A realidade do crescimento na Graça – John Charles Ryle


O primeiro ponto que me proponho a estabelecer é o seguinte: o crescimento na graça realmente existe.

Que algum crente chegue a negar essa proposição à primeira vista é algo estranho e lamentável. Porém, é sábio lembrar que o entendimento do homem não está menos decaído do que a sua vontade. Os desacordos sobre questões doutrinárias com frequência nada mais são do que desacordos sobre o sentido das palavras. Espero que seja assim no presente caso. Tento acreditar que, quando falo sobre “crescimento na graça” e insisto sobre esse ponto, eu queira dizer uma coisa, ao passo que os irmãos que o negam estejam entendendo algo inteiramente diferente. Portanto, quero esclarecer o que entendo com essa expressão.

Quando falo em “crescimento na graça”, nem por um momento tenho a intenção de dizer que os benefícios que um crente tem em Cristo possam crescer. Também não pretendo dizer que ele possa crescer na segurança ou na aceitação diante de Deus. Também não quero dizer que o crente possa vir a ser mais justificado, mais perdoado ou estar em maior paz com Deus do que estava desde o primeiro instante em que creu. Digo firmemente que a justificação de um crente é uma obra terminada, perfeita e completa e que o mais frágil dos santos, embora talvez não o saiba, nem o sinta, está tão completamente justificado como o crente de fé mais fortalecida. Afirmo decisivamente que nossa eleição e nossa posição em Cristo não admitem graus, nem aumento, nem diminuição. Se alguém sonhar que com a expressão “crescimento na graça”, eu entendo crescimento na justificação, então ele errou completamente o alvo, estando totalmente equivocado acerca de todo o ponto que estamos considerando. Eu me entregaria à fogueira, com a ajuda de Deus, em defesa da gloriosa verdade de que em se tratando da justificação diante de Deus todo o crente está “completo em Cristo” (Cl 2.10). Coisa alguma pode ser acrescentada à sua justificação, a partir do momento em que ele crê e coisa alguma pode ser extraída dela.

Quando falo em “crescer na graça”, tão somente refiro-me ao aumento no grau, nas dimensões, na força, no poder e no vigor das graças que o Espírito Santo implanta no coração de um crente. Afirmo que cada uma dessas graças cristãs admite desenvolvimento, progresso, aumento. Afirmo que o arrependimento, a fé, a esperança, o amor, a humildade, o zelo, a coragem e coisas semelhantes podem ser pequenas ou grandes, fracas ou fortes, débeis ou vigorosas, podendo variar enormemente em uma mesma pessoa, em diferentes períodos de sua vida. Quando falo em um homem que está “crescendo na graça”, dou a entender meramente
que o seu senso de pecado está se aprofundando, a sua fé está se fortalecendo, a sua esperança está cada vez mais esclarecida, o seu amor está aumentando, a sua mentalidade espiritual está se tornando cada vez mais marcante. Tal crente vai sentindo o poder da piedade em seu próprio coração de forma mais poderosa. Ele manifesta mais desse poder em sua vida diária. Ele vai avançando de força em força, de fé em fé, de graça em graça. Deixe que outros descrevam a condição de tal homem, mediante as palavras que preferirem. Quanto a mim, penso que a melhor e mais certa explicação sobre ele é a seguinte: ele está “crescendo na graça”.

Uma das principais bases sobre a qual edifico essa doutrina do “crescimento na graça” é a claríssima linguagem das Escrituras. Se as palavras usadas na Bíblia significam alguma coisa, então realmente existe o “crescimento”. E os crentes deveriam ser por nós exortados a “crescer”. Que diz o apóstolo Paulo quanto a isso? “A vossa fé cresce sobremaneira” (2 Ts 1.3). “Contudo vos exortamos, irmãos, a progredirdes cada vez mais” (1 Ts 4.10). “Crescendo no pleno conhecimento de Deus” (Cl 1.10). “Tendo esperança de que, crescendo a vossa fé, seremos sobremaneira engrandecidos entre vós” (2 Co 10.15). “O Senhor vos faça crescer e aumentar no amor uns para com os outras e para com todos” (1 Ts 3.12). “Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é o cabeça, Cristo” (Ef 4.15). “E também faço esta oração: que o vosso amor aumente mais e mais em pleno conhecimento e toda a percepção” (Fp 1.9). “Vos rogamos e exortamos no Senhor Jesus que, como de nós recebestes, quanto à maneira por que deveis viver e agradar a Deus, e efetivamente estais fazendo, continueis progredindo cada vez mais” (1 Ts 4.1). E o que diz o apóstolo Pedra a esse respeito? “Desejai ardentemente, como crianças recém-nascidas, o genuíno leite espiritual, para que, por ele, vos seja dado crescimento para salvação” (1 Pe 2.2). “Crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2 Pe 3.18).

Não sei o que outros pensam acerca desses textos bíblicos. Para mim, eles parecem estabelecer a doutrina pela qual estou contendendo, sendo mesmo incapazes de receber outra explicação. O crescimento na graça é ensinado na Bíblia.

Texto extraído do livro “Santidade Sem a Qual Ninguém Verá a Deus”

Para mais textos de J. C. Ryle, clique AQUI

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