Bispo J. C. Ryle e a BMW de Jesus


Há alguns dias, foi repetida a declaração de Hagin sobre o jumento que Jesus utilizou ao entrar em Jerusalém. Segundo ele, que foi um dos pais da teologia da prosperidade, esse mesmo jumento atestava que Jesus era rico, pois ele poderia ser comparado a uma BMW em nossos dias. Marco Feliciano já a copiou e agora foi a vez do Felippe Valadão, marido da Mariana Valadão. Além disso, eles comentaram que Jesus nasceu em uma manjedoura por não haver vaga em um hotel no momento. É, querido leitor, essas declarações são muito lamentáveis e de longe não representam a vida e os sofrimentos que Jesus experimentou enquanto aqui pisou.

Isto posto, quero deixar uma reflexão do Bispo J. C. Ryle sobre esse assunto como forma de confrontação à essa teoria maldita que quer sustentar um evangelho apenas focado em riquezas, em detrimento das grandes verdades que ele nos fornece. Verdades essas a nosso respeito e de nosso Senhor como sendo as únicas que podem nos dar Vida Eterna.

Boa leitura.

A Humildade de Cristo; A provação de seus discípulos; O poder sobre as Águas. ( João 6. 15-21)

Devemos observar, nessa passagem, a humildade de nosso Senhor Jesus Cristo. Somos informados de que, após alimentar a multidão, Jesus sabia “que estavam para vir com o intuito de arrebatá-lo para o proclamarem rei”. Imediatamente, ele se retirou e os deixou. Não queria ser honrado dessa maneira, pois tinha vindo não “para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos” (Mt 20.28).

Vemos a mesma atitude e disposição de espírito em todo o ministério terreno do nosso Senhor. Desde o berço até à sepultura, Ele foi revestido de humildade (1 Pe 5.5). Nasceu de uma mulher pobre e gastou os trinta anos iniciais de sua vida em uma carpintaria de Nazaré. Foi seguido por companheiros pobres; muitos deles eram apenas pescadores. Seu estilo de vida era pobre: “As raposas tem seus covis, e as aves do céu seu ninho; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça” (Mt 8.20). quando viajou pelo mar da Galiléia, utilizou um barco emprestado. Para entrar em Jerusalém, serviu-se de um jumento que pertencia a outrem. Ao ser sepultado, foi posto em um sepulcro alheio. Ele “sendo rico, se pobre por amor de vós” (2 Co 8.9).

Este exemplo de nosso Senhor deveria ser mais lembrado. Orgulho, ambição e mente altiva são atitudes comuns; a humildade e a simplicidade de espírito são raras. Quão poucos recusam a fama, ao ser-lhes oferecida! São muitos os que continuamente buscam grandezas para si e se esquecem da exortação: “não a procures” (Jr 45.5). Certamente, não foi sem motivo que nosso Senhor, depois de lavar os pés dos discípulos, afirmou: “Eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também” (Jo 13.15). devemos nos preocupar porque existe pouco dessa atitude de lavar os pés entre cristãos. Quer os homens ouçam, quer não, a humildade é uma virtude sobremodo excelente. E, assim como alguém disse: “quanto maior a humildade de uma pessoa, tanto maior a sua espiritualidade”. A humildade é o primeiro passo em direção ao céu e o caminho certo em direção à honra: “O que se humilha será exaltado” (Lc 18.14).

Devemos observar também, nestes versículos, as provações pelas quais passaram os discípulos de Cristo. Somos informados que eles desceram para atravessar o mar, enquanto o mestre permanecia ali por mais algum tempo. Depois, os vemos sozinhos, na escuridão da noite, sendo jogados de um lado para o outro por um grande vento que soprava sobre as águas, e, o que era pior, Cristo não estava com eles. Após testemunharem um milagre tão grande, servindo como instrumentos para uma multidão admirada, estavam agora sozinhos e experimentavam a escuridão da noite, os ventos, as ondas, a tempestade, a ansiedade e o perigo. A mudança era tamanha! Mas Cristo conhecia essa situação. Ele mesmo lhes ordenou que atravessassem o mar. Isso estava cooperando para o bem dos discípulos.

Precisamos compreender claramente que a provação é algo que deve ser esperado por todo o cristão verdadeiro. Através dela, nossa fé é provada e descobrimos o que temos em nosso íntimo. Inverno e verão, frio e calor, nuvens e raios solares são igualmente necessários para trazer o fruto do Espírito à maturidade. Naturalmente, não gostamos de passar por essas coisas. Antes, nosso desejo é atravessar o mar com vento bom e favorável, tendo Cristo sempre ao nosso lado e o sol brilhando em nossas faces. Mas nem sempre é assim. Se fosse, os filhos de Deus nunca se tornariam “participantes da sua santidade” (Hb 12.10). Abraão, Moisés, Davi e Jó foram homens que passaram por muitas provações. Estejamos contentes por seguirmos seus passos e bebermos do mesmo cálice. Em horas difíceis, parece que fomos deixados sozinhos;  mas na verdade nunca estamos sós.

Por último, devemos observar o poder do nosso Senhor sobre as ondas do mar. Enquanto os discípulos remavam em meio à tempestade, Jesus foi ao encontro deles andando sobre o mar. Andava sobre as águas tão fácil quanto andava sobre a terra seca. As águas o sustentaram com firmeza semelhante à do assoalho do tempo ou à dos montes que circuncidavam Nazaré. Aquilo que é totalmente contrário à razão era inteiramente possível a Cristo.

Devemos lembrar que Jesus não é apenas o Senhor, mas o Criador de toda a natureza (Jo 1.3). Para ele foi tão simples andar sobre o mar quanto formá-lo no principio da criação; tão simples suspender as leis da natureza, conforme as chamamos, quanto estabelecê-las no principio. Às vezes os eruditos dizem bobagens sobre a imutabilidade perpétua das “leis da natureza”, como se estas fossem superiores ao próprio Deus e não pudessem ser interrompidas. De quando em quando, é bom que um milagre como esse nos faça recordar que as “leis da natureza” não são imutáveis ou eternas. Tiveram um principio e, um dia, terão um fim.

Todos os verdadeiros crentes devem achar conforto ao pensar que o Salvador é Senhor dos ventos, das ondas e das tempestades, capaz de ir ao encontro de seus discípulos, na hora mais escura, “andando por sobre o mar”. Existem ondas de tribulação imensamente mais difíceis do que as do lago da Galiléia. Há dias sombrios, que provam até mesmo a fé do crente mais santificado. Contudo, se Cristo é o nosso Amigo, jamais nos desesperemos. Ele pode vir em nosso auxílio quando menos esperamos, usando meios que não imaginamos. E, quando Ele vem, tudo fica tranqüilo.

Extraído do Livro Meditações no Evangelho de João, Editora Fiel. 

Mais artigos de J. C. Ryle AQUI

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