Quando a Igreja se torna como o mundo (3/6)


Antropocentrismo e Teocentrismo.

O primeiro quer dizer que o homem está no centro. O segundo, Deus é que está no centro. O primeiro busca o favor dos homens e seus interesses, o segundo visa a glória de Deus. O antropocentrismo vai identificar princípios e estratégias que são do mundo (humanismo) e o teocentrismo é o princípio que Jesus vê para sua Igreja: a glória de Deus. Ele veio para glorificar o Pai e o nosso propósito como Igreja é esse também. Com estas duas “lentes” poderemos identificar o que é do mundo é o que é de Deus. Com estas lentes vamos olhar para a Igreja de hoje e ver quais as propostas que estão sendo feitas e identificar o que é e o que não é de Deus; vamos ver o que visa o interesse dos homens e o que visa a glória de Deus.

Antes, quero dizer uma coisa importante. Não podemos fazer confusão de nossa relação com o mundo. Nem separatismo, nem mundanismo. Não podemos cair naquele “buraco” do maniqueísmo, uma forma de gnosticismo que enfatizava a existência do “deus do bem” e o “deus do mal”. Mas temos de nos lembrar de que quem governa este mundo é o Deus Todo-poderoso, criador e o sustentador de tudo. Ele é o Soberano do Universo e até o diabo e suas hostes estão sob Seu comando. Podemos muito bem trabalhar no mundo secular fazendo a vontade de Deus e para Sua glória, sem sair do mundo, visto que tudo é dEle e para Ele. Temos de ser cristãos no mundo. Lutero e os reformadores entenderam isso e buscaram viver uma vida piedosa no mundo em vez de separar-se dele. Por isso, em virtude de Soli Deo Gloria, surgiram tantas figuras e entidades famosas nas artes (Albrecht Dürer, Rembrandt, Vermeer de Hootsch); na música (Johann Sebastian Bach e G.F. Händel); na ciência (Newton, Kepler, os puritanos que fundaram a famosa Sociedade Real de Ciências na Inglaterra, Blaise Pascal); na política (Cromwell, Abraão Kuyper); na educação (John Comenius, a academia de Genebra, Universidades de Harvard, Yale, Princeton, Leiden); na literatura (Milton, Calvino, Herbert, Donne). David Livingstone, o grande missionário inglês na África, lutou com todas as forças para acabar com o mercado de escravos e o cristão e membro do Parlamento britânico, William Wilberforce, finalmente levou ao fim este comércio condenável. Cristãos verdadeiros nunca pensam em se retirar do mundo (visto que o mundo é do Senhor), mas cumprir seus deveres com vistas à glória de Deus e ao serviço da família e do próximo.

Mas temos de ver o que é de Deus e o que é do mundo no sentido carnal.

Na Evangelização

Quando falamos dos puritanos, falamos inevitavelmente de calvinismo. Os presbiterianos deveriam saber bem o que é calvinismo, pois a Igreja Presbiteriana é calvinista. O que é calvinismo? O que é arminianismo? Na verdade estas duas expressões também têm os seus comprometimentos: ou com a glória de Deus ou com o favor dos homens. Calvinismo nada mais é do que a expressão do Evangelho da graça do nosso Senhor Jesus Cristo. O grande pregador Spurgeon dizia que calvinismo é um apelido, mas na verdade é uma exposição da Bíblia, uma visão mais apropriada e fiel do que é o Evangelho da graça. Este é um apelido em virtude de João Calvino ter sido usado para sistematizar de modo claro, e, para nosso entendimento, o que a Bíblia ensina sobre a essência e natureza do Evangelho da graça. Na questão da salvação (Sotereologia) temos os cinco pontos do calvinismo, que na verdade é uma resposta aos cinco pontos do arminianismo. Isto foi estabelecido melhor no Sínodo de Dort quando foi examinado o documento arminiano (Remonstrancia). “Arminiano” vem de Armínio (Jacobus) e seus seguidores que haviam proposto a natureza do Evangelho do ponto de vista humano. Este Sínodo (de Dort), baseado nos pensamentos de Calvino, estabeleceu uma resposta ao documento arminiano de forma precisa, mostrando o que era a essência do Evangelho segundo Jesus Cristo e como é apresentado nas Escrituras. Os cinco pontos são: Depravação Total, Eleição Incondicional, Expiação Limitada (ou definida), Chamada Eficaz e Perseverança dos Santos.

O primeiro ponto é Depravação Total – o calvinismo diz que o homem está morto em seus delitos e pecados e não pode se levantar por si mesmo, nem sequer compreender o Evangelho e muito menos se decidir por Cristo; o livre-arbítrio foi totalmente escravizado ao pecado após a queda; o homem só virá a Cristo se a graça atingir seu coração. Mas os arminianos dizem: Não! O homem é pecador, é verdade, mas nele sobrou o livre-arbítrio que o capacitará a tomar sua decisão, fazer sua parte, tornar eficaz a obra de Cristo.

O segundo ponto é Eleição Incondicional. A Bíblia é clara nisso, quando afirma que Deus escolheu os Seus de forma incondicional, pela Sua graça soberana. Ele não é injusto fazendo assim, visto que os homens caíram perecendo em condenação; mas Ele, por Sua graça, ainda quis salvar os Seus escolhidos.

O terceiro ponto é Expiação Limitada (ou definida). Ele diz que Cristo morreu só pelos eleitos. Nunca se prega sobre isto e assim o povo evangélico desconhece esta verdade bíblica. Alguns nunca ouviram isto: que a morte de Cristo foi em favor dos eleitos de Deus. A Bíblia afirma assim e eu mesmo quase caí “duro para trás”, quando, depois de muitos anos como pregador e evangelista em várias cruzadas, tomei conhecimento desta verdade, de que Cristo morreu por aqueles que o Pai elegeu e entregou-os para serem salvos – os eleitos. Na verdade, todos os versículos que aparentemente defendem uma expiação universal têm uma explicação que fazem com que estes não se choquem com o ensino bíblico de que Jesus morreu só pelos eleitos. Mas não se vê explicação por parte dos arminianos para os textos que claramente dizem que Deus deu ao Filho aqueles que Ele elegeu “desde o princípio” para serem salvos. Quando a Bíblia diz “que Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho” é porque Ele não amou só a judeus, mas porque tem eleitos em todas as nações e raças do mundo. Não podemos aceitar que Deus tenha substituído cada pessoa na cruz, mas só os eleitos, doutra sorte, todos estariam salvos. Por isso, teologicamente, não é certo dizer às pessoas indistintamente que Jesus morreu por elas. O correto é dizer que Jesus morreu por pecadores e os salva completamente. É isso que a Bíblia ensina. Você não encontrará nenhum apóstolo dizendo: “Jesus te ama”, mas que os homens se arrependam e creiam no Evangelho. Nós pregamos a todos indistintamente, pois a oferta do Evangelho é para todos, mas é certo que só aqueles que são do Senhor virão. Existem tantos versículos que falam sobre isso e eu antes não conseguia ver.

O quarto ponto é a Graça Irresistível que é a obra do Espírito Santo atingindo os corações e atraindo-os de forma irresistível. Esta graça vai diretamente para os eleitos de Deus e neles opera, infunde arrependimento, fé, dando capacidade ao homem para responder ao Evangelho. Esta é a Graça Irresistível.

O quinto ponto é a Perseverança dos Santos que afirma que um eleito não pode jamais se perder e vai viver de modo santo. O eleito vai viver em santidade, pois este é o propósito da eleição: “Sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor” (Ef.1:4). Santidade é sinal de eleição. Este é o Evangelho da graça que visa a glória de Deus porque mostra que Deus salva soberanamente a quem Ele quer; a glória é dEle.

CONTINUA…

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