O objetivo de Deus na criação do mundo – Por Jonathan Edwards


Ainda resta considerarmos que o objetivo de Deus na criação do mundo, o fim último que tinha em vista, era a comunicação de si mesmo, intentada por ele por toda a eternidade [desde a criação e para sempre no futuro]. E, se observarmos com atenção a natureza e as circunstâncias dessa emanação eterna de bem divino, ficará mais claro DE QUE MODO, ao fazer desse o seu fim, Deus demonstra uma reverência suprema por si mesmo e faz de si mesmo o seu fim.

Diversos motivos nos permitem crer que o objetivo de Deus numa comunicação progressiva de si mesmo ao longo da eternidade é o conhecimento crescente de Deus, o amor por ele e a alegria nele. É importante considerar, ainda, que, quanto mais essas comunicações divinas se multiplicam na criatura, mais esta se une a Deus, pois, quanto mais ela é unida a Deus em amor, mais o seu coração é atraído para Deus, mais firme e íntima se torna a união com ele e, ao mesmo tempo, mais conforme a Deus a criatura se torna. A imagem é cada vez mais perfeita, de modo que o bem que se encontra na criatura se aproxima eternamente de uma identidade com o que há em Deus. Assim, na visão de Deus, que tem diante de si um vasto panorama de união e conformidade crescentes ao longo da eternidade, a proximidade, a conformidade e a unidade devem ser infinitamente íntimas e perfeitas, pois se aproximarão de modo crescente e eterno da exatidão e perfeição da união que existe entre o Pai e o Filho. Portanto, aos olhos de Deus, que vê perfeitamente a totalidade do processo no seu progresso e crescimento infinitos, trata-se de uma resposta clara ao pedido de Cristo em João 17.21,23. “Afim de que todos sejam UM; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós;… eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na UNIDADE”.

Conforme esse conceito, as criaturas eleitas – que devem ser tidas como o fim de todo o restante da criação, consideradas com respeito à totalidade da sua duração eterna e, como tal, transformadas no fim pretendido por Deus – também devem ser vistas em união com Deus. Elas foram reverenciadas ao serem levadas para o lar divino, unidas com Deus, centradas nele com perfeição, como se absorvidas nele, de modo que a reverência de Deus por elas finalmente coincidiu e se tornou a mesma coisa que a sua reverência por si mesmo. O interesse da criatura é, por assim dizer, o próprio interesse de Deus, proporcional ao grau do seu relacionamento e união com Deus.
Ao conferir à criatura uma semelhança cada vez maior a Deus, este faz de si mesmo a causa primária e o fim supremo
Assim, o interesse de um homem pela família é considerado a mesma coisa que o próprio interesse, em razão do relacionamento da família com ele, da honradez dele para com seus familiares e da união íntima destes com ele.46 Porém, as criaturas eleitas de Deus, no tocante à sua duração eterna, são infinitamente mais preciosas para Deus do que a família de um homem o é para ele. O que foi dito mostra que todas as coisas vêm de Deus, aquele que é sua causa primária e origem; assim, todas as coisas pendem para ele e, em seu progresso, se aproximam cada vez mais dele por toda a eternidade, comprovando que ele é a causa primária e o fim supremo.
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