A mentira do relativismo – E. W. Lutzer


“Vocês serão como Deus, conhecedores do bem e do mal” (Gn 3.5).

Satanás prometeu a Adão e Eva um conhecimento do “bem e do mal” pela experiência. Com essa bagagem, o homem, então deixado por sua própria conta, seria capaz de distinguir o bem e o mal por si mesmo — pelo menos foi o que a serpente deixou subentendido. Desde que o homem é seu próprio deus, ele é livre para escrever suas próprias leis.

Nós já temos aprendido que a serpente estava certa nesse aspecto: a desobediência deu a Adão e Eva um novo conhecimento do mal. Passaram a conhecer o mal não como um mero conceito abstrato, mas como a descoberta de uma consciência pesada e sem descanso. A partir desse ponto, a percepção moral deles estava obscurecida, enquanto lutavam com a necessidade de reconciliar seu estilo de vida com a imagem de Deus, que fora desfigurada, mas não apagada de suas mentes e seus corações.

O problema é fácil de se entender: em seu estado decaído, eles nunca mais discerniriam o bem e o mal do mesmo ponto de vista de Deus. Se fosse deixado por conta deles, teriam de construir seu próprio sistema de conduta, com o conhecimento fragmentado de seu próprio discernimento pecaminoso e uma consciência corrompida. Além disso, descobririam que não podiam viver de acordo com o que intuitivamente sabiam que era certo. Resumindo, eles teriam que se tornar relativistas, desistindo de toda esperança de encontrar um sistema unificado de moral e de verdade.

Relativismo é a palavra que usamos para descrever a crença popular de que “o que é verdade para mim, pode não ser verdade para você”. O filósofo e professor John Dewey é reconhecido por ter dado respeitabilidade ao relativismo na América. Ele acreditava que a moralidade, como acontece com a linguagem, varia de uma cultu¬ra para outra e que, portanto, nenhuma convicção moral é superior a outra.

O relativismo floresce em nossa cultura. Ao assistir a uma entrevista na televisão, ouvi uma senhora admitir que tinha um caso amoroso com o marido de outra mulher. Ao perceber que essa conduta ainda poderia ser considerada imprópria por alguns membros do auditório, ela se sentiu constrangida ao acrescentar: “O que estou fazendo pode não ser certo para todos, mas é o melhor para mim”.

As religiões orientais acreditam no relativismo por diversas razões. Se é verdade que Deus é tudo, segue-se que Deus é também o mal. Por isso o hinduísmo ensina que bem e mal são apenas ilusão e só parecem ser diferentes um do outro. Allan Watts, que tem o crédito de ter tornado o Zen Budismo aceitável para os americanos, explica dessa maneira: “A vida é como uma peça teatral, na qual você vê homens bons e maus em conflito no palco, mas que atrás das cortinas são todos amigos. Deus e Satanás andam de mãos dadas nos bastidores”.

Registro também as palavras de Yen-Men, um dos maiores mestres orientais: “Se você busca a verdade plena, não se preocupe com o certo e o errado. O conflito entre o certo e o errado é a doença da mente”.

Desde que o mal não existe, conclui-se que o problema do homem não é o pecado, mas sim a ignorância. Tudo o que precisamos é de iluminação. O resultado é que eu nunca tenho de me sentir culpado pela maneira como trato você. Mesmo traição, roubo ou injúria pessoal não precisam me encher de arrependimento. Agarrar-se a um padrão objetivo de conduta é algo arcaico e desnecessário, pela simples razão de que tal padrão não existe.

Em qualquer uma das maneiras como o relativismo se apresenta, seja vestido de acordo com as culturas orientais ou por perspectivas reconhecidamente irracionais do Ocidente, o resultado é o mesmo. Sem um padrão objetivo de moralidade, o mais hediondo dos crimes pode ser justificado. Além do mais, ninguém vive coerentemente com o relativismo que defende. Se um relativista tem seu carro roubado, ou sua esposa estuprada, ele imediatamente apela para um padrão objetivo de moralidade!

O relativismo também é contrário à consciência que ainda reside em nós, como seres caídos, embora ela possa ser imperfeita. Sabemos que existem certas coisas que sempre são erradas, não importa as circunstâncias ou a cultura. Nosso problema é que não podemos, por nós mesmos, defender nossas crenças racionalmente. Assim, cada pessoa se torna uma lei para si mesma.

Realmente, Adão e Eva chegaram a conhecer “o bem e o mal”. Só que esse“conhecimento” foi uma maldição e não uma bênção. O homem teria de gastar muita energia para aplacar sua consciência e lidar com a culpa por ter quebrado o padrão que ele intuitivamente sabia que estava certo. Na maioria das vezes, ele tentaria eliminar os limites e fazer o que lhe agradasse.

Fonte: Josemar Bessa

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