O único Redentor – Por Douglas Kelly


O coração do capítulo 2 de Hebreus é transmitido a nós por uma simples e também profunda canção evangélica: “Nenhum anjo poderia ter ocupado seu lugar; Mas ele de todos o mais elevado; O Amado na cruz abandonado; era um da divina trindade!”. Que poderosas, lindas e majestosas são os santos anjos! Quão invisível e ternamente eles nos ajudam, crentes necessitados, a viver em um mundo perigoso (cf. Hebreus 1:14). C. S. Lewis provavelmente estava certo quando ele sugeriu que se nós pudéssemos ver um anjo em sua completa glória (ou mesmo o corpo glorificado de um santo em seu esplendor final), nós seriamos sentados a nos prostrarmos e adorá-los! Alguns dos santos do Antigo e Novo Testamento instintivamente fizeram isso (Jz 13:20; Ap 19:10). Mas nenhum deles, nem mesmo os poderosos arcanjos Miguel e Gabriel puderam fazer o que somente o Filho de Deus pôde fazer para salvar perdidos pecadores e restaurar um universo inteiro. 

Esses esplêndidos seres angelicais são incríveis e mesmo assim não são a coroa da ordem criada: a humanidade é! E assim, os anjos não caídos que estão acima de nós em santidade e poder, estão encantados por serem servos de nós humanos, quem Deus colocou sobre as obras de suas mãos (como Hebreus 1:7 diz, baseado no Salmo 8). Alguns dos anjos caíram e estão distantes da redenção (tendo tornado-se demônios); outros estavam confirmados em santidade e são espíritos resplandecentes, ministrando ao Senhor e seus santos com prazer. É sobre eles que Hebreus 1 e 2 fala.

Enquanto os anjos eram irrevogavelmente confirmados ou em pecado ou santidade, uma vez que Satanás caiu, a raça humana (a coroa da criação de Deus), pelo contrário, estava ainda, na maravilhosa providência de Deus, em uma posição de ser salva. Isso porque a primeira promessa das boas novas de salvação foi dada logo após à queda da mãe Eva em Genesis 3:15. Essa promessa indica que não será um santo anjo, mas a semente dessa mesma mulher quem fará tudo o que é necessário para redimir todos os pecadores descendentes de Adão que foram eleitos.

Hebreus 2:9-18 mostra quão incrivelmente isso funciona. Não um arcanjo, mas o co-herdeiro do Soberano Trono, a segunda pessoa da bendita trindade, o Filho Eterno do Pai desce ainda menor do que os anjos com a proposta de “tomar parte” (ou “assumir”) a completa humanidade de modo a resgatá-la do pecado e da morte para a santidade e vida eterna (Hb 2:14). “A semente da mulher” deve vir de outro mundo. Somente alguém tão grande quanto o Criador seria capaz de restaurar a criação (Hb 1:10)! Anjos (uma vez que são criaturas) não poderiam fazê-lo. Em outras palavras, seria necessário o próprio Deus para fazê-lo (Hb 1:8).

Santo Anselmo, Arcebispo de Canterbury no Século XI, esclareceu de forma brilhante as verdades salvadoras do capítulo 2 de Hebreus em sua clássica obra sobre a Expiação de Cristo: Cur deus homo (porque Deus tornou-se Homem?). Ele aponta que nossa morte é causada como um resultado de nosso pecado contra um santo Deus. A seriedade do pecado é determinada, ele diz, pela grandeza da pessoa contra quem se comete pecado. Uma vez que Deus é infinito, então o pecado contra Ele é também infinito.

Embora nossa superficial e frequentemente tola cultura secular não saiba disso (e se ressente de ser lembrada que saiba), esse é o único problema eternamente de peso para a raça humana: pecar contra um Deus infinitamente santo e bom. Isso significa que nós, limitados humanos, somos culpados em nossos próprios pecados! Pessoas limitadas (que, além dessa limitação, somos pecadores) não estão em posição de conseguir livrar-se de infinita culpa! Por isso o inferno é interminável, pois o sofrimento finito jamais poderia punir infinita culpa adequadamente.

Como um descendente de Adão e Eva, eu preciso de ajuda e você também! Qualquer pessoa que realmente te ama diria a você para ir direto a única coisa que finalmente importa para seu eterno destino e para a glória dAquele que te fez!

Mas veja quão maravilhosas são a sabedoria e o amor de nosso Deus trino, diz Anselmo! Uma vez que infinita culpa somente poderia ser tirada por uma infinita pessoa (por isso seus sofrimentos são dignos e vastos o bastante para mais do que expiar infinita culpa), o Pai misericórdia sem fim, envia Seu eterno Filho (que é uma eterna pessoa) para nosso resgate. Contudo, Aquele que retira a culpa não deve ser apenas uma Pessoa infinita, ele deve fazer a restituição na mesma natureza onde o pecado foi cometido de modo a redimir essa mesma natureza. E assim o Deus Filho torna-se homem para morrer como homem – o infinito pelo finito, o inocente pelo culpado, o único por muitos (cf. Hb 2:14 e 2 Co 5:21). E nessa obra, a morte de Cristo tornou-se a “morte da morte” (citando o grande teólogo puritano John Owen). Assim, tudo que é deixado para os crentes no Senhor é Sua própria ressurreição no lugar de sua morte. Que feliz liberdade eles agora tem do medo da morte, que durante toda sua vida os manteve em escravidã (Hb 2:15). Homens e anjos devem louvar a Deus eternamente por isso (Ap 5:12-14).


Fonte: Ligonier Ministries and R.C. Sproul. © Tabletalk magazine.  Email: tabletalk@ligonier.org. 

Tradução: Tiago Lino. Original AQUI

* Reprodução livre desde que não haja alteração na estrutura e na originalidade do texto, com citação de fonte e do tradutor, se houver.

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