Quando a Igreja se torna como o mundo (5/6)


Liturgia x Entretenimento

O propósito hoje é fazer um culto agradável, animado, “vivo”. Ouço pessoas dizerem: “Vamos cantar tal música porque é uma maneira gostosa de louvar a Deus. Este é meu estilo”. Mas se há preferência por estilo, o que na verdade existe é uma ênfase no que agrada ao homem e não naquilo que agrada a Deus na adoração. O que agrada a Deus é essencial e só encontramos como está explicitado nas Escrituras. O culto pertence a Deus, pertence exclusivamente a Ele; não é nosso. Culto é o encontro de Deus com Seu povo, onde Ele estabelece o que Lhe agrada para sua adoração. Ele tem já estabelecido na sua Palavra como deve ser o culto agradável aos seus olhos. As pessoas ficam muitas vezes tentando fazer uma liturgia para os incrédulos se sentirem bem e saírem satisfeitos. Mas os incrédulos têm de ser quebrantados e evangelizados para que se arrependam e não para serem agradados no culto; nunca foi este o propósito de Deus. Não vemos na Bíblia esta orientação de que se deve evangelizar com os cânticos, como se Deus tivesse dito: “Ide por todo mundo e cantai.” Não, este não é o ensino da Palavra de Deus. A fé vem pelo ouvir e ouvir o louvor? Não! A fé vem pela pregação. Louvor é para Deus e devemos usá-lo para adorar ao Senhor. É verdade que Deus pode usar o louvor a fim de, em algumas ocasiões, predispor o coração de alguém para ouvir a exposição da Palavra. Não existe na Bíblia nenhuma orientação para se usar louvor para evangelizar. Precisamos corrigir isto.

Muitas vezes somos tentados a fazer certas coisas pensando que Deus vai gostar porque fazemos com toda sinceridade, devoção e boa intenção, mas não é correto, não serve. A boa intenção que agrada a Deus é ir à Bíblia e perguntar: o que devo fazer para agradar ao Senhor e ganharmos os incrédulos para Cristo? Culto é algo tão sério para Deus que qualquer coisa que não seja o que Ele ordenou é fogo estranho e sabemos que a resposta de Deus foi muito séria contra Nadabe e Abiú; Deus os matou. A conversão vem sempre pela Palavra de Deus, pois a Bíblia diz que nós fomos regenerados mediante semente incorruptível da genuína Palavra de Deus. As pessoas esquecem que na adoração a Palavra de Deus é central. A pregação e o ensino foram o centro do ministério de Cristo e dos apóstolos. Muitos pensam que pregar é só falar aos outros, porque ninguém prega para Deus. Nada mais equivocado, pois na pregação não só falamos às pessoas, mas falamos das grandezas de Deus e nisso Ele é glorificado. Pregação, além de ser adoração e um meio de graça, é o método de Deus para converter pessoas. O jovem e famoso pastor escocês, Robert McCheyne, dizia que os ministros deviam estar sempre lembrados de que as almas são livres do inferno e salvas para Deus através da pregação. Esta é a maior obra do ministro do Evangelho – pregação.

Doutrina

O que temos hoje na igreja é o pluralismo teológico e a tolerância doutrinária. Dizem que ao combatermos isso nós nos tornamos radicais e extremistas. Mas, pluralismo é do diabo, foi maquinado no mais profundo inferno. O pluralismo religioso diz assim: “Você quer ser dono da verdade, é? Ninguém é dono da verdade! Há várias formas de se ver a verdade; você tem o seu jeito de interpretar, mas outros podem pensar diferentemente”. Pluralismo é o irmão gêmeo do relativismo. Não há uma posição definida. Hoje há uma ojeriza à verdade absoluta; não existe verdade absoluta, isto não é politicamente correto – dizem. Vivemos uma época em que não damos o menor valor às confissões de fé reformadas – no meio presbiteriano hoje, muitos nem conhecem os padrões de fé de Westminster e as crianças nunca memorizaram nada dos catecismos. Muitos dizem que aceitar as Confissões é radicalizar, pois é dogmatizar a verdade. O pensamento liberal afirma que cada um tem sua interpretação. Isto é antropocentrismo, é filosofia humana introduzida na Igreja. Se você tiver posições definidas será acusado de radical, prejudicará a mensagem e no fim sobrarão poucas pessoas. Acham que se sua mensagem for forte, direta e bíblica, as pessoas ficarão ofendidas, pois devemos respeitar as ideias dos outros. Irmãos, cuidado com pregações que não trazem a verdade absoluta e não nos confrontam com a verdade, na suposição de que, se assim for, as pessoas serão feridas na sua sensibilidade. Temos de pensar como Spurgeon, o qual afirmava que a instrução deve ser ministrada de forma definida e dogmática; que os professores dos seminários não deveriam ensinar de modo vago e liberal, apresentando “diferentes pontos de vista” e deixando para o aluno a escolha daquilo que lhe convier; pelo contrário, devem mostrar de modo convincente e inconfundível a mente de Deus e posicionar-se de forma resoluta pelo “antigo Evangelho”, saturar-se com ele e por ele estar dispostos a morrer.

Temos que jogar fora tudo isso que for mundanismo dentro da Igreja: o pluralismo e tolerância doutrinária. É claro que temos de ser tolerantes, mas não com o erro. Temos que voltar à verdade e a Igreja Presbiteriana, que é confessional (temos uma Confissão de Fé de Westminster), deve louvar a Deus por esta bênção. O diabo tem horror à Confissão de Fé e a igreja está à beira da ruína por desprezá-la. A verdade da Palavra de Deus é infalível. Sei que a Confissão não é infalível e os que a redigiram seriam os primeiros a dizer isto, mas não existe nenhuma expressão doutrinária retirada das Escrituras com mais coerência e exatidão da verdade do que este documento. Este legado tem sido desprezado, “jogado para trás” e por isso a Igreja está cada vez mais parecida com o mundo. Nossa luta é por restaurar a verdade absoluta de Deus. Se nós fizermos assim vamos excomungar o lixo e estabelecer a única unidade proposta nas Sagradas Escrituras: em torno da doutrina, em torno do ensino verdadeiro. Devemos ter um só batismo e uma só fé. Até que cheguemos à unidade da fé. Que fé? A doutrina! Devemos ter unidade na doutrina e aí teremos um só pensamento. Isto é teocentrismo!

Liberalismo ético

Temos que analisar I Co. 9:19-23. Alguém pode dizer: “Está vendo, Paulo usa de estratégia, ele é pragmático, ele fez concessões, cedeu nas suas convicções, se fez de fraco para alcançar os fracos”. Isto é desconhecer Paulo. Se Paulo tivesse negado suas convicções ele jamais teria sido apedrejado, não teria sofrido perseguição nenhuma. Paulo não está aqui dizendo que sacrificaria a verdade, a mensagem do Evangelho para ganhar alguém – nunca! Ele diz que pessoalmente se sacrifica, que estaria disposto a sofrer o que fosse necessário, mas não “negociaria” a verdade do Evangelho. Alguns dizem que Paulo falou que não importava que o Evangelho fosse pregado por inveja, porfia, contenda, contanto que o Evangelho seja pregado. Então, concluem que não importa o que é dito ou como é feito. Seria isso? Mas Paulo está dizendo que as pessoas podem ter até desejos e objetivos errados no seu coração, mas se estão pregando a verdade como ela deve ser pregada, até isso Deus usará. Porém, Paulo nunca aceitou negociar o Evangelho. Vejamos em I Co 2.1-5: “…não o fiz (anunciar o Evangelho) com ostentação de linguagem, ou de sabedoria….A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder, para que a fé não se apoiasse em sabedoria humana; e, sim, no poder de Deus.” Paulo disse ainda em I Ts 2.3-6: “Pois a nossa exortação não procede de engano, nem de impureza, nem se baseia em dolo…assim falamos, não para que agrademos a homens, e, sim, a Deus…nunca usamos linguagem de bajulação…jamais andamos buscando a glória de homens…” Gl 1.10: “Porventura procuro eu agora o favor dos homens, ou de Deus? Ou procuro agradar a homens? Se agradasse ainda a homens, não seria servo de Cristo”. Como podemos, diante destes textos, pensar que Paulo fizesse concessões em favor dos homens? Paulo nunca negociou a verdade do Evangelho e nunca abriu mão da sua santidade e da sua ética. Ele falou que, por causa da consciência e da liberdade cristã, você não deveria comer aquilo que pudesse escandalizar um irmão mais fraco.

Não podemos abrir mão da verdade. O que vemos na igreja de hoje é o liberalismo ético. Muitos dizem que não há importância se você burla o fisco, vende produtos sem nota e dá propina, ou se está vivendo maritalmente com alguém, mas está cheio de boa intenção, está desejando o crescimento da Igreja, dá um bom dízimo… Isto é antropocentrismo; é igreja mundanizada.

Continua…

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