Avivamento sob o prisma do Velho Testamento – Conselhos finais


Necessidade de renovação. Conselhos finais.

Por Gerard Van Groningen

Mas o problema com os avivamentos é que eles perdem o vigor, perdem o vapor e não progridem. o reavivamento tem que levar à renovação.

Por renovação queremos dizer que aqueles caminhos do Senhor que já eram tradicionais, que eram praticados no passado, são de novo trazidos como se fossem renovados. Na verdade, é um andar de novo nos antigos caminhos de Deus, os caminhos antigos são renovados. As pessoas agora despertadas, avivadas, são renovadas por Deus para andar nos caminhos antigos que agora são novos para eles. Os caminhos de Deus do passado se tornam vivos e novos no presente. É isso que é renovação.

Mas a renovação ainda não é suficiente. o homem regenerado, despertado, avivado e renovado sabe que Deus continua a Sua obra na história. Nós não podemos simplesmente fixar a tradição e idolatrá-la. À medida em que a história progride e Deus desenvolve o Seu reino, nós somos chamados para um tipo de andar com Deus em obediência num sentido mais rico. A vida pactual de Abrão com Deus foi uma reforma, mas Deus não chamou Moisés para trazer o povo àquela mesma reforma, no mesmo nível que Abraão experimentou. Ele chamou Moisés para levar o povo a construir uma sociedade mais rica, mais plena, a partir daquela construída por Abraão. E com Davi foi a mesma coisa, Deus não o chamou para construir uma sociedade nos moldes daquela de Moisés, mas para o fazer, a partir daquela de Abraão e de Moisés, uma sociedade, espiritualmente falando, mais rica e mais plena.

A quarta parte da minha palestra diz respeito ao relacionamento entre estados e fenômenos. Eu, durante os 70 anos que já vivi, tenho ouvido pessoas que trabalham por avivamento, só avivamento. E eles ficam perguntando: por que fracassar? Especialmente se não houve um preparo próprio, uma regeneração e despertamento; pode haver, de início, uma espécie de explosão pessoal, de resposta pessoal como quando se joga gasolina no fogo, mas eu nunca vi gasolina no fogo durar muito. Não há substância; há exibição de poder e de força momentânea, mas geralmente o que segue a isto é a devastação. É preciso que vejamos a interdependência de cada um desses vários aspectos da vida espiritual. O Velho Testamento mostra bem claro que uma pessoa morta não pode ser despertada, muito menos avivada, renovada, reformada. A regeneração tem que ocorrer primeiro e é básica. Eu creio que esse foi o problema com o rei Saul, o Espírito o capacitou a fazer algumas coisas, mas a pergunta continua: Era ele um rei nascido de novo, regenerado? Então, é melhor que você retroceda um pouco e pergunte a você mesmo: sou eu realmente uma pessoa regenerada? Esse foi o problema no Velho Testamento, eles tentaram trazer uma reforma para dentro do templo mas não tiraram de lá os ídolos, não socializaram a sua vida de acordo com os padrões divinos, não se relacionaram bem com as nações pagãs.

Quero enfatizar que avivamento é muito importante; mas façamos isso como pessoas nascidas de novo e despertadas; e façamos isso também de acordo com essas tipos de vida aqui apresentados nestes três relacionamentos: espiritual, social e cultural. Então teremos aquele tipo de reforma que Deus quer, e que houve nos dias de Lutero e de Calvino. Calvino relacionou a sua reforma com todas as áreas da vida, e realmente ele estava correto biblicamente.

Eu quero passar a outro ponto no mesmo contexto. Deus nos tem dado igreja e o culto para desenvolver essa obediência espiritual que é tão necessária. Mas não separe Igreja da sua família ou da sua vida cultural do dia a dia. Muitas pessoas são cristãs no domingo, mas pagãs nos demais seis dias da semana; isso inclusive levanta a questão, se elas são realmente renascidas. Aprendi com meu pai e meu avô o quanto é importante a educação cristã no lar e na escola. Nos dias do Velho Testamento as pessoas voltavam-se para Deus mas conservavam os seus ídolos; e vemos também que eles temiam a Deus mas casavam com estrangeiros, pagãos. Salomão caiu, espiritualmente falando, quando se casou com mulher estrangeira e fez aliança com Irão.

Eu agora estou chegando a quinta e última parte de minha fala; Eu quero destacar alguns requisitos absolutamente necessários para uma vida diante de Deus.

Primeiro: O amor do Pai, que está relacionado com as misericórdias de Deus. Seu amor por aquele que é espiritualmente culpado. Sem esse amor em nosso coração nada poderemos fazer.

Segundo: A Palavra de Deus, a palavra viva que está centralizada em Jesus Cristo, o Redentor e Consumador de todas as coisas. Sem a Palavra de Deus centralizada em Cristo nunca teria havido as reformas que houve. O ponto alto de todos os verdadeiros avivamentos foi o apego à Palavra de Deus.

Terceiro: O Espírito Santo é absolutamente necessário para dar a vida, para desenvolvê-la, e para embelezá-la. Segundo o Salmo 106, é o espírito do Senhor que modifica e faz renascer todas as coisas.

Quarto: A liderança de pessoas divinamente chamadas por Deus. Nenhum movimento no Velho Testamento começou sem que Deus tivesse chamado, apontado, qualificado e constituído líderes para o povo. Deus fez uso dos sacerdotes, profetas, e legisladores porque o povo tinha necessidade em todas essas áreas. Todos os líderes São apontados por Deus. O Salmo 78 diz que assim como Davi tinha sido apontado como pastor para as ovelhas, Deus também o indicou como pastor para o Seu povo. Assim com as ovelhas precisam de alguém que cuide delas, as ovelhas de Deus também precisam. Todos nós líderes da Igreja, presbíteros, professores ou qualquer que seja a função que tenhamos; uma tremenda responsabilidade pesa sobre os nossos ombros: Somos líderes da relação pactual que o nosso povo tem com Deus nas áreas espiritual, social e cultural.

Quinto: Segundo o Velho Testamento, os líderes não apenas devem conhecer a Palavra de Deus, mas devem conhecer também programa de Deus. O que Deus está fazendo na história? Para onde a história está se dirigindo? Deus disse a Abraão: eu farei de ti uma grande nação, em ti as nações serão abençoadas. Se ele não tivesse acreditado nisso, não teria se tornado um líder através de quem estas obras, começando na regeneração até a reforma poderiam ser feitos. Quando Moisés foi chamado, Deus lhe deixou bem claro qual era o seu programa. Moisés seria o profeta de Deus. Deus não trata aqueles a quem chama para liderar Seu povo como se fossem paus ou pedras, Deus trata-os como pessoas responsáveis dentro do Seu plano.
* Gerard Van Groningen é doutor em Teologia pela Universidade de Melbourne, foi professor de Teologia do Antigo Testamento no Reformed Theological College, Victoria, Austrália; Dordt College; Reformed Theological Seminary; Covenant Theological Seminary e Centro de Pós-Graduação Andrew Jumper.

Leia a série completa AQUI

Anúncios

Sobre Blog do Lino
Sou filho de Deus.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: