Arminianismo e Santidade


A polêmica que tem prosseguido entre os calvinistas e os arminianos é sumamente importante, mas não envolve a questão crucial da santidade pessoal de tal forma que torne a vida eterna dependente de se esposar um ou outro desses sistemas teológicos. Entre os protestantes e os papistas há polêmicas dessa natureza, de modo que aquele que é salvo, por um lado, pela fé em Jesus, não ousa concordar que seu oponente, do lado oposto, possa ser salvo no que depender de suas próprias obras.

Ali, a polêmica é por vida ou morte, porque gira sobre a Doutrina da Justificação pela Fé, a qual Lutero apropriadamente chamou de “a doutrina de verificação”, pela qual uma Igreja permanece ou cai. A polêmica, novamente, entre o crente em Cristo e o Sociniano, é uma que concerne a um ponto vital. Se o Sociniano estiver correto, estamos em abominável erro, e nós de fato somos idólatras – como haveria de habitar em nós a vida eterna? E se estamos corretos, nossa maior caridade não nos permitiria imaginar que um homem pode entrar no Céu sem crer na real divindade do Senhor Jesus Cristo. Há outras polêmicas, portanto, que atingem o centro, e tocam a própria essência da questão.

Eu entendo, porém, que todos estamos livres para admitir que, conquanto John Wesley, por exemplo, em tempos recentes defendeu com zelo o arminianismo, e por outro lado, George Whitefield com igual fervor lutou pelo calvinismo, nenhum de nós deve estar preparado, seja em que lado estivermos, para negar a santidade de um ou de outro. Não podemos fechar nossos olhos para o que cremos ser o crasso erro de nossos oponentes, e devemos nos achar indignos do nome de homens honestos, se pudermos admitir que eles estejam certos em todas as coisas, e nós também o estejamos! Um homem honesto tem um intelecto que não o permite crer que “sim” e “não” podem ambos subsistir ao mesmo tempo e serem ambos verdadeiros. Não posso dizer “é”, e meu irmão, à queima-roupa, dizer “não é”, e ambos estarmos corretos quanto ao assunto! Estamos dispostos a admitir – de fato, não ousamos dizer o contrário – que a opinião neste assunto não determina o estado futuro ou mesmo o presente, de qualquer homem!

Ainda assim, entendemos que ele é tão importante que, ao manter nossa posição, prosseguimos com toda a coragem e fervor de espírito, crendo que estamos fazendo a obra de Deus, e mantendo as mais importantes verdades de Deus. Pode ocorrer nesta tarde que o termo “calvinismo” seja usado com frequência. Não seja ele mal-compreendido: só usamos o termo por brevidade. A doutrina que se chama de “calvinismo” não surgiu com Calvino; cremos que ela surgiu do grande Fundador de toda a verdade. Talvez o próprio Calvino tenha se baseado nos escritos de Agostinho. Agostinho baseou suas opiniões, sem dúvida, pelo Espírito de Deus, do diligente estudo dos escritos de Paulo, e Paulo os recebeu do Espírito Santo, de Jesus Cristo, o grande Fundador da dispensação cristã. Usamos o termo, portanto, não porque atribuamos qualquer importância extraordinária ao fato de Calvino ter ensinado estas doutrinas. Nós nos disporíamos a chamá-las por qualquer outro nome, se encontrássemos um pelo qual elas fossem melhor compreendidas, e o qual condissesse com a realidade. E, de novo, nesta tarde, provavelmente teremos de falar dos arminianos, e com isso, não insinuamos, em momento algum, que todos aqueles que pertencem ao grupo arminiano mantêm essas opiniões em particular.

Há calvinistas ligados a igrejas calvinistas, que não são calvinistas em suas opiniões, carregando o nome, mas descartando o sistema. Há, por outro lado, não poucos nas igrejas metodistas que, na maioria dos assuntos, concordam perfeitamente conosco, e creio que se a questão fosse peneirada a fino, descobriríamos que concordamos mais em nossas opiniões particulares do que em nossas confissões públicas, e nossa religião devocional é mais uniforme do que nossa teologia. Por exemplo, o hinário do Sr. Wesley, o qual pode ser contemplado como uma declaração de sua teologia, tem nele alguns itens de calvinismo mais elevado do que muitos dos livros que nós usamos! Eu já fui grandemente tocado pelas fortes expressões que ele emprega, muitas das quais eu mesmo teria hesitado em usar.

*Extraído da revista online A Espada e a Espátula, publicação online do Projeto Spurgeon. Você pode ler e baixar gratuitamente a revista clicando AQUI.

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Sou filho de Deus.

2 Responses to Arminianismo e Santidade

  1. George Augusto says:

    Se a teologia arminiana fosse verdadeira o diabo se converteria, Efésios 2:8 e todos os demais textos sobre a predestinação para a salvação seria uma mentira e o Apocalipse deveria ser reescrito.

    Os arminianos precisam entender a diferença entre salvação e santificação.

    A verdade que eles precisam ouvir e entender é: “Nem todos os que se santificam são escolhidos, porém todos os que são escolhidos por Deus antes da fundação do mundo se santificam. Os escolhidos não se santificam por que eles querem, mas porque o Espírito Santo os impele a tal ato.

    A fé verdadeira é acompanhada de boas obras como está escrito em Tiago 2:17-18:

    “Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma. Mas dirá alguém: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras.”

    O texto em questão trata de cristãos e não de pessoas que se proclamam “cristãos” e na verdade não o são.

    Se alguém que se diz cristão e não possuir boas obras de fato não é escolhido por Deus. Eu sou um calvinista de 5 (cinco) pontos e creio que um escolhido por Deus nunca se perderá, embora caindo e permanecendo no pecado ele voltará para Cristo, não importando o que ele fez durante a sua vida. Mas nem todos que se esforçam em obras possuem a fé verdadeira.

    Um exemplo muito prático disso é o de um monge ou de uma pessoa que manda donativos aos carentes, ambos possuem excelentes obras mas se não forem escolhidos não importa o que façam, eles jamais terão a graça e a fé que uma vez foi dada aos santos, como descrito em Judas 1:3.

    Existem em muitas de nossas denominações pessoas que se dizem cristãos, inclusive pastores, presbíteros e obreiros que se apostatarão. Assim como Daniel eles oram três vezes ao dia, fazem campanhas de um mês de oração, jejuam e oram pela madrugada, adquirem donativos, são prestativos, conhecem bastante sobre a teologia e são excelentes pregadores. Porém quando o filho do pecado vier a esse mundo, eles o seguirão e implorarão pela marca. Por quê isso? Porque a fé deles era fingida.

    E se cumprirá o que está escrito em 10 João 18:20:

    18 Filhinhos, é já a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também agora muitos se têm feito anticristos, por onde conhecemos que é já a última hora.
    19 Saíram de nós, mas não eram de nós; porque, se fossem de nós, ficariam conosco; mas isto é para que se manifestasse que não são todos de nós.
    20 E vós tendes a unção do Santo, e sabeis tudo.

    Repare que o versículo 20 diferencia os escolhidos daqueles dos dois versículos anteriores.

    Que a vontade de Deus seja feita. Amém!

    • Daniele Castilho says:

      Creio da mesma forma e, além disso, muitos crentinhos estão confundindo “religiosidade” com boas obras. Estes estão todos os dia na igreja, participam de campanhas, de vígilias etc, mas nunca tiveram a experiência de reconhecer Jesus Cristo como Salvador, muito menos como Senhor de suas vidas. Estão na igreja, mas não fazem parte da Igreja, aquela que é a Noiva de Cristo, não vivem o evangelho, apenas querem ter uma vida social ativa e compreendem a igreja como um clube, onde estão para simples encontro no fim de semana e ainda buscam apenas bençãos materiais. Fico muito triste em perceber estes “irmãos” (se é que posso chamá-los assim), mas sei que quando chegar o hora este “joio” será, finalmente, separado do trigo.
      Amém!

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