Qual o resultado da fé em Cristo na vida do pecador? – Por Charles Spurgeon


Preciso, agora, encerrar com o terceiro tema, que não ocupará vocês por muitos minutos; é o seguinte: qual é o resultado deste tipo de fé que estou pregando? Essa doutrina de “confiar somente em Jesus”–leva a quê? Essa confiança em Jesus sem marcas, sinais, evidências, penhores, qual é o resultado e efeito final dela?

A primeira coisa que tenho para dizer a esse respeito é a seguinte: a própria existência de fé deste tipo na alma é evidência da existência da transformação salvífica. “Oh”, diz você, “Não o percebo. Como se comprova que sou novo homem porque me confio a Cristo?”. Considere um pouco: será evidência da transformação salvífica já levada a efeito porque demonstrará sua obediência a Jesus no tocante a uma questão contra a qual sua natureza orgulhosa lutou durante longo tempo. Todo homem, por natureza, recalcitra contra a simples confiança em Cristo; e quando finalmente se rende ao método divino de misericórdia, é a rendição da própria vontade, o fim da rebelião e o estabelecimento da paz. A fé é obediência. A fé é a evidência de que a guerra terminou pela capitulação incondicional. Disseram a Jesus nos tempos antigos: “O que precisamos fazer para realizar as obras que Deus requer?” e ele respondeu: “A obra de Deus–a obra mais semelhante à de Deus que vocês podem fazer–é esta: crer naquele que ele enviou” (Jo 6.28,29). É assim mesmo: em certo sentido a fé não é obra—de modo algum, e em outro, é a mais grandiosa de todas as obras. É nesta questão que há desavença entre Deus e você, é este o ponto principal da contenda: você quer ser salvo por meio de alguma coisa em seu interior, mas Deus diz que ele o salvará se confiar em Cristo. Ora, se você realmente confiar em Cristo exatamente como está, será evidência de ter sido feito obediente a Deus, e tão obediente que evidencia a ocorrência da renovação completa, profunda e radical de sua natureza.

Servirá também de evidência de sua humildade; pois o orgulho leva as pessoas a querer fazer algo, ou a ser algo, no tocante à própria salvação, ou de ser salvo de uma maneira maravilhosa, a fim de poder dizer às outras pessoas quão maravilhosamente foram salvas. Quando você estiver disposto a simplesmente ser salvo como miserável pecador imprestável–como você está- , então já estará salvo do orgulho. Não vou bajulá-lo: você é um miserável e imprestável pecador; e se quiser confiar em Jesus, como o homem realmente pecador precisa fazer, será comprovada sua humildade, o que evidenciará a passagem de seu espírito por uma transformação.

Além disso, a fé em Jesus será a melhor evidência da reconciliação com Deus, pois a pior evidência da inimizade com Deus é você não gostar do caminho da salvação apresentado por ele. Você tem tanto desamor a Deus que não aceitará o céu segundo as condições impostas por ele. Você, pecador, está em tal pé de guerra que preferiria ir ao inferno que ser salvo da maneira proposta por Deus. A questão se resume nisso mesmo. E quando abrir mão dessa atitude, e disser: “Senhor, conquanto que eu possa ser tornado íntegro conquanto eu possa ser levado a amar-te–estou disposto a ser salvo do jeito que for”, haverá evidência da grande mudança em você. Quando exclamar: “Senhor, quero ser salvo do modo estabelecido por ti e, portanto, confiarei em Cristo como tu me ordenaste”, então estará reconciliado na questão da máxima importância. Não há mais desavença entre você e Deus pela mútua concordância sobre a confiança em Cristo.

Deus confiou sua honra nas mãos de Cristo, você confia sua alma às mesmas mãos, de modo que você e Deus concordam em honrar a Jesus. No momento em que confiou em Cristo, esse mesmo fato se torna, por si só, o reconhecimento distinto e a prova indisputável da grande mudança operada no seu relacionamento com Deus, e nos seus sentimentos para com ele.

Pode tomar nota: em breve, mais cedo ou mais tarde, você se tornará deliciosamente consciente do fato de estar salvo. Muitas pessoas são salvas, e por algum tempo questionam a veracidade dessa obra graciosa, mas no devido tempo a bênção lhe ficará clara. Quando o homem confia em Jesus da maneira que esses dez leprosos fizeram, e põe em prática sua confiança, sempre resulta em bem. Veja esses dez homens! Vão ao sacerdote, embora ainda não se sintam curados. Agem segundo a autoridade de Cristo, e ele não os fará de bobos, pois quem nele confia não será envergonhado ou confundido (Rm 10.11). Devem começar sua caminhada antes de sentir a cura; mas enquanto caminham, vão senti-la. E você, também, ao confiar em Cristo sem sentir nada de bom acontecer, não demorará antes de sentir esse poder bendito no coração. Desejo falar da minha experiência, com o simples intuito de ajudar quem vem a Jesus. Embora estivesse vindo a Cristo, eu não o sabia; e quando olhei para Cristo, dificilmente sabia ser o tipo certo de olhar, ou não; mas] quando senti finalmente Jesus me curar, então fiquei sabendo o que tinha feito. Deus tem me dado muitas bênçãos, e quanto a algumas delas, não descobri que as possuía, a não ser algum tempo depois de recebê-las. Li a respeito dos sentimentos de certos bons homens, e cheguei a dizer: “Gostaria de me sentir do mesmo jeito deles”; e algum tempo depois, a relembrar, percebi mover-me realmente na mesma órbita deles, e passando pela mesmíssima experiência.

Muitas pessoas desejam ser humildes, e só por pensarem que não são humildes, são humildes mesmo. Muitas pessoas suspiram: “Gostaria de ter um coração e ternura”, mas estou certo de que seu coração é tenro, por lastimar se de sua dureza. Anseia por ser profundamente sensível diante do Senhor, mas se evidencia a posse da ternura que não reconhece em si mesmo. Seu ideal de ternura é muito elevado, e isso com toda a razão, por isso teme grandemente ficar aquém desse ideal. Ó meu caro amigo, se você confiar em Jesus no escuro, um dia você vai entrar na luz; e se você não sentir o gosto do consolo, você ainda estaria seguro–se no decurso da caminhada inteira entre este lugar e o céu você nunca possuir a consciência de estar salvo, forçosamente é salvo, e assim será, por ele não poder permitir de modo algum que a fé nele fosse exercida em vão. Se você confiar em Jesus, não demorará em conhecer-lhe o amor. Confie nele enquanto afunda, e você viverá. Confie nele enquanto sentir que morre, e viverá. Se você confia nele antes de sentir qualquer obra de graça, logo descobrirá já haver essa obra em você, apenas sem discerni-la. Se você confiar no Senhor já é objeto do poder divino, visto que nada menos que a graça onipotente o poderia ter levado a crer e viver. O estado e o ato da fé são a própria simplicidade; mas, para nos levar a essa simplicidade, o próprio Deus precisa nos criar de novo.

Juntando tudo em uma só declaração: se você estiver disposto a vir a Cristo, e confiar nele sem milagres, sinais ou evidências, mas confiar nele somente, terá dentro de si o poder que o acompanhará a vida inteira, e o conservará na santidade até o fim. Hoje de manhã, falei a respeito de Davi, que se estimulou em Deus. Quando Ziclague foi incendiada, e suas esposas tinham sido levadas embora, e seus homens falavam em apedrejá-lo, Davi se refugiou em Deus somente. Essa foi uma realização importante, porém já tem seu paralelo no raiar da fé dentro do pecador. Para você, miserável pecador, é um excelente começo da vida, iniciá-la ao confiar somente em Cristo, dizendo: “Eu, sem o mínimo bem em mim mesmo, sem nada em que posso agarrar como esperança, lanço-me, quer para afundar, quer para nadar, em Cristo Jesus, o Salvador dos pecadores, e ‘se perecer, pereço’ “. Este é um começo glorioso. Para muitas vidas santas, semelhante fé no Senhor somente, é uma atitude triunfante, mas você, pobre pecador, pode exercer essa mesma fé enquanto ainda é criancinha em Cristo. Você, não raro, precisará confiar dessa maneira ao passar pela vida, e por isso será melhor começar da mesma maneira que terá que continuar.

Você será levado, no serviço, na família e nas várias provações da vida, à condição na qual terá que exercer fé exatamente do mesmo tipo da que você teve no início; eu gostaria, portanto, que você aprendesse a lição enquanto ainda está jovem. Você terá que dizer: “Embora eu seja a própria fraqueza, e a própria pobreza, e não perceba a fonte do meu sustento; mesmo assim, do modo que são alimentados os corvos e os pardais, também eu; por isso, lanço minha nudez diante de Deus para receber roupas, e minha fome diante de Deus para ser alimentado, e a própria vida lanço diante dele para ser preservada mesmo entre as mandíbulas da morte”. Essa fé é grandiosa, e você deve começar ali, pois, de outra forma, nem teria começado a edificar sobre a rocha. A primeira camada da construção deve ser de rocha maciça, senão, todo o restante não estará seguro. O que começa bem termina bem: tome cuidado de deitar um alicerce inamovível porque a vida inclui muitas provações, e ai do homem cujo alicerce sucumbe!

Não só é grandioso viver com essa fé, mas também morrer com ela. Agora, as cortinas estão fechadas, a luz do sol está excluída, as vozes dos amigos começam a ser menos audíveis, o ouvido fica fraco e os controles dos olhos falham. Minha alma, você agora está para se lançar ao mundo invisível. O que fará agora? O que, senão desmaiar nos braços do seu Pai e Deus! Oh, meu caro ouvinte, se você aprendeu a confiar bem no início, por ser Jesus quem ele é, e não por causa do que você é, então saberá morrer; isto porque, em pé ali na perspectiva da grande prestação de contas ou, melhor, deitado ali na cama, aguardando a vinda do Senhor, surgirão temores, dúvidas e terrores, caso você esteja olhando para dentro de si, ou relembrando a vida passada na tentativa de descobrir ali motivo de confiança. Mas se puder dizer: “Meu Salvador, nas tuas mãos entrego meu espírito: coloco de novo minha alma desnudada nas tuas mãos traspassadas”, então poderá render o último suspiro em paz, sabendo em quem creu, e estando persuadido de seu poder para o preservar até o dia final o que lhe entregou. Quando John Hyatt estava acamado, morrendo, um dos amigos perguntou: “Sr. Hyatt, pode agora confiar a alma nas mãos de Jesus?”. A resposta foi: “Homem, confiar-lhe uma só alma? Isso é nada. Poderia confiar a ele um milhão de almas, se as tivesse. Sei que ele é poderoso para salvar todos os que nele confiam”.

Quero que você comece, portanto, da mesma forma que esses pobres leprosos, simplesmente aceitando a promessa de Cristo, e caminhando com a força dessa promessa antes de sentir qualquer mudança que conceda esperança em seu interior. Dessa mesma maneira, quando morrer, pode aguardar e esperar a glória, embora seu fulgor ainda não o tenha transfigurado; você pode ficar na expectativa da coroa eterna, da harpa, da esperança de ver o rosto do Bem-amado, e receber a bem-aventurança inefável, e manter essa expectativa embora as nuvens se acumulem ao redor. Antes de você passar pela porta de pérola, ou mesmo atravessar o mar frio, pode desfrutar da visão beatífica pela fé inabalável. A esperança contemplada não é esperança; mas é gloriosa a fé que enxerga o invisível e capta a substância das coisas ainda não vistas. Mediante esse poder, agora mesmo antegozo as alegrias dos mais altos céus. Procurem, amados, fazer o mesmo. Precisamos de mais fé! Será maravilhoso conhecer todo o céu, embora vocês não o tenham visto nem sentido, porque conheceram o Senhor do céu e nele confiaram. Até aqui têm descoberto que a promessa é fiel; agora, confiem no Senhor para lhes dar a glória, como antes confiaram nele para receber graça, e vocês se descobrirão, antes de passar muito mais tempo, seguros nas suas mais ricas promessas.

Deus os salve, a cada um de vocês, amados; e que ele o faça nesta mesma hora, por amor ao seu Filho amado. Amém.

Extraído do Livro Os Milagres de Jesus

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