O valor das doutrinas


“Nós caímos em um abismo no qual a reafirmação do óbvio é o primeiro dever do homem inteligente”. Escritas em 1939, as palavras de George Orwell parecem ser endereçadas aos líderes da igreja biblicamente iletrada de hoje.

A coisa mais óbvia a ser dita sobre o Cristianismo é que ele se apóia em fatos históricos: a Criação, a Encarnação, e a Ressurreição. Desde que nossas doutrinas sejam uma reivindicação da verdade, elas não podem ser meros simbolismos. É importante lembrar a forma como celebramos a Ressurreição, que geralmente é  ofuscada  pelo esplendor da Páscoa.

Quando nós paramos de levar a sério as verdades históricas da igreja, nós enfraquecemos nosso testemunho, geralmente com grandes consequências.

Para mim, é evidente que a doutrina é importante. Há alguns anos, eu visitei o Sri Lanka, logo depois de o bispo anglicano David Jenkins ter rejeitado a doutrina da Ressurreição como uma “brincadeira mágica com os ossos” (mais tarde foi revelado que ele havia citado um texto erroneamente). O líder do nosso ministério, que me acompanha palas prisões do país, disse que a notícia custou muitas conversões, porque budistas e hindus usaram isso para convencer as pessoas de que o Cristianismo é baseado em uma simples travessura.

Claramente, quando nós paramos de lavar a sério as verdades históricas da igreja, nós enfraquecemos nosso testemunho, geralmente com grandes consequências. Por exemplo, grupos de estudantes islâmicos fazem proselitismo afirmando que  os cristãos adoram três Deuses: Pai, Mãe, e Filho. De onde eles tiraram essa ideia? Dos cristãos egípcios do século VII, que abandonaram a Bíblia e abraçaram essa heresia.

Um estudo do Pew Forum on Religion and Public Life, feito a alguns anos,revelou uma excessiva ignorância doutrinária entre os cristãos americanos. 57% das pessoas acreditam que pessoas que seguem outras religiões poderão usufruir a vida eterna. O resultado foi tão inesperado que o fórum repetiu o estudo, perguntando questões mais específicas. As respostas permaneceram inalteradas. Surpreendentemente, cerca da metade disse que qualquer um, inclusive ateus, irão para o céu. Céu para o ateu? Essa é a antiga heresia do universalismo.

A indiferença às verdades do evangelho é percebida em outras esferas também, como entre as pessoas que é defendem os “fatos, e não a crença”, e na infinita discussão sobre as novas formas de “entender” ou “fazer” teologia. Alguns aderem à antigas heresias, que dizem que as doutrinas devem ser extraídas de experiências íntimas, de sentimentos pessoais. Isso é uma versão do Gnosticismo. 

Há aqueles que querem adaptar o Cristianismo a era pós-moderna, ou desenvolver sua teologia publicamente com não-cristãos, ajudando a formular o resultado. Sim, nós precisamos contextualizar a mensagem para que as pessoas do nosso tempo e cultura entendam a verdade que nós proclamamos. Mas isso é radicalmente diferente de mudar a verdade cristã que os pais da igreja definiram em seus concílios.

Como um repórter noticiou, mesmo quando os cristãos conhecem as doutrinas verdadeiras, eles temem dizer a verdade com receio de ofender os outros. Por quê eu deveria impor minha verdade aos outros? é um pensamento que define muitos de nossos crentes.

É por isso que J. I. Packer, no seu octogésimo aniversário, disse que o grande desafio dos evangélicos é recatequizar nossas igrejas. Mais do que nunca, os cristãos precisam ter a capacidade de falar corajosamente sobre a esperança que eles escondem dentro de si.

É claro que a fé pessoal é importante, mas não é suficiente. E sim, a doutrina tem sido ensinada de forma seca e insatisfatória. Mas como Dorothy Sayers notou, uma vez que nós entendemos o que as doutrinas cristãs ensinam, “O dogma é o drama”.

A determinação de restaurar a fé ortodoxa –  a fé que “de uma vez por todas foi entregue” (Jd 1.3) – nos leva a Reforma, de quem nós somos herdeiros. Uma nova ênfase na doutrina ortodoxa poderia, também, transformar a igreja e a cultura atual.

Há alguns anos eu visitei Atenas e escalei uma rocha chamada Monte de Marte. Eu fiquei no lugar onde eu imaginava que Paulo tinha se confrontado no Areópago, o sábio homem no centro cultural do mundo. Paulo desafiou os atenienses referindo-se à sua própria cultura e seus falsos altares, e depois pregou o evangelho, proclamando que Deus  havia ressuscitado Jesus dentre os mortos.

É a mesma mensagem que eu prego nas prisões hoje em dia. Eu penso que é bem mais divertido permanecer em uma crença que dura dois mil anos do que pular de uma para outra.

Poucas pessoas aceitaram o convite que Paulo fez naquele dia para seguirem Cristo.  Mas bilhões seguiram Paulo desde aquela época porque Cristo tem um poder inevitável. Ele tem o poder de impedir que Satanás controle nossas almas e de transformar alegremente nossas vidas.

Orwell estava certo: em uma crise, nós geralmente temos o dever de reafirmar o óbvio. E a Páscoa é um bom momento para os cristãos reverem sua confusão doutrinária, irmã das verdades óbvias do Cristianismo.

O maior desafio dos cristãos atuais é não reinventar o Cristianismo, mas descobrir seus ensinamentos mais importantes.

Por Charles Colson e Anne Morse direto do Cristianismo Hoje

Anúncios

Sobre Blog do Lino
Sou filho de Deus.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: