Justiça e Espiritualidade – R. C. Sproul


O Israel do Antigo Testamento e entre os fariseus do Novo Testamento, a justiça autêntica foi substituída pela justiça litúrgica. Isto significa: os homens ficavam satisfeitos em obedecer aos rituais da comunidade religiosa, em vez de cumprirem as implicações mais amplas da lei. Por exemplo, Jesus repreendeu os fariseus por darem o dízimo da hortelã e do cominho, enquanto negligenciavam as coisas mais importantes da lei: justiça e misericórdia. Jesus indicou que os fariseus estavam corretos em dar seus dízimos, mas estavam incorretos em supor que exercícios litúrgicos complementavam as exigências da lei. Neste caso, a justiça litúrgica se tornara um substituto para a obediência verdadeira e plena.

No mundo evangélico, justiça é uma palavra rara. Falamos de moralidade, espiritualidade e piedade. Todavia, raramente falamos de justiça. Mas o alvo de nossa redenção não é piedade ou espiritualidade, e sim justiça. Espiritualidade no sentido do Novo Testamento é um meio que conduz à justiça. Ser espiritual significa que estamos exercitando as graças espirituais dadas por Deus, que nos moldam à imagem dele. As disciplinas de oração, estudo da Bíblia, comunhão na igreja, testemunho e outros semelhantes não são fins em si mesmos, mas são designadas para nos ajudarem a viver com justiça. Atrofiamos nosso crescimento se admitimos que o objetivo principal da vida cristã é espiritualidade.

Interesses espirituais são apenas o começo de nosso andar com Deus. Devemos acautelar-nos do perigo sutil de pensar que espiritualidade complementa as exigências de Cristo. Cair nessa armadilha – a armadilha dos fariseus – é substituir a justiça autêntica por práticas litúrgicas e ritualistas. Por todos os meios, devemos orar, estudar a Bíblia e dar testemunho na evangelização. Todavia, nunca devemos, em qualquer ponto de nossa vida, parar nossa busca por justiça.

Na justificação, nos tornamos justos aos olhos de Deus por meio da veste da justiça de Cristo. Entretanto, logo que somos justificados, nossa vida tem de dar evidência da justiça pessoal que flui de nossa justificação. É interessante para mim que todo o conceito bíblico de justiça está contido em uma única palavra grega, dikaios. Essa mesma palavra grega é usada para se referir, em primeira instância, à justiça de Deus; em segunda instância, ao que chamamos de justificação; e, em terceira instância, à justiça da vida. Assim, do começo ao fim – da natureza de Deus ao destino do homem – nosso dever humano permanece o mesmo: uma chamada à justiça.

Assista: Bem-aventurados os que tem fome e sede de Justiça

A verdadeira justiça nunca deve ser confundida com autojustiça. Visto que nossa justiça procede de nossa justificação, que está baseada na justiça de Cristo, jamais devemos nos iludir pensando que nossas obras de justiça têm algum mérito, em si mesmas. Mas, como protestantes, mantendo zelosamente nossa doutrina de justificação somente pela fé, devemos sempre atentar ao fato de que a justificação, que é somente pela fé, nunca é por uma fé que está sozinha. A verdadeira fé se manifesta em justiça que excede a dos escribas e fariseus, pois ela se preocupa com as coisas mais importantes da lei: justiça e misericórdia. Somos chamados a dar testemunho da justiça de Deus em todas as áreas da vida – de nossos quartos de oração aos palácios, de nossos púlpitos aos supermercados. A principal prioridade de Jesus é que busquemos primeiramente o reino de Deus e sua justiça. Todas as outras coisas serão acrescentadas a isso.

Trecho do livro: Posso Conhecer a Vontade de Deus? (Editora Fiel).

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