Ética Revelada – Por R. C. Sproul


No âmago da ética cristã, há a convicção de que a base inabalável para conhecermos o verdadeiro, o bom e o correto é a revelação divina. O cristianismo não é um sistema de vida que opera na base de razão especulativa ou de conveniência pragmática. Afirmamos ousadamente que Deus nos revelou quem ele é e como espera que nos relacionemos com ele. Deus nos revelou o que lhe agrada e o que ele nos ordena. A revelação provê uma ajuda sobrenatural no entendermos o bem. Isto é tão elementar e tão óbvio que tem sido frequentemente ignorado e obscurecido, quando buscamos respostas para questões específicas.

O abandono da revelação divina tem levado nossa cultura ao caos na área de ética. Perdemos a base de conhecimento, o fundamento epistemológico, para descobrirmos o bem. Não estou sugerindo que Deus nos deu um livro de normas que é tão detalhado em seus preceitos, que todas as decisões éticas são fáceis. Isso seria uma simplificação excessiva da verdade. Deus não nos deu instruções específicas para cada e toda questão ética com que nos deparamos, mas também não somos deixados a tatear na escuridão e a tomar nossas decisões com base em mera opinião. Isto é um conforto importante para o cristão porque nos assegura que, em lidar com questões éticas, nunca estamos operando num vácuo. As decisões éticas que fazemos afetam a vida das pessoas, moldam e influenciam a personalidade e o caráter humano. É precisamente neste ponto que precisamos da ajuda da extraordinária sabedoria de Deus.

Ser guiado pela revelação de Deus tanto é confortante como arriscado. É confortante porque podemos descansar na segurança de que nossas decisões éticas procedem da mente daquele cuja sabedoria é transcendente. A lei de Deus não somente reflete seu caráter justo, mas também manifesta sua sabedoria infinita. Seu conhecimento de nossa humanidade e sua compreensão de nossa necessidade por plenitude de crescimento e desenvolvimento excede muito a sabedoria coletiva dos maiores filósofos do mundo. Os psiquiatras nunca entenderão a alma humana no mesmo grau em que o Criador entende aquilo que criou. Deus conhece nossa estrutura; foi ele quem nos criou tão admirável e maravilhosamente. Todas as nuanças e complexidades que envolvem nossos sensos e se unem para produzir uma personalidade humana são conhecidas, em seus detalhes íntimos, pela mente de Deus.

Obter conforto na revelação divina é um negócio arriscado. É arriscado exatamente porque a presença de hostilidade ao governo de Deus no coração humano gera conflito entre os preceitos divinos e os desejos humanos. Adotar uma posição ética com base na revelação divina é colocar-se em conflito sério e, às vezes, radical com as opiniões dos homens. Cada dia, ministros do cristianismo dão, ao redor do mundo, conselhos e sugestões que são contrários aos mandamentos claros de Deus. Como podemos explicar esse divórcio entre a Palavra de Deus e o conselho ministerial?

Um fator crítico neste dilema é que tais ministros são fortemente pressionados a conformarem-se com padrões contemporâneos aceitáveis. A pessoa que os procura em busca de conselhos nem sempre está procurando a orientação do Deus transcendente, e sim permissão para fazer o que quer – uma licença para pecar. O conselheiro cristão é vulnerável a formas sofisticadas de manipulação procedentes da própria pessoa que busca seu conselho. O ministro cristão é colocado sob aquela forte pressão para concordar com os desejos da pessoa ou ser considerado insensível e desmancha-prazeres. Acrescente-se a isto a ênfase cultural de que há algo desumano na disciplina e nas restrições morais que Deus nos impõe. Portanto, tomar posição ao lado de Deus é muitas vezes posicionar-se contra os homens e enfrentar as árduas provações que acompanham as convicções cristãs.

Ética envolve a questão de autoridade. O cristão vive em submissão à soberania de Deus, o único que pode reivindicar senhorio sobre nós. A ética cristã é teocêntrica e oposta à ética secular e filosófica, que tende a ser antropocêntrica. Para os humanistas, o homem é a norma, o padrão final de comportamento. Os cristãos, porém, afirmam que Deus é o centro de todas as coisas e que seu caráter é o padrão absoluto pelo qual as questões de certo e errado são determinadas.

Trecho do livro: “Como Devo Viver Neste Mundo?”, de R. C. Sproul. Lançamento de outubro de 2012 da Editora Fiel

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