Avivamento sob o prisma do Velho Testamento – Parte 3


No período dos reis. A necessidade de despertamento espiritual. 

Por Gerard Van Groningen

Sabemos que é dito que o sangue dos mártires é a semente da Igreja. No livro de Juízes, quando vinha a opressão, ocorria um tipo de avivamento. Entre esses altos e baixos da vida religiosa, havia fé porque a história de Boás nos diz isso. Vindo, porém, a época de Samuel, houve um grande retrocesso na vida dos sacerdotes; isso é visto na primeira parte de I Samuel. Mas inclusive nesse período, encontramos algum tipo de renovação espiritual. Na época de Davi, encontramos uma transformação, uma reforma na vida pactual em termos de culto e de serviço a Deus. Há pecado, adultério, homicídio, mas há também confissão, arrependimento e penitência. Deus aceitou a confissão de Davi e trabalhou com ele. Quanto a Salomão, ele começou em um ponto bem mais elevado, mas também caiu no mais baixo grau de pecado, adultério, e idolatria.

Depois de Salomão houve uma grande queda, as tribos se dividiram e se rebelaram contra Deus. No Reino do Norte, reino chamado de “Israel”, não houve um só rei que pudesse ser chamado de “fiel”, “temente a Deus”, mas Deus manteve a Sua palavra, manteve o Seu pacto com o Seu povo, levantou profetas como Oséias, Amós, Elias e Eliseu.

Quanto ao Reino de Judá, o Reino do Sul, menos de metade continuou no pacto, fiel a Deus. De I Reis até II Reis 17 podemos ver a respeito dos governantes: Asa, Josafá, Joás, Amazias, Azarias, e Jotão; esses reis foram tementes a Deus, mas entre eles também houve alguns que não o foram. Então, o que encontramos é uma espécie de montanha russa entre altos e baixos, tementes a Deus e não tementes. Houve reavivamentos tanto por parte dos Reis como por parte do povo. Então Josias tentou introduzir uma verdadeira reforma. Depois que seu avô, Manassés, levou a idolatria para dentro do próprio templo. À medida em que olhamos a história de Israel, sob os reis que sucederam a Davi, constatamos que não houve uma continuidade da reforma promovida por Abraão, Moisés e Davi; o que houve foi um retrocesso contínuo.

Assim, Deus trouxe a maldição do pacto sobre eles e os enviou ao exílio; mas lá, deu-lhes dois sacerdotes fiéis: Ezequiel e Daniel. À luz de Ezequiel 33:30-32, cremos que houve algum tipo de reavivamento; senão vejamos:

“Quanto a ti, ó filho do homem, os filhos do teu povo falam de ti junto às paredes e nas portas das casas; e fala um com o outro, cada um a seu irmão, dizendo: Vinde, peço-vos, e ouvi qual seja a palavra que procede do Senhor. E eles vêm a ti, como o povo costuma vir, e se assentam diante de ti como meu povo, e ouvem as tuas palavras, mas não as põem por obra: pois lisonjeiam com a sua boca, mas o seu coração segue a sua avareza. E eis que tu és para eles como uma canção de amores, canção de quem tem voz suave, e que bem tange; porque ouvem as tuas palavras, mas não as põem por obra.”

Os irmãos já tinham notado que essa passagem está na Bíblia? Ela não descreve uma porção de pessoas que hoje vêm à Igreja? Estas palavras podem ser atribuídas a um considerável número de pessoas: “-Vamos ouvir o pregador, como será o sermão de hoje? ó sim, nós ouvimos o que ele disse” Mas não mudam o coração. Com a boca expressam devoção, mas o coração deseja lucros injustos. Se o pregador é um bom orador: “- ele é um grande apresentador”, se houver uma boa música na Igreja: “-nós vamos nos divertir bastante”, mas Deus não é honrado; não houve verdadeiro reavivamento no exílio. Deus mesmo disse isso. Após o exílio houve muita oposição àquele primeiro entusiasmo que foi levantado em Jerusalém. Ageu e Zacarias buscaram um avivamento; Esdras, Neemias e Malaquias também tentaram alguma reforma, mas será que uma reforma é possível onde não encontramos os elementos de renovação e despertamento. Nunca nos esqueçamos de que Deus sempre teve seus 7000 fiéis, mas o registro de um modo de vida, de um culto, um serviço sempre crescente, desenvolvendo e aumentando na vida pactual não é registrado.

O que aprendemos sobre o reavivamento no Velho Testamento? É que não é fácil experimentar um reavivamento, mesmo sob Davi e sob aqueles profetas maravilhosos na sua pregação, como Moisés. Mas uma coisa é certa, Deus nunca cessou a Sua obra com relação ao pacto.

Agora eu vou para a terceira parte da minha apresentação. Quero repetir que, por natureza, estamos espiritualmente mortos, a melhor das nossas obras não é meritória, o melhor da nossa vida não nos traz a comunhão com Deus. Por natureza, não podemos andar com Deus, ser inculpáveis e servi-Lo como Ele nos chama a fazer. Regeneração é absolutamente uma necessidade de acordo com o Velho Testamento. É uma volta para Deus, um andar com Ele conforme a Sua vontade. Essa é a obra do Espírito Santo, e, como se pode ver no Salmo 51, Davi sabia disso. Da mesma forma, isso é dito na profecia de Ezequiel quando se fala sobre o Espírito trazendo vida àqueles ossos secos. E aqueles 7.000, nos dias de Elias, eram pessoas regeneradas, tinham os seus corações mudados por Deus. Também aqueles reis que andaram com Deus e foram considerados fiéis, eram homens retos e regeneradas que tinham seus corações transformados.

Mas a questão é esta: A regeneração leva necessariamente a reforma? Na história da Igreja, conforme lemos no Velho Testamento, as pessoas, mesmo regeneradas, ainda podem adormecer espiritualmente; elas não morrem, mas ficam adormecidas. Os cuidados do mundo, as pressões da sociedade, as angústias econômicas que alguém enfrenta; problemas familiares, preocupações com as crianças… nós podemos cair no sono espiritual.

Então, o que é necessário? Temos que ser despertados, e um despertamento é uma volta àquele estado de regenerado. Na história do Velho Testamento nós encontramos esse caso; na época dos juízes houve despertamentos, mas é difícil dizer se houve mais do que isso. Quando vem o despertamento, a pessoa despertada precisa respirar. Com a atuação do Espírito, ela responde pessoalmente; então outros têm a mesma experiência e quando isso atinge uma parte da sociedade então há um reavivamento. Após a experiência do bezerro de ouro, quando a serpente de bronze foi levantada, quando Samuel reprovou o povo por terem pedido um rei à semelhança dos demais povos, não houve apenas uma espécie de despertamento individual, mas um reavivamento na comunidade, um deleitar na presença do Senhor, e isso em comunidade. Lembrem-se também que o salmista pediu por isso, nós vimos isso no começo; e que Isaías disse que é possível.

Leia a série completa AQUI

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