Comentários em 1 Pedro 1:1-9 – Introdução


Por Tiago Lino

Graça e paz, irmãos.

Há tesouros espirituais indispensáveis a uma vida saudável com Cristo na carta de Pedro, sendo desnecessário dizer toda a Bíblia. Nesses próximos artigos, quero, com humildade tendo em vista minha evidente limitação, compartilhar com você meus estudos sobre a porção de 1 Pe 1:1-9, onde farei um comentário breve sobre cada versículo, suas verdades e as implicações delas em nossas vidas.

É meu sincero desejo que você seja edificado e consolado com tais declarações ali contidas, tão atuais e úteis à nossa vida com Cristo, descrito por Pedro como aquele que não nos abandona e quem nos conduz em meio às tribulações.

Versículo 1:

“Pedro, apóstolo de Jesus Cristo, aos peregrinos da Dispersão no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia”

O texto mencionado nos apresenta informações importantes quanto aos destinatários e a situação que enfrentavam naquele momento.

Sabemos que estes irmãos eram peregrinos em terras estranhas devido às perseguições enfrentadas por sua fé em Cristo. Eles foram expulsos de suas casas, de seu laço familiar; perderam bens e até empregos, mas mantiveram-se fiéis a Deus mesmo sob dura perseguição. Ainda assim foram alvos desta consoladora carta.

Destaca-se neste primeiro versículo o cuidado de Deus para com seus “eleitos” (v.2). O amor de Deus levou Pedro a enviar-lhes palavras de consolo diante do difícil momento em que viviam, de maneira que a fé em Cristo não fosse abalada, bem como a caminhada não fosse interrompida. Deus conhece seus filhos, cuida deles e trabalha no tempo e nas circunstâncias da vida para fazer valer a verdade de que “todas as coisas concorrem para o bem daqueles que o amam” (Rm 8:28).

O mesmo se aplica a nós, seus filhos e vivificados por Jesus. Não há porque temer ou supor que estamos sozinhos seja qual for o momento vivido. Mesmo sendo o pior, obtemos refrigério e recebemos o precioso cuidado do nosso bendito pastor. Nós somos conhecidos de Deus.

Versículo 2

“Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, na santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas”

Logo de início somos informados da identidade dos destinatários desta carta: os eleitos. Percebam que é um grupo de pessoas especifico em um mundo cruel e avesso aos crentes em Jesus. O Novo Testamento vê o salvo como um eleito, p.e, em Marcos 13:20,22,27 e Lucas 18:7.

Parece muito familiar, aqui, para Pedro a eleição soberana de Deus, uma vez que ao citar essa palavra ele dá a entender que tais irmãos foram salvos não por sua vontade, mas por Deus. Esses eleitos não foram aceitos na comunidade cristã como alguém que foi conhecido a poucas horas atrás. Isto é, Deus de antemão os elegeu e eficazmente os salvou em Cristo, chamando-os, justificando-os e os regenerando. Isso salta aos nossos olhos, os que estamos em Cristo, a doce verdade de que somos amados desde a fundação do mundo. Do inicio ao fim, a nossa salvação foi fruto do amor de Deus por nós que, mesmo sendo pecadores e ignorantes, nos deu seu Filho.

E essa salvação não pode ser entendida como algo distinto da atuação do Espírito Santo na vida do eleito. Ele é o agente da dela. Por ele somos convencidos do pecado, somos regenerados e selados para o dia da redenção. Além disso, é sob, e somente sob sua influência que vencemos o pecado e crescemos em santificação. É um grande erro imaginarmos que por nós mesmos podemos vencer o pecado e a carne. Precisamos ser cheios do Espírito de Deus para que a santificação seja uma realidade para nós.

“Sem santidade ninguém verá a Deus” (Hb 11). Estejamos atentos a isto e tenhamos em mente que a evidência de que somos eleitos é que a santificação é um processo contínuo e crescente em nós. Como disse o pregador batista Charles Spurgeon: não se considere um eleito a menos que sejas santo. Isso inclui obediência pela observação dos mandamentos de Deus, redundando em glorificação a Ele.

A maior característica do falso piedoso é que ele, na prática, ama o pecado, embora suas palavras digam o contrário. Isso posto, podemos certamente crer que tal pessoal não experimentou a genuína conversão.

Por fim, a bela saudação: “Graça e paz”. A ordem das palavras já se constitui em aprendizado para nós. A maior bênção do Evangelho é que obtivemos paz com Deus e que já não somos mais objetos de sua ira por nossa natureza pecaminosa. Recebemos os méritos de Jesus através de sua morte e ressurreição. Fomos justificados e não temos mais contra nós a justa condenação que nossos pecados merecem.

Estamos em paz, fomos feitos filhos de Deus, somos amigos e estamos pertos. É impossível imaginar isso sem a atuação da Graça em nós. A paz não pode vir sem que a Graça tenha feito sua obra. Ela é o meio pelo qual somos salvos e passamos a desfrutar tudo o que nos está reservado em Jesus, o que Paulo chamou de bênçãos espirituais em efésios 1.

Por fim, sabemos que estas bênçãos nos podem ser multiplicadas sem que estejamos estagnados quanto à compreensão e o desfrute do amor de Deus e o regojizo advindo da beleza de Seu caráter e santidade. É de se estranhar, caro leitor, que você não esteja experimentando progresso em sua caminhada com Cristo.

Examine-se e avalie se teu interesse pelas verdades de Deus, por obedecê-lo, por amá-lo, conhecê-lo e glorificá-lo tem aumentado. Se não, é sinal de que precisas de correção, pois Deus não nos chamou para uma limitada e pobre comunhão, mas para “que Cristo habite pela fé nos vossos corações, a fim de que, estando arraigados e fundados em amor, possais compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais cheios até a inteira plenitude de Deus” (Efésios 3:17-19).

LEIA a Série completa AQUI

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