coração preso a qualquer coisa, por menor ou mais materialista que ela seja.

Essa parece ser a razão de o Evangelho, nas mensagens de Cristo e dos apóstolos, enfatizar tanto a questão do coração. Na verdade, toda a Bíblia dá atenção especial ao nosso coração. Não o coração físico, mas aquele que é o centro das nossas vontades e emoções, aonde se aloja nossos mais íntimos desejos e anseios e de onde partem os impulsos para a tomada de decisão para materializar esses desejos, sejam eles bons ou ruins.

Em Deuteronômio 29:4a lemos o seguinte: “Porém não vos tem dado o SENHOR um coração para entender” como a possível explicação para tamanha apostasia e murmúrio entre os israelitas, apesar de toda a demonstração de maravilhas feitas pelo Senhor naquele período. Nesse verso vemos a importante posição que nosso coração ocupa na profissão da nossa fé. Mais do que aderir a um código moral, a um conjunto de regras ou abraçar rituais religiosos, a fé em Cristo e o relacionamento com Ele se desenvolvem por um coração aberto a compreendê-lo e, então, a amá-lo e servi-lo. Devemos questionar seriamente se nossa conversão se deu na mente ou no coração, quando perdemos o prazer e o deleite em Jesus. Limitar nosso cristianismo a um conjunto de absorções intelectuais prejudicará completamente nossa compreensão de Deus e de seu amor. Seremos frios e tão religiosos quantos os fariseus.

E não é surpreendente ver o registro da conversão de Lídia, que ouvia a pregação de Paulo em Atos 16, e concluir que ela se deu como resultado de o senhor ter aberto seu coração para que entendesse a mensagem do apóstolo em Filipos. Mais uma vez: a conversão passa pelo nosso coração.

Em sua famosa oração, o rei Davi, após cometer um duplo pecado – assassinato e adultério – vê seu coração destruído de arrependimento e lança um dos pedidos mais sinceros já registrados na Bíblia: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro” (Sl 51:10). É ampla a questão da impureza de coração. Um coração impuro não é apenas aquele cheio de ressentimento por uma pessoa ou uma situação, que certamente traz consequências ruins, mas também aquele que não tem o Senhorio de Cristo no governo.

Não ter um coração governado por Cristo é estar sujeito aos nossos impulsos mais carnais, pois como disse Jesus, “Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias” (Mateus 15:19). Por isso não é uma questão apenas de sentimentos, mas um coração impuro denota idolatria pelo governo de outro que não seja nosso Senhor. E essa idolatria constitui a base de toda a pecaminosidade dos nossos atos.

Por fim, Jesus declara em seu mais famoso sermão: “Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus” (Mateus 5:8).

O Senhor não medirá nossa espiritualidade pelo nosso cérebro, mas pelo nosso coração. Por isso, é importante vigiarmos este lugar tão sensível e importante e nos certificarmos de quem é seu Governante. Se não, qualquer outra coisa pode ocupá-lo e consumir todas as nossas energias e nos levar a um estado de vida degradante. Se, por exemplo, o dinheiro governa, nosso maior objetivo será obter riquezas e o evangelho, ou mesmo Jesus, será um trampolim para este objetivo. Seremos medíocres em nossas orações, com pedidos mesquinhos; seremos medíocres em nossa ortopraxia, pois nossas idas aos cultos, a adoração, a comunhão e o serviço serão manchadas por um coração amante do dinheiro e todas essas práticas tenderão a uma única finalidade: reforçar nossa submissão a mamon.

Como consequência, Deus será uma realidade distante da nossa prática de fé, um ser idealizado e conformado aos nossos anseios e a um coração impuro por um governante indigno. E isso é idolatria, por mais que você se valha da Bíblia e do Deus que se revela nela. Suas teorias religiosas podem até definir-te como um cristão, mas sua prática inevitavelmente te colocará no rol dos idólatras, dos pagãos. Fuja disso.

Portanto, se você quer ver a Deus, isto é, relacionar-se com Ele em amor, misericórdia e graça pela medição de seu bendito filho, você precisa de um coração puro. Mais do que isso, você precisa de um Senhor para ele. Você precisa de Jesus. Somente Ele para organizar a bagunça que é um coração escravo da vontade e conduzir nossas prioridades, anseios e sonhos em submissão aos seus pés, à sua vontade, que é “boa, perfeita e agradável”. Não há outro meio para isso. Ou entregamos completa e incondicionalmente nosso coração aos cuidados de Deus, ou seremos escravos de outro Senhor e privados da comunhão com o Pai.

O pedido de Deus ainda continua vigorando e ele se reforça em uma época tão materialista e que cultua o individualismo. Certifique-se que de você já tenha feita isso, caso contrário não poderás desfrutar das bênçãos espirituais reservadas a nós, os que cremos para a salvação. Clame a Deus por um coração puro, íntegro e sincero. Não o entregue a outro deus, seja ele qual for.

“Dá-me, filho meu, o teu coração, e os teus olhos observem os meus caminhos”  (Provérbios 23:26)

No Amor de Cristo,

Tiago Lino

 

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Sou filho de Deus.

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