Avivamento sob o prisma do Velho Testamento – Parte 2


Por Gerard Van Groningen

De Adão até Josué

Gênesis 3 registra a vida de Adão e Eva no Éden, em comunhão com Deus, numa relação pactual com Ele. No verso 8 lemos: “e ouviram a voz do Senhor Deus, que passeava no jardim pela viração dia”. Isso mostra que havia relacionamento, comunhão espiritual entre o homem e Deus. Eu estou seguro de que, antes da queda, Adão nunca orou pedindo um avivamento. Eles já eram avivados. Então veio a queda, o grande desvio, o homem caiu na morte. Deus fez imediatamente provisão para redimir e restaurar este vínculo de amor e vida que Ele havia estabelecido com o homem. E eu creio que, quando Deus falou com Adão e Eva, eles foram regenerados, nascidos de novo. Dando ouvido a Satanás eles se tornaram maus, mas foram regenerados pela Palavra Deus. Assim Adão chamou a sua mulher “mãe de toda vida”. E também Eva, quando viu o seu filho, disse: “Deus nos tem dado os meios para a redenção”. Não sabemos como Adão e Eva deram expressão a esta nova vida, a vida regenerada. A Bíblia não fala como era o culto de Adão e Eva depois da regeneração. Agora nós sabemos também que quando eles foram redimidos, eles não tiveram toda a propensão para o mal retirada deles. A continuidade, a presença da dúvida, do pecado e da rebelião estavam lá. E a natureza de Adão e Eva depois da regeneração foi de tal sorte que todos aqueles que deles provieram, geração após geração, também estavam mortos espiritualmente. E a regeneração teve que ser específica, particular, dada a cada indivíduo da raça para que seja renascido. Então ficou determinado que alguns seriam regenerados e outros não, estabelecendo assim esta grande antítese da humanidade.

Depois que Adão e Eva foram expulsos do Éden, lemos a respeito da explosão de mal que tomou conta da sociedade. O fascínio e o homicídio em pouco tempo permearam aquela família; e isso inclusive no cenário do próprio culto a Deus. No capítulo 5 de Gênesis, lemos o que aconteceu nesse espaço de tempo entre Adão e Noé: Houve poligamia, violação do mandato social, violência, e homicídio; mas Enoque andou com Deus, Gênesis 5:22. Seria Enoque um homem reavivado? ou teria ele desde o berço, do seu nascimento, sido um homem forte que não necessitou desse reavivamento? A Bíblia não dá resposta a isso, mas presumimos que Enoque, por andar com Deus, era um homem regenerado. Estaria ele despertado porque tinha estado adormecido? Ou foi reavivado? teria tido ele uma forma de vida totalmente renovada? Ou o que houve com ele foi uma completa reforma? Essas palavras descrevem fenômenos diferentes relacionados com a vida religiosa no Velho Testamento. Mas sabemos com certeza que se o homem andasse com Deus, estaria em íntima e espiritual comunhão com Ele.

Considerando a época de Noé, vemos que a violência aumentou no mundo, então diz o Senhor: “não contenderá o meu espírito para sempre com o homem”. Esse texto implica o fato de que o Espírito de Deus estava presente e trabalhando com os homens no tempo que vai entre Adão e Noé. Algumas vezes se coloca a questão, quando é que o Espírito de Deus começou a trabalhar com o homem? E aqui está a resposta: O Espírito de Deus estava presente desde Adão, restringindo o mal. Quando Deus retirou o Seu Espírito, o mundo foi condenado à destruição por meio do dilúvio; somente Noé e sua família foram salvos. Por isso Noé, ao sair da Arca, adorou a Deus com um sacrifício. Contudo, deve-se destacar que antes de Noé entrar na Arca é dito que ele andou com Deus. Se Noé tivesse tido uma reforma em sua vida, vocês esperariam que ele, como pai, se embebedasse?

Depois de Noé houve também Melquisedeque, um sacerdote que era segundo Deus. Não temos registro de qual era a situação espiritual do ambiente em que Melquisedeque vivia, mas sabemos que naquela época Jó era um homem fiel e piedoso que mantinha uma relação pactual com Deus. Não encontramos qualquer evidência de que Jó tivesse necessitado de um avivamento. O texto diz que ele andava com Deus e que era inculpável. Ele orava e sacrificava pelos filhos regularmente. Onde é que Jó aprendeu a fazer isso? Não temos as respostas na Bíblia, mas sabemos que ele era um homem temente a Deus, um homem espiritualmente vivo.

Também é curioso que Deus chamou a Abraão de um ambiente de culto idólatra, Josué 24. Abraão foi tirado de um ambiente pagão, de culto idólatra, mas não é dito que ele praticava esse tipo de culto. Ele teve que ser tirado de lá para que Deus construísse uma nova sociedade, um novo tipo de vida para o seu povo. E é interessante que Abraão teve que ser trabalhado no sentido de desenvolver, aprofundar-se numa relação pactual com Deus. Abraão é chamado, conforme Gênesis 12, e ele vai para a terra prometida. Em Gênesis 15 nós encontramos Abraão com medo, tremendo, mas Deus vem a ele e o desperta, reaviva renova, reforma; o fato é que encontramos Deus trabalhando com Abraão e Abraão respondendo com fé, de forma que ele é considerado justo. Houve um grande desenvolvimento na sua vida, mas também ele, de certo modo, tem uma recaída ao ouvir Sara, sua mulher, e tomar a Agar como sua segunda esposa. Então, em Gênesis 17, Deus aparece a Ele e diz: “Eu sou o El Shadai, anda na minha presença e sê perfeito”. Assim, Abrão foi se tornando, gradativamente, um homem obediente. No capítulo 18 vemos Abraão orando, como uma espécie de mediador, por Sodoma e Gomorra. No capítulo 22, vemos que ele está pronto a sacrificar o seu próprio filho a Deus, por obediência; e mais tarde, o próprio Deus, falando a Isaque, dá o seguinte testemunho de Abraão: “porque o teu pai obedeceu e guardou todos os meus preceitos e andou na minha presença. Eu te abençoarei”. Como se vê, Abraão passou por essas experiências de reforma, de reavivamento, de despertamento, e de renovação. Isso fica claro quando estudamos toda a vida dele.

Depois de José, não há propriamente uma reforma, até em Jacó, o que encontramos são altos e baixos no que diz respeito a vida espiritual. No Egito, porém, há uma total quebra do pacto, e o povo cai em uma total desobediência e regressão espiritual.

Na era Mosaica, Deus desce ao homem e dá início a uma obra tremenda. Primeiro Ele trata com o próprio Moisés; e há um grande desenvolvimento na vida do profeta, antes de ser enviado a Faraó como agente de Deus. Na experiência da preparação de Moisés, houve progresso na sua obediência, na sua coragem, e na sua prontidão para servir a Deus.

Quanto a Israel, diz nos a Bíblia que o povo gemeu em sua situação de miséria. Não é dito que eles tenham clamado a Deus, mas registra-se que Deus ouviu o seu clamor. Então, quando Deus trouxe Israel ao Sinai, houve uma reforma radical; um novo modo de vida totalmente diferente foi colocado perante Israel. A nação foi transformada em uma teocracia. Eles deviam, assim, dar expressão ao seu relacionamento com Deus em todos os aspectos da vida.

Deus tem o Seu reino, tem o Cosmos que é parte do Seu Reino, dentro do cosmos Ele colocou o homem; o homem, a mulher e seus filhos, exatamente no centro do cosmos. Deus fez isso na época da criação. Ele estabeleceu um relacionamento espiritual, entre Si mesmo e a humanidade; um relacionamento social, entre o homem e a mulher, entre os pais e os seus filhos; um relacionamento cultural, entre a humanidade e o cosmos. Portanto, há três relacionamentos básicos na Bíblia: I) Relacionamento Espiritual – É o relacionamento com Deus desenvolvido pela Igreja, no culto, usando a Sua Palavra; II) Relacionamento Social – Também chamado de mandato social e está centralizado no lar, na família; III). Relacionamento Cultural -É desenvolvido na escola e tem que ver com a a arte, a indústria, a política e todas as demais áreas da vida. Embora isso tenha sido estabelecido por Deus na época da criação, no Sinai é que Ele promoveu uma reforma real. No Sinai houve todos tipos de leis e regulamentos sobre o relacionamento do homem com Deus; do homem com sua mulher e família; e também todas as leis civis relacionadas com a política, a alimentação, as festas, os costumes, e tudo aquilo que está relacionado com o mandato cultural.

Contudo, em poucos meses houve um retrocesso. Moisés subiu ao monte e o povo ficou em baixo, dançando em torno de um bezerro de ouro. Deus puniu severamente a Israel, mas houve um remanescente que permaneceu fiel, houve um retorno. Mas na história de Israel no deserto, há muita rebelião: não se lembraram da circuncisão, não houve reavivamento e nem renovação. Então, quando Moisés repete a lei em Deuteronômio, ele clama por uma renovação, como houve no Sinai, preparando o povo para a possessão da terra. Porém, não há nenhuma resposta específica do povo no sentido de aceitar o apelo.

Sob o comando de Josué, à medida que entrava na Terra Prometida, Israel alcançou muitas vitórias. Então houve um desenvolvimento, uma reforma maior, um desenvolvimento do que começou no Sinai. Isso durou enquanto Josué viveu. Depois disso, o livro de juízes registra que houve um período de altos e baixos; não houve reavivamentos, e sim algumas renovações de caráter temporário.

A questão que pode ser colocada é esta: O povo de Deus precisa de derrota, aflição, e opressão para permanecer firme espiritualmente?

Leia a série completa AQUI

Fonte: Monergismo

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